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A Syrah Francesa em destaque!
 
A Revista Programa do Jornal do Brasil da última sexta-feira (dia 02/03) destacou a nobreza da uva Syrah, rainha da região setentrional do Rhône, onde dá origem a vinhos coloridos, bastantes robustos, de longa guarda, com aromas intensos.
 
Mencionando entre outros um dos maiores representantes desta casta.

O Hermitage Marquise de Tourette, 1999
 

localizado nas colinas de Hermitage e produzido pelo tradicional produtor da Champagne Deutz, Dela Frères, é um vinho grandioso, rico, potente e redondo. Apresenta aromas que vão de framboesa ao chocolate, com notas de couro e tabaco. Pronto para beber, mas também com grande poder de guarda. Ideal nos momentos especiais.
Preço grf. avulsa R$ 337,20
Cx. c/ 06 grfs. R$ 1.686,00
 
Apresentamos outros representantes:
Crozes Hermitage, Les Launes 2002
 
O vinhedo do Crozes Hermitage se estende por 11 vilarejos situados na Drôme, lado esquerdo do rio Rhône.
Com aromas de frutas vermelhas frescas e violeta. Um vinho alegre e equilibrado. Parceiro ideal das carnes vermelhas grelhadas, queijos leves e carnes brancas.
Preço grf. avulsa R$ 90,70
Cx. c/ 06 grfs. R$ 453,60
 
Vacqueyras, Les Genêts 2000
 
Este vinhedo juntou-se, em 1990, aos "crus" da Côtes du Rhône. Os vinhos tintos têm em sua "assemblage" a Syrah, Grenache e Mourvèdre, fazem lembrar a cereja preta, os frutos com caroço, o figo... Na boca frutado com toque de alcaçuz, carnudo e equilibrado. Com taninos aveludados e boa persistência. Acompanha as carnes vermelhas com molhos de vinho, caças, queijos (brie, camembert).
Preço grf. avulsa R$ 97,20
Cx. c/ 06 grfs. R$ 486,00
 
Uma boa sugestão para desfrutar um pouco da grandeza da Syrah,
 é a opção de caixa sortida:
2 gfs. de Hermitage Marquise de Tourette 1999 
2 gfs. de Crozes Hermitage Les Launes, 2002
2 gfs. de Vacqueyras, Les Genêts 2000
Preço: R$ 875,20

Club du Taste-Vin
A l. Itu 1415- Jardins
Tels.:  3086 1918 - 3082 8821


Espetáculo na Fenavinho
 

A Fenavinho 2007, que acontecerá de 26 de janeiro a 20 de fevereiro, continua empenhada na preparação do que será um dos diferenciais das edições anteriores: os espetáculos cênicos, retratando a história do vinho desde a criação do mundo até os dias de hoje, sob a orientação técnica de Parintins, do Boi Garantido. O espetáculo será apresentado em quatro palcos fixos, cenários de fundo, gigantescas alegorias em movimento, 500 figurantes da própria comunidade e efeitos especiais de vídeo, som e luz e pirotecnia em duas horas de duração. Figuras como O Criador, Adão e Eva, Dioniso, Baco, Cleópatra, Marco Antônio, Dom Perignon, Napoleão Bonaparte e Pasteur, entre outros, fazem parte do roteiro, escrito pela museóloga e diretora geral do espetáculo, Maria Stefani Dalcin. A apresentação será em arena ao ar livre, com arquibancadas para 4,5 mil pessoas.

Fonte: Afonso Ritter

 

XI Festa Nacional da Vindima: uvas, vinhos e tradições
 

A XI Festa Nacional da Vindima de Flores da Cunha, que acontece em de 23 de fevereiro a 18 de março de 2007, sextas, sábados e domingos, espera receber cerca de 200 mil visitantes para mostrar o que produziu e o que colheu em mais um ano de intensos trabalhos.
 

Através dos desfiles de carros alegóricos que ocorrem nos finais de semana da festa, o turista terá ao vivo, a reprodução dos principais acontecimentos que marcaram profundamente a vida dos primeiros imigrantes e as tradições conservadas por seus descendentes ao longo de mais um século.

 
Chamada também de "Terra do Galo", o município passou a denominar-se Flores da Cunha, em 21 de dezembro de 1935, em substituição à Nova Trento. Com uma população de cerca de 30 mil habitantes, é o município maior produtor de vinho do Brasil e um dos principais pólos moveleiros do Estado.

 

Fonte: Positiva


Brasil conquista sete medalhas na França

Os espumantes brasileiros mais uma vez são destaque na França. Desta vez, o Brasil conquistou sete Medalhas, sendo uma de Ouro e seis de Prata. O Concurso Effervescents du Monde 2006, realizado nos dias 9 e 10 de novembro na cidade de Chaintré, reuniu 351 amostras de 24 países.
 

PRÊMIOS


Medalha de Ouro
Miolo Millésime Espumante Brut 2004 - Vinícola Miolo



Medalha de Prata
Aurora Espumante Chardonnay  Brut - Cooperativa Vinícola Aurora

Casa Valduga Espumante Moscatel - 2006 - Casa Valduga Vinhos Finos

Cavalleri Espumante Brut 2004 - Adega Cavalleri

Cave Geisse Nature Espumante Brut 2003 - Vinícola Cave de Amadeu

Garibaldi Espumante Chardonnay Brut - Cooperativa Vinícola Garibaldi

Miolo Espumante Brut Rosé 2006 - Vinícola Miolo

Fonte: ABE
 

Tannat brasileiro é destaque no Uruguai
O Brasil conquistou duas Medalhas no Concurso Tannat al Mundo, realizado entre os dias 28 e 30 de novembro em Montevideo, no Uruguai. Este concurso se diferencia dos demais por avaliar somente vinhos elaborados a partir da variedade Tannat.

Somente o Brasil, Argentina, França e o Uruguai participaram com um total de 125 amostras inscritas, já que estes países são produtores de vinho Tannat. O concurso contou com o apoio da Organização Internacional da Uva e do Vinho (OIV), da União Internacional de Enólogos (UIOE) e do Instituto Nacional de Vitivinicultura do Uruguai (INAVI).


Vinhos Premiados
 

Medalha de Ouro
Fortaleza do Seival Tannat 2005 - Fortaleza do Seival Vineyards


Medalha de Prata
Fortaleza do Seival Tannat 2006 - Fortaleza do Seival Vineyards
Fonte: ABE

 


Tire partido de seu vinho

Estraga o vinho deixar a garrafa na vertical?

Estraga, sim. Vinho deve ser estocado na horizontal, com rótulo para cima. Contudo, o processo não é neurótico, ou quase todo vinho engarrafado do mundo chegaria estragado ao consumidor. Os vinhos agüentam um bom tempo sem se prejudicar com as garrafas na vertical, rolhas para cima. Quanto? Desconheço pesquisas nesse sentido, mas a experiência mostra que um ou dois meses com a garrafa na vertical não causam problema, até possivelmente mais tempo. Há algumas poucas exceções, de vinhos que podem ser guardados na vertical indefinidamente. São os vinhos que já vêm oxidados (no bom sentido) da origem e possuem grande estrutura de concentração, álcool e acidez. Por exemplo, Porto Tawny (envelhecido em cascos antes de se engarrafado), Madeira e outros assemelhados.

Por que guardar o vinho na horizontal?

Para preservar a rolha, pois a cortiça depende de umidade para se manter elástica. Com elasticidade sadia, a rolha não deixa entrar o ar; do contrário, o ar penetra no interior da garrafa e, com o tempo, acaba por azedar o vinho.Há quem diga, não sem ares de novidadeiro, que é melhor deixar a garrafa inclinada, num ângulo em que a rolha fique molhada, mas não completamente. Ou seja, a bolha de ar de dentro da garrafa deve ficar junto à rolha, e esta molhada pelo vinho parcialmente. Isto porque muitas vezes, na posição horizontal, a garrafa respira pela rolha, o vinho acaba sendo empurrado pela rolha, entre ela e o gargalo, e entra em contacto com o ar. Do modo inclinado, com a diferença de pressão, é o ar que passa pela rolha e não o vinho ... seja como for, o contacto com o mundo exterior se dá do mesmo modo e os malefícios podem ser os mesmos. Já provei muitos vinhos com mais de 20 anos, rolhas molhadas até as bordas, e em grande estado; e vinhos não tão antigos, rolhas secas nas bordas, e azedinhos ... Séculos de experiência, até agora, comprovam que a posição horizontal, no caso, é a mais adequada. Contudo, se você tem na adega uma garrafa que pingue vinho pela rolha ou verta líquido ao ponto de formar gotas, consuma prontamente: a rolha estará defeituosa. Ou o gargalo. Certa feita, um amigo tinha na adega umas garrafas de um dos vinhos mais caros e suntuosos do mundo, o La Tache da Domaine de la Romanée-Conti, da gloriosa safra de 1989. Uma das garrafas gotejava. Abrimos. O vinho ainda estava divino, a rolha era perfeitíssima. Mas o gargalo era defeituoso, tinha um grade abaulado para dentro, uma mossa tão acentuada que nem a impecável rolha conseguia vedar completamente. Por ali passava o vinho.

Vinho gosta de frio?

Gosta, mas não demais. A temperatura ideal para conservar vinhos por longas décadas é de aproximadamente 14ºC. Há quem diga menos, outros um pouco mais. Não vejo muita diferença até 16ºC ou 12ºC. Mais frio, o processo de evolução é mais lento; menos frio, mais rápido. Mas tenha em mente que muito poucos vinhos, talvez não mais do que 5% da produção mundial, são destinados à longa guarda. Os demais, quase todos, devem ser consumidos até 5 anos de idade, pouco mais ou menos. Nesses casos basta uma adega fresca, escura, isenta de vibrações, e que não esteja sujeita a oscilações bruscas de temperatura. Tão ou mais importante do que o valor da temperatura é sua constância. Vinho, qualquer vinho, passa mal com oscilações bruscas de temperatura.

Luz solar deve ser evitada?

Absolutamente. Vinho exposto diretamente ao sol acaba-se rapidamente. Exposto á luz indireta, também se deteriora. É evidente que a exposição à luz indireta demora muito para prejudicar o vinho, mas é um fator a se evitado. Guarde seus vinhos em um lugar escuro.

Trepidações fazem bem ao vinho?

De jeito nenhum. Vinho gosta de repousar tranqüilamente. E sair do repouso para o decanter ou o copo dos convivas também tranqüilamente. Nada de vibrações, chacoalhadas, trepidações. Por isso que convém, após adquirirmos um vinho, deixá-lo em repouso uns 15 dias antes de beber. Para armazenar prolongadamente, então nem se fala.

Os sedimentos (borra) devem ser separados do vinho?

Sem dúvida alguma. Na hora de servir, o vinho deve ir para o decantador ou para os copos absolutamente límpidos. Não é só o efeito visual da turbidez que prejudica o vinho. Ao se misturar no líquido, a borra abafa fortemente os aromas e a complexidade dos vinhos. Vinho e consommé, quanto mais limpo e brilhante, melhor.

As rolhas têm vida útil?

Sim, aproximadamente 25 anos é o que se diz. Daí em diante sua elasticidade fica muito prejudicada. Mas tenho provado vinhos com mais de 25 anos, com a rolha original, e sem problemas. O ideal é quase impossível: levar a garrafa ao produtor, para que ele retire a rolha velha, complete o volume com o mesmo vinho e ponha uma rolha nova, a cada 25 anos. Grandes châteaux de Bordeaux costumam oferecer sessões para re-arrolhar os grandes vinhos velhos, onde esse procedimento é meticulosamente seguido, e o preço equivalente cobrado. Há um risco sério, da garrafa se partir na operação. Com a idade, os problemas aumentam, não tem jeito.

As rolhas podem estragar o vinho?

Podem, sim. Algumas poucas vezes podem estar contaminadas com uma susbtância que passa um gosto desagradável ao vinho. É quase impossível eliminar esse risco. É o gosto "a rolha". Bouchonée, em francês; corked, em inglês. Se estiver no restaurante e perceber esse aroma desagradável, tem direito a trocar a garrafa; o restaurante leva o prejuízo. Mas se estiver em casa, o prejuízo é seu. Acontece até nas melhores famílias, de vinhos que custam alguns milhares de dólares cada garrafa. Trata-se de um aroma que remonta a bolor, ranço e traços químicos simultaneamente. Abafa e apaga os aromas, o frescor e a graça do vinho. Pode aparecer com mais ou menos intensidade. O arejamento do vinho não o corrige, só piora. Enófilo muito sábio e experiente disse-me para tentar por papel filme no vinho, e depois tirar, que limpava o sabor a rolha. Por acaso nesse dia apareceu uma garrafa com problema de rolha e o anfitrião demonstrou a técnica: não vi diferença. É uma desgraça. Para sorte do consumidor, ocorre pouquíssimas vezes.

E as "rolhas" de borracha?

São uma novidade. Para vinhos destinados a serem consumidos num prazo de 3 anos, mais ou menos, prestam o devido serviço. A longo prazo, a teoria é uma, mas qual será a prática? Para tanto seria necessário arrolhar com borracha grandes vinhos e esperar 10, 15, 20 anos para ver. Que eu saiba, ninguém está pondo borracha em grandes vinhos ainda. Sem contar o charme de abrir uma rolha de verdade e a situação oposta, de puxar uma bucha de plástico pelo gargalo. Dado o custo alto da cortiça, as rolhas de borracha estão sendo aplicadas mais e mais, especialmente em vinhos comerciais.

Texto de Guilherme Rodriguez publicado no site Winexperts



 

Vinho e saúde



Embora só tenham sido confirmadas cientificamente no século vinte, as ações benéficas do vinho à saúde remontam a alguns milênios. Registros históricos confirmam que egípcios e gregos preconizavam o uso medicinal do vinho e no Talmud, escrito há 2.500 anos, consta a frase antológica: O vinho é o mais notável de todos os remédios; onde falta o vinho, os remédios se fazem necessários.

Sabe-se hoje que, realmente, algumas das muitas substâncias que compõem o vinho, possuem comprovados efeitos benéficos ao organismo. Vejamos quais são elas e seus efeitos.

No século vinte, sobretudo a partir da década de 1980, as notícias sobre os efeitos benéficos do vinho à saúde tornaram-se mais freqüentes na imprensa, graças ao acúmulo de evidências científicas mais convincentes. Devido à minha formação médica, interessei-me logo pelo assunto e, após algumas consultas à literatura especializada, conclui que o tema era controverso. Aliei-me ao amigo, também médico e enófilo, Dr. Ramon Cosenza e resolvemos tirar a essa dúvida. Fizemos uma vasta revisão (de 1964 a 1994) da literatura que resultou no trabalho intitulado Efeitos do vinho no sistema cardiovascular, publicado em 1994 na Revista Médica de Minas Gerais (No. 4, pgs 27-32).

Curiosamente, em 1993 enviamos esse artigo para publicação nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, revista publicada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, mas o dito foi recusado. Na carta em que justificavam a recusa, seus editores disseram que “a revista não aceita artigos sobre temas polêmicos”. Ora, a ciência pressupõe a polêmica e só avança graças a ela e, além disso, nosso artigo era uma revisão crítica sobre mas de trezentos trabalhos, dos quais citávamos cerca de 70 publicados em revistas médicas da mais alta respeitabilidade internacional, como o Lancet, o New England Journal of Medicine, o Journal of the American Medical Association, para citar apena alguns. Mais curioso ainda foi encontrar, com razoável freqüência nos anos seguintes, membros da diretoria daquela entidade na mídia exaltando os benefícios do consumo moderado de vinho no aparelho cardiovascular! Parece que, subitamente, o assunto deixou de ser polêmico!

Voltemos ao nosso artigo! Nele são relatadas as evidências científicas, ocorridas num período de trinta anos, que demonstravam os efeitos benéficos do consumo moderado de vinho à saúde, sobretudo ao sistema cardiovascular.

Várias das pesquisas citadas no trabalho foram feitas mediante estudos prospectivos em muitas e diferentes populações de vários países, envolvendo centenas de milhares de pessoas, e mostraram que o consumo moderado de vinho reduz de 30 a 50% risco de doenças cardiovasculares, em especial o infarto do miocárdio e os acidentes vasculares cerebrais (como a isquemia e o derrame cerebral). Isso explica porque em países onde há tradição do consumo constante e moderado de vinho o índice de mortalidade por essas doenças é menor. Na França, esse fenômeno foi chamado paradoxo francês, porque lá são maiores os fatores de risco: consumo de gorduras saturadas, tabagismo e sedentarismo. Curiosamente, as pesquisas mostram que o abstêmio primário (pessoa que nunca bebeu) também tem maior risco de doenças cardiovasculares do que o consumidor moderado de vinho.

Muitos desses efeitos se devem à ação do álcool e, portanto, não são exclusivos do vinho. O álcool consumido moderadamente eleva o bom colesterol (chamado HDL, de High Density Lipoproteins), reduz o mau colesterol (dito LDL, de Low Density Lipoproteins), diminui o risco formação de coágulos, resultando na redução da incidência de doenças cardiovasculares. Além disso, o vinho é rico em oligoelementos (existentes em quantidades muito pequenas no corpo), entre os quais destacam-se os íons cromo e o silício que possuem ação protetora contra aterosclerose.

Outros efeitos benéficos se devem, no entanto, a algumas substâncias “exclusivas” do vinho (não encontradas em outras bebidas alcoólicas) que são o resveratrol e os compostos fenólicos. Estes últimos englobam os ácidos fenólicos (ex: ácido gálico), os polifenóis (ex: taninos) e os flavonóides que incluem a catequina, os flavonóis (ex: quercetina e rutina) e as antocianinas (ex:cianidinol). Os compostos fenólicos e o resveratrol estão presentes principalmente nas cascas das uvas, sobretudo das uvas tintas, e possuem potente ação antioxidante (inibem reações de oxidação nocivas aos tecidos corporais), diminuindo a incidência da aterosclerose e da trombose.

É importante lembrar que o consumo moderado de álcool é definido como a ingestão diária máxima de 50 ml de álcool, o que equivale a aproximadamente 385 ml de um vinho com 13% de álcool por dia ou cerca de 1/2 garrafa de vinho ou três taças de 130 ml (ou 8 doses de um dosador de bebidas de 50 ml). Para a cerveja (± 5% de álcool), equivale a 1 litro (1 ½ garrafa ou 3 latas) por dia e para os destilados (± 50% de álcool), como o conhaque, uísque e vodca,. corresponde a duas doses diárias de 50 ml. Acima desses limites, deixam de existir os benefícios, e passam a acontecer os efeitos nocivos graves do álcool sobre o organismo, especialmente no fígado, o cérebro, o coração e intestinos.Não bastando todas essas informações auspiciosas, no final de 1996 foi publicado nos E.U.A. um interessante livro intitulado The Save Your Heart Wine Guide (de Frank Jones, editora Martin’s Press) que relata novas pesquisas que confirmam os efeitos já mencionados e relata a descoberta de outros efeitos do vinho, tais como: redução da velocidade do processo de envelhecimento, melhoria da atenção e a agilidade mental, redução da incidência de osteoporose e proteção contra certos tipos de câncer, como o de mama e de próstata. Em 1997 foi descoberto que o consumo moderado de vinho também pode prevenir a doença de Alzheimer (perda progressiva da memória até a demência total).

Recentemente, surgiram mais duas boas novas, uma delas, publicada na revista científica Alcholism: Clinical & Experimental Research, sobre um estudo realizado na Itália com 16.000 mil idosos, acima de 65 anos, que revelou que os consumidores regulares de vinho (até uma garrafa por dia para os homens, e a metade disso para as mulheres) têm menor incidência de demência do que os abstêmios e dos que bebem acima dos limites mencionados. Os resultados dessa pesquisa reforçam estudos anteriores que já haviam mostrado o efeito preventivo do vinho contra a demência senil e a pré-senil ou doença de Alzheimer.

A outra boa nova foi publicada na conceituada revista científica Nature, em seu número de dezembro de 2001. Trata-se de pesquisa realizada no Instituto William Harvey da Escola de Medicina da Universidade Queen Mary, em Londres, coordenada pelo Dr. Roger Corder. Esse estudo revelou mais um efeito do vinho na prevenção de doenças cardiovasculares isquêmicas, especialmente o infarto do miocárdio. A equipe do Dr. Corder verificou que o vinho tinto reduz o teor de endotelina-1, um peptídeo (substância formada por aminoácidos) produzido nas células das artérias que tem potente ação vaso-constritora (faz a artéria contrair) levando à oclusão das artérias portadoras de aterosclerose (placas de gorduras) e causando o infarto.

A benéfica diminuição dos níveis de endotelina-1 é provocada pelos polifenóis do vinho, substâncias provenientes das cascas das uvas e, portanto, existem em grande quantidade apenas nos vinhos tintos, pois só neles as cascas são utilizadas integralmente. A pesquisa foi realizada em células de boi e testou o efeito de 28 vinhos diferentes (23 tintos, quatro brancos e um rosé) e um suco de uva tinta. Os vinhos brancos e o rosé (que contêm pouco ou nenhum polifenol) não tiveram efeito sobre os níveis de endotelina-1 das células. Os vinhos tintos, ricos em polifenóis, provocaram a maior redução no nível de endotelina-1. O suco de uva tinta, apesar de também ser rico em polifenóis, reduziu o teor de endotelina-1 menos do que os vinhos tintos, sugerindo que o processo de vinificação pode modificar alguma propriedade dos polifenóis das uvas, tornando-os mais ativos. O tipo de uva utilizada no vinho também parece ser importante: quatro dos seis vinhos mais efetivos eram feitos de uva Cabernet Sauvignon.

O estudo sugere novo mecanismo para o efeito preventivo do vinho contra as doenças vasculares isquêmicas. Outras pesquisas atribuíam-na às ações do álcool, dos compostos fenólicos, do resveratrol e dos íons cromo e silício presentes no vinho. É provável, portanto, que os benefícios do vinho se devam à combinação de diferentes mecanismos, alguns ainda desconhecidos.

Mais recentemente vários trabalhos científicos relataram outras propriedades benéficas do vinho, a saber:

•Proteção contra a hipertensão arterial e sua redução quando já instalada.

•Proteção contra diabete do tipo adulto.

•Proteção contra úlcera péptica.

•Proteção contra degeneração macular da retina.

•Melhoria da atenção e a agilidade mental.

Sem dúvida, essas notícias constituem um motivo para se beber vinho, mas mesmo sem elas, já teríamos motivos de sobra para continuar a fazê-lo!!!



Texto de Dr. Júlio Anselmo de Sousa Neto (Médico, professor de Neuroanatomia da UFMG)










Bordeaux revela a excelência de seus vinhos

A França é o segundo maior país vinícola do mundo e seus vinhos servem de referência para todo o universo vitivinícola. Neste contexto, a região de Bordeaux destaca-se, seja pela tradição e o charme de seus Chateaux, seja pela qualidade e rigidez da produção de seus vinhos. Com aproximadamente 113 mil hectares de vinhedo, situa-se na região sudoeste, na costa Atlântica da Franca, junto à foz do Rio Gironde e se estende em torno da cidade de Bordeaux, que lhe empresta o nome. Os vinhedos distribuem-se em torno de um "y", formado pelo Rio Gironde e seus afluentes, o Rio Dordogne e o Garonne, e talvez este seja um dos muitos segredos do "imbatible vino" francês.

Em Bordeaux, os vinhos caracterizam-se por serem cortados (com duas ou mais variedades de uva), podendo o corte das variedades ser feito antes ou depois do envelhecimento do vinho em barris de carvalho. O uso dos barris bordalês para o envelhecimento do vinho por 10 a 24 meses também é uma "marca registrada" da região.

Denominação de Origem
Na França, as Appellations d' Origine Controlée (AOC) cobrem regiões de vinhedos que devem estar em conformidade com os critérios locais. Os viniticultores devem seguir regras como as variedades que podem ser produzidas na região, a produção máxima, expresso em hectolitros de vinhos por hectares de vinhedo (hl/ha), bem como o grau mínimo de álcool que o vinho deve ter. As variedades são aquelas que existiam na região no momento em que a denominação foi definida.

Chateau - um conceito puramente bordalês
Os Chateaux nada mais são do que castelos ou residências imponentes localizadas na sede das propriedades vitivinícolas. Geralmente eles são carregados de história sobre a sucessão das famílias a que pertenceram e todas as tradições que decorrem das mesmas. Então, na verdade o nome Chateau engloba toda a propriedade vinícola, composta pelos vinhedos e a vinícola propriamente dita, sendo que geralmente estas fazendas apresentam uma área total de 20 a 150 ha. O vinho bordalês geralmente leva o nome do seu Chateau, sendo obrigatoriamente engarrafado na propriedade. Outro conceito francês muito famoso é o terroir, palavra que engloba os fatores climáticos e do solo de uma região para caracterizar o local onde as vinhas sao produzidas.

Em Bordeaux, existem quatro regiões vinícolas que se destacam e se distinguem pelo tamanho de sua área e pelas suas peculiaridades. A Região de Medoc, localizada na margem oeste do Rio Gironde, produz o vinho tinto com a variedade Cabernet Sauvignon, predominante, cortada em proporções variadas de Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot. Em 1855, foi feita a primeira classificação oficial dos Chateaux Bordales, a qual somente incluiu as propriedades de Medoc, sendo que essa hierarquia permanece até os dias de hoje. Existem então, os Premiers crus, Segundos crus, Terceiros crus, Quartos crus e Quinto crus. Os Premier crus de Medoc são os seguintes: Chateau Lafite-Rothschild, Chateau Latour, Chateau Margaux, Chateau Haut-Brion e Chateau Mouton-Rothschild.

Outra região de produção de vinho tinto é a Saint-Émillion, localizada na margem direita do Rio Dordogne, um afluente a direita do Rio Gironde. Ao contrário de Medoc, a variedade predominante nesta é a Merlot, seguida de Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon. Nesta região, existe uma classificação que é atualizada a cada dez anos, ao contrário da de Medoc, que parece ser eterna. Ao lado de Saint-Émillion, do outra lado da estrada, se localiza a região denominada Pomeral, que essencialmente utiliza para a produção de vinhas as mesmas variedades de sua vizinha.
Por último, situada à margem esquerda do Rio Garonne, se encontra Graves, a regiao mais antiga de Bordeaux, com propriedades com mais de 700 anos de produção. Graves significa cascalho em francês, e portanto seu solo é constituído por uma série de afloramentos de depósitos sedimentares com pedras misturadas com areia, que garantem uma ótima permeabilidade. Esta região produz sobretudo vinhos brancos bastantes variados, com as variedades Sauvignon Blanc, Sémillon e Muscadelle. Dentro desta região se encontram as denominações Barsac e Sauternes. Esta última é muito conhecida pelos seus vinhos brancos licorosos. É nesta região que a uva é colhida com o fungo Botrytis cinerea (Podridao nobre), pois assim se obtém bagas com acúcar e acidez mais concentrados, necessários para a produção desse clássico vinho de sobremesa.

O desenvolvimento desse fungo é garantido com as condições climáticas que ocorrem na região: o encontro do Rio Ciron, com suas águas frias, com o Rio Garonne, com suas águas mais quentes, resulta em uma névoa outonal que deixa o ar acima das vinhas bastante úmido, propício para o Botrytis. A colheita é feita à medida que os cachos começaam a secar com o mofo, e por isso o vinhedo é repassado três vezes, pois somente se colhe as bagas botritizadas. As variedades utilizadas para fazer este curioso vinho são Sauvignon Blanc, Sémillon e Muscadelle. A grande estrela de Sauternes é o Château d`Yquem, considerado o melhor vinho branco do mundo.

Os vinhedos de Bordeaux apresentam uma idade média entre 25 a 50 anos, são dispostos em espaçamentos variados, de 1,5 x 1 m, 2 x 1 m, com densidade de 5.000 a 7.000 plantas/ha, todos em espaldeiras, com o primeiro fio de arame a aproximadamente 50cm do solo. Os técnicos dos parreirais garantem que usam somente adubo orgânico. Nas entrelinhas o solo é revolvido todos os anos, e as plantas daninhas, em alguns Chateaux, são controladas com herbicida na linha. O manejo com os vinhedos é bastante mecanizado, desde a irrigação das plantas jovens, controle das plantas daninhas até inclusive o plantio de novos vinhedos é feito com tratores em algumas propriedades.

Em geral nas cabeceiras dos vinhedos são cultivadas roseiras, que tem a função de alertar quando há condições propícias para o desenvolvimento de doencas fúngicas, uma vez que esta planta é bastante sensível à elas, mostrando seus sintomas rapidamente. E, claro, as rosas dão um toque final ao charme dos Chateaux.

Mas nem tudo são rosas em Bordeaux. Os vinhos mais comuns da região estão sofrendo uma forte concorrência dos vinhos do novo mundo, como dos Estados Unidos e Nova Zelândia, que aumentaram sua produção nos últimos anos e estão utilizando técnicas bastante avancadas para produzir. Além do que o consumo de vinho na Franca diminuiu significamente nos últimos anos. Por isso, o governo francês está incentivando as propriedades a diminuirem seus parreirais, e dispõe de recursos financeiros para isto.

A vinificação em geral é feita em adegas com tanques da aco inoxidável, sendo as condições dos tanques controladas por painéis eletrônicos. Após a fermentação alcóolica, a fermentação malolática para os vinhos tintos é feita ainda nos tanques de aco inoxidável ou nos barris de carvalho, dependendo do Chateau.

O envelhecimento do vinho em barris de carvalho ocorre geralmente em salas subterrâneas, com temperaturas controladas. Os barris bordaleses sao renovados geralmente todo o ano, sendo que os Chateaux que renovam 100% anualmente garantem que este é um dos segredos do bom vinho. Enfim, o vitivinicultura francesa segue investindo em qualidade e sendo bastante valorizada por isto, apreciada pelos amantes do vinho a admirada pela sua longa e rica história de vitórias que transcendem gerações.

Texto de Gabriela Hermann Pötter, Engenheira agrônoma
Fonte: Página Rural














Produção e comercialização de uvas e vinhos em 2005 (ver gráficos)

A vitivinicultura brasileira, embora recente, tem avançado tanto nos produtos elaborados como na produção de uvas para consumo in natura. Em 2004 foram produzidas 1.283.203 t de uvas, segundo o IBGE. Em 2005 a produção de uvas foi 2,89% inferior ao ano anterior, sendo produzidas 1.246.071 t.

Considerando que a uva para processamento apresenta algumas particularidades, a redução da quantidade produzida em 2005 não representa redução do agronegócio pois a qualidade da safra gaúcha foi excepcional, resultando na produção de vinhos de alta qualidade. Houve redução na produção de uvas no estado do Rio Grande do Sul, em 12,15%, embora tenha ocorrido incremento na área plantada tanto na região tradicional como em novos pólos produtores. Nos demais estados houve incremento na produção, com incremento significativo no estado de São Paulo, 19,86%.

Em 2004, 48,72% da uva produzida no Brasil foi destinada à elaboração de vinhos, sucos, destilados e outros derivados Em 2005, face a redução da quantidade de uvas produzidas no Rio Grande do Sul, este percentual foi reduzido para 44,19%.

A área de uvas no Brasil em 2004, segundo IBGE, foi de 71.100 hectares passando para 73.877 ha em 2005, ou seja um incremento de 3,91%. Embora não apareça nas estatísticas do IBGE, a viticultura está sendo implementada em vários estados como Mato Grosso do Sul, Goiás, Espírito Santo e Ceará.

O Rio Grande do Sul, principal produtor, possui área de 42.449 hectares, o que representa 57,46% da área total do país. Em 2005 houve aumento de 5,20% na área cultivada com videiras. Nesse estado mais de 90% da produção destina-se a agroindústria para produção de vinhos, suco e outros derivados. Os últimos anos caracterizam-se por grandes investimentos na viticultura, notadamente em regiões não tradicionais do país, dada a característica da cultura, geradora de empregos e renda, especialmente para a pequena propriedade.

Em São Paulo, a expressiva produção de uvas existente destina-se basicamente ao consumo in natura. Em 2005 houve aumento de 2,64% na área com videiras.

No vale do São Francisco, Pernambuco e Bahia, houve aumento na área plantada de 1,07% e 0,44%, respectivamente. Embora predomine o cultivo de uvas de mesa, o mercado de uvas para vinhos está em plena expansão. Em Santa Catarina, a maior parte da produção destina-se a elaboração de vinhos de mesa. Não se dispõe de estatísticas sobre a produção e comercialização nacional de vinhos e suco de uvas, no entanto pode-se utilizar dados referentes ao Rio Grande do Sul para representar o Vinho Nacional, uma vez que é responsável por mais de 90% da produção nacional.

Considerando-se o total produzido com a conversão de suco concentrado para suco simples, verifica-se, em 2005, que houve um decréscimo de 14,90% na produção total em relação ao ano anterior. Os vinhos, nesse ano, apresentaram decréscimo 23,65% enquanto os sucos de uva aumentaram 12,32%. Os demais derivados cresceram 8,32%, em relação ao ano de 2004.

Em termos de mercado, os vinhos, sucos e derivados elaborados no Rio Grande do Sul, tiveram acréscimo de 19,03%. Os vinhos de mesa que vem apresentando tendência crescente nos últimos anos, em 2005, apresentaram aumento de 20,36% em relação ao ano 2004 .

Neste mesmo ano houve aumento de 12,29% na quantidade comercializada de vinhos finos do Rio Grande do Sul em relação ao anterior, indicando recuperação de parcela das perdas de mercado verificadas em 2004.

Quanto ao consumo per capita, a tabela acima apresenta uma síntese do mercado brasileiro. O consumo per capita/ano de vinhos no país situou-se em 2,01 litros, em 2005. O consumo de suco de uva aumentou significativamente nos últimos anos, passando de 0,15 L até 1995 para 0,48 L em 1998, situando-se em 0,54 L per capita, em 2005 no Brasil. Também houve acréscimo, embora pequeno, no consumo de uvas in natura, situando-se em 3,54 quilos per capita.

Texto de Loiva Maria Ribeiro de Mello, pesquisadora da Embrapa Uva e Vinho
Fonte: Embrapa Uva e Vinho







A conservação do vinho



Para podermos aproveitar ao máximo o nosso prazer ao degustar vinhos devemos levar em conta alguns fatores fundamentais na conservação dos vinhos que adquirimos e os colocar em prática tendo em vista um melhor aproveitamento do produto que iremos degustar.
Por isso, seguem abaixo algumas dicas importantes para conservação de vinhos:
Em casa e quando não tiveres adega climatizada, poderão ser adotadas as seguintes medidas:
- Localização da adega: de preferência a locais com temperatura favorável, isto é, que não oscile entre o dia e a noite, que não apanhe sol, que a umidade seja próxima à recomendada e que os vinhos possam ficar na posição horizontal possibilitando assim que a rolha fique em contato com o vinho. Outro fator importante é a circulação de ar, que deve existir porem não em excesso.
- Temperatura média para o local: 13 a 18o C
- Umidade ideal: entre 50 e 70%
- Também é importante a identificação das garrafas com nome, origem, safra, características (visuais, olfativas e gustativas), data, local de compra e preço, local de degustação e pratos que foram harmonizados.

Adegas Climatizadas
Para a correta conservação do ambiente propício à guarda de vinhos, existem à venda armários especiais, sob forma de móveis para a decoração ou para embutir em vãos de casas ou apartamentos. Estas adegas são climatizadas e especialmente desenhadas para esta finalidade, permitindo a conservação correta de um grande número de garrafas em pequenos espaços, distribuídas em gavetas ou prateleiras de fácil manuseio.

A hora certa de consumir seus vinhos

O tempo máximo de guarda de um vinho não deve ser o tempo máximo que ele suporta antes de se deteriorar (tempo de vida), mas sim o tempo em que ele ainda está na plenitude de suas características. O ideal é consumi-lo no auge de sua forma, sempre respeitando as suas características.

Texto de Diego Dequigiovanni, enólogo, de 04 de novembro 2005








Champagne, o vinho mais celebrado do mundo

O Champagne é um vinho mágico. Tem a capacidade de transformar um momento de grande alegria num outro ainda melhor. É o ponto alto de uma celebração. A decisão de abrir uma garrafa é instintiva, ela ocorre naturalmente ao se receber uma sonhada notícia, ter sucesso em conquistas amorosas, financeiras ou pela realização de uma grande façanha, esportiva ou profissional. O consumo do Champagne invariavelmente evoca fatos marcantes e sinaliza que algo muito bom aconteceu. Qual a razão para escolhê-lo em noivados, casamentos, aniversários e até em lançamento de navios? Porque são momentos românticos, festivos e de comemoração. Ele está presente em todas ocasiões, seja na política, no esporte, nos negócios e nas artes. Ele é sempre bem-vindo e nunca recusado.

A simples visão da espuma na superfície do vinho, com as milhares de pequenas borbulhas subindo lentamente na estreita taça, se harmoniza com ocasiões de grande júbilo. A sensação revigorante do gás faz bem a quem o toma e ainda cria um espírito de genuína camaradagem e alegria entre os presentes. O Champagne, como todo o vinho, é uma bebida para ser tomada na companhia de quem se gosta, porém somente ele tem a habilidade de criar uma atmosfera de festividade e celebração como nenhum outro. É uma pena que muitas pessoas ainda associem o início de uma comemoração com o ruído da rolha saindo violentamente da garrafa. Se a garrafa tiver sido devidamente gelada e manuseada com cuidado, a rolha deve sair graciosamente com um leve sussurro do gás e não violenta e ruidosamente, ocasionando a perda de uma boa parte dessas preciosas borbulhas que são o verdadeiro charme do Champagne.

Embora quase todos generalizem, chamando qualquer vinho espumante de champagne, somente o original, produzido na região francesa que lhe dá o nome é o verdadeiro. É como Whisky, Porto, Jerez, Cognac, Armagnac, todos nomes próprios de produtos consagrados por suas respectivas origens. Exceto pelo nome, o cava espanhol, o espumante italiano, o sekt alemão, o sparkling americano, o champanha brasileiro, os vins mousseux de outras regiões da França e demais espumantes mundiais podem ter o mesmo método de vinificação do Champagne (a segunda fermentação feita na própria garrafa) ou métodos alternativos que produzem resultado semelhante. Deve-se reconhecer, porém, que os Champagnes safrados ou as chamadas prestige cuvées das principais casas produtoras, com sua elegância, riqueza aromática, cremosidade e sensação gustativa complexa e prolongada, superam em prazer qualquer outro vinho espumante conhecido.

Por mais de três séculos, as uvas Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier amadurecem com dificuldade nessa região fria e mais setentrional da França, e se transformam anualmente num dos vinhos mais fantásticos do mundo. Esse terroir, uma mistura de clima, solo e topografia, é o ingrediente vital para dar ao Champagne sua acidez e equilíbrio ideais. Outro fato que o diferencia da maioria dos espumantes é a arte da mistura, o assemblage. A combinação perfeita de vários crus e das varias uvas distingue um grande Champagne e lha dá complexidade. Para atingir essa perfeição, é preciso acompanhar todos os detalhes desde a plantação, passando pela colheita, prensagem e a primeira fermentação. Para isso, somente profissionais experimentados se encarregam de todos esses passos, na maioria das vezes com talento inato para realizar esse admirável trabalho.

Agora, para sentir melhor toda a magia dessa inigualável bebida e desfrutar dos prazeres que cada um dos seus vários estilos oferece, é preciso saber diferencia-los em companhia de suas afinidades gastronômicas. Para isso, nada mais didático que uma degustação seqüencial que revele aromas e sabores característicos em cada taça em perfeita harmonia com seus pares. Uma sucessão natural é iniciar pelo brut sem safra para servir de aperitivo ou acompanhar delicados hors d'oeuvres e depois um brut safrado, corretíssimo com frutos do mar. De paladar mais forte, um prestige cuvée é ideal para ser servido com aves e alguns tipos de queijo, e, para encerrar, o demi-sec, mais doce, para as sobremesas. Servidos em taças flûte ou tulipa, na temperatura correta entre 6 e 8 graus, todos os estilos transmitirão aos presentes sensações de grande prazer.


Processo de elaboração

Ao ser fermentado, o açúcar é convertido em álcool e gás carbônico. Enquanto que nos vinhos normais o gás é liberado, nos espumantes ele fica retido na garrafa, dissolvido no vinho. Embora existam diversos processos para se obter esse efeito, os mais comuns são o charmat e o méthode champenoise. Em ambos, a primeira etapa consiste em elaborar o vinho base, a partir de uvas apropriadas. Na etapa seguinte processa-se uma segunda fermentação para a formação e o aprisionamento do gás, através do método adotado pelo produtor. A fermentação adicional é provocada pela adição de açúcar e de leveduras no vinho base já elaborado. No processo charmat, a segunda fermentação é feita em tanques pressurizados, enquanto que no champenoise, também chamado de método clássico ou tradicional, isto ocorre na própria garrafa. Antes do fechamento definitivo, o espumante recebe o "licor de expedição", uma mistura de vinho e quantidades variáveis de açúcar, para a classificação final do produto em brut, demi-sec ou doux.


Abrindo o Champagne

Se o vinho espumante tiver sido devidamente gelado e manuseado com cuidado, a rolha deve sair graciosamente com um leve sussurro do gás e não violenta e ruidosamente, derramando vinho para todos os lados. Em primeiro lugar deve-se colocar uma taça próxima, para receber qualquer porção que eventualmente transborde. A garrafa deve se mantida num ângulo de 45º, não apontada para ninguém nem para objetos quebráveis. A capsula metálica deve ser removida até o nível que exponha o anel que trava a armação de arame. Ao ser desenrolado, a armação afrouxa o suficiente para ser retirada. Enquanto isso, o polegar da mão esquerda (para destros) deve ser mantido sobre o topo da rolha, a fim de evitar uma abertura prematura e também sentir o instante em que a rolha começa a ceder. A mão direita deve girar a garrafa lentamente (girando a garrafa e não a rolha faz diminuir o risco do cogumelo se partir). A medida em que a garrafa gira, sente-se que a rolha começa gradualmente a se elevar até soltar, sempre mantida pelo polegar. Se eventualmente o cogumelo se partir, a rolha restante deve ser cuidadosamente perfurada para aliviar a pressão e removida depois com um saca-rolhas.

Texto de Ennio Federico publicado no site Terra em julho de 2005


Saber degustar (Muscadet) (texto em francês)

La Vue

Parce qu'elle est la représentation directe de la concentration du grain de raisin et du potentiel du millésime, l'intensité de la couleur permet de déceler la concentration gustative du vin. Une robe tendant vers l'incolore signale, par exemple, que le vin est léger et jeune. Une intensité soutenue confirme une complète maturité, un vin disposé à bonifier avec le temps.
Les vins du vignoble nantais présentent des robes à reflets verts, évoluant avec les années et indiquant la méthode de vinification. Le Muscadet et le Gros Plant se caractérisent par une robe " or pâle à reflet vert ", les Muscadet millésimés vieillissant en bouteille par une magnifique robe " or pâle ".
Les vins blancs des Coteaux d'Ancenis présentent des caractéristiques dorées tandis que les rouges restent clairs.
Les vins des Fiefs Vendéens ont des robes claires, tant pour les blancs que pour les rouges.
A l'oeil, le Muscadet et le Gros Plant doivent être très limpides et fluides dans le verre. Ceux mis en bouteille sur lie dégagent parfois sur les parois un léger perlant issu du gaz carbonique.



Le Nez

Le nez d'un vin exprime la finesse, l'harmonie, et la complexité des arômes et odeurs d'un produit. Le potentiel aromatique s'estime sans agiter le verre, l'intensité aromatique en l'agitant progressivement par un mouvement de rotation. Ces agitations progressives amènent le dégustateur à définir le bouquet du vin, à lui attribuer une expression fruitée, végétale, florale ou minérale.
Par la diversité de leurs terroirs (climat et géologie), les vins de Nantes connaissent une palette aromatique particulièrement riche.
Les arômes rencontrés dans un verre de Muscadet font penser aux fleurs blanches, aux agrumes et aux fruits acidulés : citron, pamplemousse, pomme verte, ainsi qu'aux fruits sucrés et exotiques comme la pêche mûre, l'abricot, l'ananas, la mangue ou le litchi. Parfois des arômes de caramel et de vanille et raisin sec pour les Muscadet les plus anciens. Certains Muscadet marqués par leur terroir offrent des odeurs minérales (pierre éclatée, silex frotté, etc.).
Les arômes du Gros Plant sont à dominance végétale, florale (fleurs blanches), avec parfois des notes minérales et des touches d'agrumes (pamplemousse, citron).
Rouges ou rosés, les vins des Coteaux d'Ancenis ont des arômes discrets fruités. Les vins blancs également. Les vins des Fiefs Vendéens sont caractérisés par des arômes fruités et discrets.

La Bouche

Les papilles de la langue organisent les sensations gustatives. A partir de l'extrémité de cet organe, elles perçoivent successivement les quatre saveurs fondamentales : le sucré, l'acide, le salé, l'amer. A celles-ci s'ajoutent les sensations tactiles (le velouté, l'onctuosité, l'épaisseur), thermiques (la température, impression de chaleur), chimiques (goût du métal, le perlant du gaz carbonique).
En bouche, le Muscadet est frais et perlant.
C'est sans doute la proximité de ses vignes avec l'océan qui lui confère son côté acidulé avec une petite note citronnée et iodée. Son élevage sur Lie confère au Gros Plant sa fraîcheur, sa légèreté et son perlant.
Les vins des Coteaux d'Ancenis sont légers et fruités en bouche, et les vins blancs ont une note un peu plus sucrée.
Les vins blancs des Fiefs Vendéens sont frais et légers, les rosés très typés et les vins rouges structurés et gouleyants, le tout selon les cépages utilisés.
Le Service
La température moyenne pour servir un vin blanc, ainsi qu'un rosé, est d'environ 9 ou 10°C pour les vins les plus jeunes: le nez n'est pas restreint et les arômes ne sont pas étouffés. Les plus âgés, qui seront donc plus amples et plus boisés, doivent être servis à 10/12°C.
En ce qui concerne les vins rouges, conservés à température ambiante de 10/12°c, ils sont servis en l'état.

Fonte : www.muscadet.org


Vinho também é cultura: Viaje na História e enriqueça seu conhecimento


Você sabia que Napoleão Bonaparte degolava as garrafas de champagne com um único golpe de seu sabre?

A rolha e garrafa

Até o início do século XVIII, os bebedores de vinho não dispunham do conforto de tê-lo acondicionado, porque nessa época não se conhecia nem a rolha, nem a garrafa. Ele era retirado dos tonéis logo após a fermentação e colocado em odres, ou ânforas, as quais eram vedadas precariamente com tampões de linho, ou estopas, embebidos em linhaça, e ali permanecia o menor tempo possível, isso é, até ser colocado em pequenas jarras pelos serviçais e transportado enfim para a taça dos convidados - que o bebiam, portanto, ainda jovem. A descoberta da rolha de cortiça e da garrafa foram, por conseguinte, as maiores conquistas enológicas de todos os tempos.
A rolha é retirada da casca do sobreiro, árvore encontrada basicamente em Portugal, na Espanha e na Grécia, e só a partir de 1700 passou a ser amarrada por barbantes às garrafas, pois foi nesse período que o monge beneditino Dom Pérignon (o mesmo que "inventou" o champagne) constatou que para conservar o vinho era preciso utilizar um material inerte, inodoro e resistente.
Já a garrafa de 750 ml, que por coincidência passou a ser comercializada um pouco depois, (a primeira exportação dessa novidade saiu do Porto do Havre para a Inglaterra e a para a Índia em 1755) mantém até hoje a medida padrão, para respeitar a legislação daquela época. Ou seja: como elas eram sopradas uma a uma, a lei italiana estabeleceu, e todos a seguiram, que essa era a capacidade máxima de sopro a que poderia chegar um bom artesão, sem danificar o pulmão.

A harmonização com queijos

O vinho é eminentemente uma bebida solidária. Digamos que ele foi feito para ser bebido, no mínimo, a dois, e para fazer companhia ao alimento. Por isso, o queijo é uma razão a mais para se prolongar o vinho - e o vinho uma razão a mais para se renovar o queijo. Um e outro formam o par mais feliz da história da gastronomia. Mas, à primeira vista, parece um casamento entre ímpares. Porque, enquanto o vinho é bonito, seja dentro da garrafa, seja já na taça, o queijo em geral é feíssimo. Um plateau de fromages parece uma paisagem lunar - com buracos, protuberâncias, planícies e pedras soltas. Juntos, no entanto, produzem um casal tipo Fred Astaire dançando com a Cid Charise.
A sintonia desse "dois em um" estabelece um ritmo que deve ser observado. Por exemplo:
a) quanto mais forte o queijo, mais tânico deverá ser o vinho;
b) vinhos e queijos da mesma região namoram melhor;
c) os queijos frescos, com o nosso minas, a mozzarella ou os cream cheese vão bem com um bom rosé, um verde português ou o adolescente Beaujolais;
d) o Gouda (holandês), o Gruyère (suíço), o Manchego (espanhol) ou parmesão (italiano) pedem um Shiraz ou um Cabernet-Sauvignon;
e) os populares Brie e Camembert (cujo "perfume" o Brillat-Savarin comparava ao pé do bom Deus!) vão lindamente com os tintos "inocentes", do jeito de um Côtes du Rhône, um Valpolicella, um Merlot sul-americano ou, hoje em dia, um alentejano leve; f) já o champagne é multiuso - abra um bom brut e acompanhe-o com um queijo cremoso passado em cima de uma torrada-hóstia, ou o lambuze um pão preto light do brasileiríssimo requeijão e depois nos conte...
Última regra: não siga nenhuma dessas acima: vá testando e estabeleça a sua. O velho Cervantes já dizia: não existe o caminho. É o caminhante que faz o caminho - ao caminhar. Bon appétit!

A degola do gargalo (sabrage)

A arma branca longa - o sabre - conquistou a Europa num tempo em que os cavaleiros ainda duelavam pela honra de sua dama. Ou pela própria. Mas, com tempo, ela sofreu diversas modificações e, hoje, só é utilizada em escala ou na esgrima moderna, que é um esporte, ou em eventos especiais, como o sabrage.
A história do sabrage remonta ao início do século XIX quando, segundo a tradição francesa e, para comemorar suas vitórias, Napoleão realizava a degola das garrafas de champagne com um único golpe de seu sabre. Nos dias atuais, para repetir a façanha que Bonaparte imortalizou, o sommelier (ou amador) não tem necessidade de se arriscar com armas brancas, porque o chamado Sabre-Para-Abrir-Champanha, disponível no mercado, não possui fio de corte e seu destino é unicamente "expulsar" a rolha e o início do gargalo de um espumante ou de um champagne. Feito artesanalmente em aço inox temperado, polido e adamascado com desenhos alusivos, o Sabre-Para-Abrir- Champanha possui a mesma qualidade das espadas das Forças Armadas e, com seu punho forte de metal polido e bronzeado, tem o poder de transformar esse ritual num espetáculo. Santé!

Texto organizado por Leila Bumachar



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