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Diversidade nas empresas: como diminuir barreiras e promover ambientes mais inclusivos

Mesmo com impacto no desempenho dos negócios, organizações ainda têm dificuldades em assegurar programas de diversidade e inclusão

Um estudo recente desenvolvido pela consultoria Mckinsey and Company aponta que empresas com grupos de profissionais formados por maior variedade de perfis são mais lucrativas. Publicada no início de 2018, a pesquisa analisou quase 1 mil empresas globais, de 12 países. Os dados mostram que as companhias com maior diversidade de gênero têm 21% mais chances de apresentar resultados acima da média do mercado na comparação com as empresas com menor diversidade entre seus colaboradores. No caso da diversidade cultural e étnica, esse número sobe para 33%. 

Apesar do consenso entre executivos e profissionais de recursos humanos sobre o impacto da diversidade no desempenho dos negócios, muitas empresas ainda têm dificuldades em assegurar programas que promovam ambientes mais diversos e inclusivos. Para debater o tema, a Câmara de Comércio França-Brasil (CCIFB-RJ) e sua Comissão de RH e Formação Profissional, em parceria com a Associação Brasileira de Recursos Humanos do Rio de Janeiro (ABRH-RJ), promoveu o ciclo de palestras “Diversidade e Recursos Humanos: uma questão estratégica”.

 “O grande desafio que tínhamos era mostrar que a diversidade traz impacto para os negócios, que não é somente uma atitude correta, mas traz resultados financeiros. Hoje, o desafio maior passou a ser o porquê a diversidade encontra barreiras para evoluir de forma mais expressiva nas empresas”, explicou Fernanda Mayol, sócia da McKinsey para área de práticas de organização. 

De acordo com a especialista, os principais desafios estão relacionados com o processo denominado viés inconsciente – conjunto de padrões criados sobre diferentes grupos de pessoas a partir de situações e experiências vivenciadas ao longo da vida. O tema foi analisado em estudos sobre economia comportamental e psicologia social da McKinsey and Co., que destacaram quatro “famílias” de vieses presentes na tomada de decisão de empresas: viés de conformação, de estabilidade, de interesses e o viés social.

“O grande tema aqui é as organizações começarem a identificar como esse processo (viés inconsciente) ocorre para poder tomar as decisões certas quanto à diversidade nas empresas”, alertou.  

Neste contexto, rever processos da organização para engajar pessoas, desenvolver recrutamentos com redes diversas, criar novas maneiras de trabalhar programas de desenvolvimento e estabelecer planos de avanços na carreira a partir de oportunidades iguais para todos são alguns dos esforços citados por Fernanda para promover ambientes mais diversos e inclusivos. “Diversidade é o que as pessoas representam. A inclusão é o que elas sentem. Para haver mudanças é preciso engajar e trabalhar os processos”. 

Um mundo corporativo em mudanças

Para destacar as mudanças em andamento com relação à gestão da diversidade nas organizações, a programação do ciclo de palestras mostrou exemplos de programas de promoção da diversidade nas empresas e o compartilhamento de vivências, com a participação da gerente de recursos humanos e diversidade da L´Óreal Brasil, Renata Sigilião; da diretora de talentos da White Martins, Cristina Fernandes, e da gerente de conhecimento e inovação da ICN – Itaguaí Construções Navais, Ticiana Leon. 

No panorama institucional, a cônsul-geral do Canadá, Evelyne Coulombe, destacou algumas das políticas do país para promoção da diversidade. “O Canadá é um país que foi construído por pessoas de várias etnias e religiões. Vemos isso como uma força; uma vantagem competitiva tanto para empresas quanto para população em geral.  A diversidade é um fato, a inclusão é uma escolha”.  

A secretária-geral da Federação Mundial de Recursos Humanos, Leyla Nascimento, ressaltou que ainda não há um cenário de diversidade ideal nas empresas, mas que mudanças estão sendo observadas no ambiente corporativo: “saímos de um mundo linear de soluções para um mundo de decisões baseado em risco, emoção e lógica”, completou.

A gestão de conflitos na diversidade

Para encerrar o encontro, o último debate focou o tema gestão de conflitos e o ambiente profissional. A diretora de recursos humanos da Safran Group, Pascaline Dalby, a cofundadora e sócia-diretora da Be Coaching Brasil, Marie Bendelac Ururahy e a diretora-executiva da Câmara de Comércio França-Brasil do Rio de Janeiro, Jaqueline Saad, formaram uma mesa-redonda para debater como a comunicação não violenta e a mediação podem agir como instrumentos para resolução de possíveis conflitos gerados a partir da diversidade no meio corporativo.

“Os conflitos podem funcionar como catalisadores de mudanças positivas. Hoje, um dos diferenciais das empresas é a capacidade de atuar de forma colaborativa tanto internamente quanto com atores externos. Desenvolver habilidades de mediação nesse cenário abre espaço para melhorar a performance das organizações”, destacou a diretora-executiva da CCIFB-RJ, Jaqueline Saad.

O presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Rio de Janeiro e coordenador da Comissão de RH da CCIFB-RJ, Paulo Sardinha, complementou o debate: “quando nós pensamos em diversidade, pensamos em adaptação, eventualmente em divergências e solução de conflitos como um processo natural de evolução. Não podemos deixar de lado que essa perspectiva de diversidade traz uma amplitude maior e a possibilidade de conflitos existe. Nesse sentido, há uma grande oportunidade de aprendizagem”. 

Acesse a galeria de fotos do evento, aqui.


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