MÓVEIS II - Exportações de móveis caem pelo 4º mês seguido
No acumulado de janeiro a abril, setor vendeu ao exterior US$ 284,3 milhões, retração de 11%.

Pelo quarto mês consecutivo nesse ano, as exportações brasileiras de móveis fecham com queda. No acumulado janeiro-abril, o setor exportou US$ 284,3 milhões, ante US$ 319,5 milhões de igual período de 2005, retração de 11%, conforme dados divulgados pela Associação das Indústrias de Móveis do Rio Grande do Sul (Movergs), com base no levantamento feito pela Secex. Com isso, fica cada vez mais distante a chance do setor repetir o desempenho de 2005, quando foram exportados US$ 1 bilhão.

Mais uma vez houve recuo nos embarques para os Estados Unidos, principal comprador, com peso de 34% entre todos os embarques: no quadrimestre foram exportados US$ 98,2 milhões, enquanto que no ano passado foram US$ 125 milhões, queda de 21,5%. A França, segundo maior importador de mobiliário brasileiro, e participação de 8% do total, também fechou com queda, de -22,7%, acumulando US$ 24,4 milhões, diante de US$ 31,6 milhões no quadrimestre do ano passado.

Entre os cinco principais mercados exportadores, houve apenas um registro positivo: Reino Unido, com US$ 27,4 milhões nesse ano,e US$ 24,1 milhões em 2005, alta de 13,7%. A Alemanha com exportações de US$ 9,1 milhões, queda de 54,5% sobre ano passado, e Países Baixos, com vendas de US$ 7 milhões, diminuição de 43,1% em relação a 2005, completam o quadro no acumulado janeiro-abril.

A boa notícia é que Argentina, Espanha e Chile estão aumentando as compras do Brasil. Mesmo com peso de apenas 5,6% dos embarques totais, a Argentina importou 31,5 a mais em relação ao quadrimestre passado, de US$ 12,4 milhões para US$ 16,4 milhões. A Espanha comprou 13,9% a mais, de US$ 11,1% para US$ 12,6 milhões, e o Chile aumentou suas importações em 37,7%, de US$ 7,4 milhões para US$ 10,2 milhões.

      LIMITE

Para o presidente da Movergs, Luiz Attílio Troes, o setor atingiu o seu limite. "Desde o ano passado, estamos operando com o dólar depreciado. E, mesmo absorvendo os custos decorrentes disso, as indústrias honraram os contratos. Hoje não dá para fechar pedido", observa o dirigente, lembrando que a saúde financeira das empresas está fragilizada.

"Estamos passando do sinal amarelo para o vermelho", disse. O pólo moveleiro gaúcho, com 3,1 mil fábricas, encerrou os quatro primeiros meses do ano com retração de 7,4%, totalizando US$ 76,6 milhões, ante os US$ 82,7 milhões de igual período de 2005.

No mercado norte-americano, com peso de 20% do total das exportações do Estado, foram comercializados 36,7% menos móveis nesse ano em relação ao ano passado, totalizando US$ 15,4 milhões em 2006 diante de US$ 24,3 milhões em 2005. Dos cinco principais mercados gaúchos, houve registro de crescimento em apenas dois: Chile (34,9%, para US$ 5,8 milhões esse ano) e Argentina (18,4%, para US$ 4,5 milhões).

"As empresas gaúchas não possuem condições nem para fechar suas portas, porque não há dinheiro para pagar as indenizações", afirma Troes. Pelos seus cálculos, entre março de 2005 e março desse ano 10,5 mil postos de trabalho foram fechados, número que representa 35% da força total de trabalho no Estado."Estamos em contato com a ministra Dilma Rousseff, mas na situação que estamos eu aposto mais na quantidade da pressão do que na sensibilidade dos governantes", diz o empresário.

O diretor da Indústria de Móveis Arvy, de Bento Gonçalves, Marcos Lazzarotto, está na contramão desse quadro ao dar início agora a um amplo programa de exportações. A meta é fechar 2006 com US$ 1 milhão. Já exporta com maior freqüência para Venezuela, Uruguai, República Dominicana e Panamá, e está prospectando novos mercados. "Um funcionário meu visitou a feira de Madri e agora estou procurando uma pessoa para trabalhar como representante lá na Espanha. O próximo passo é ir para o Chile", anuncia ele.

"Hoje, as exportações representam 10% das nossas receitas, mas eu pretendo chegar a 20% ou talvez 30% num prazo de dois anos", informa Lazzarotto. Ele está abrindo novos contratos com custos já ajustados, o que significa preços mais caros que a média. "Isso é bom por um lado, mas é ruim por outro na medida em que fica difícil a negociação", complementa.
(Gazeta Mercantil)

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