News
  • no news in this list.
Login
Brésil / Classe Média

PrintClasse Média

A Classe Média Cresceu. E Agora?

*Vladimir Caraschi F. do Vale, economista-chefe do Banco Crédit Agricole Brasil
Artigo publicado na Revista França-Brasil, Junho/Julho 2011

A ascensão da nova classe média brasileira foi uma das principais conquistas do país nos últimos anos. Esse processo, que começou com os ganhos de poder aquisitivo derivados do fim da inflação galopante pré Plano Real, ganhou ímpeto nos últimos anos. Estima-se que apenas nos últimos seis anos, quase 30 milhões de brasileiros tenham adentrado a classe C. Esse movimento decorre, em parte, dos programas sociais do governo, mas, principalmente pelo dinamismo do setor privado brasileiro e pelas oportunidades que se abriram a ele com a estabilidade doméstica e o “boom” dos preços das “commodities” no cenário internacional.

As conseqüências positivas desse processo vão além da expansão imediata que ele causa sobre o mercado de consumo doméstico. Famílias com maior poder aquisitivo tem condições muito melhores de continuar progredindo no médio e longo prazo, tanto pela maior capacidade de investir em educação (e portanto, acumular capital humano) quanto pela maior capacidade de realizar um planejamento familiar efetivo. Com isso, milhões de famílias brasileiras têm agora uma oportunidade concreta de romper definitivamente o ciclo de pobreza carregado por gerações.

Para as empresas privadas, o aumento na mobilidade social abre um oceano de oportunidades que vão de praticamente todo o setor de serviços (com destaque para a educação) e vastas fatias da indústria. Não é à toa que o Brasil, a despeito da crise internacional, segue sendo um destino privilegiado para investimentos estrangeiros diretos.

Esse processo, entretanto, não deixa de ter também conseqüências indesejáveis que precisam ser enfrentadas pelo governo e pela sociedade. Um dos exemplo mais óbvios é a questão da mobilidade urbana. Com a indústria automobilística batendo recordes de vendas, os engarrafamentos nas grandes cidades brasileiras deixaram de ser um “privilégio” de São Paulo. E os mesmos sinais de estrangulamento também podem ser observados nos portos, aeroportos, ferrovias e muitas outras áreas da infraestrutura do país. A forma como iremos atacar essas questões definirá se elas representarão mais uma oportunidade ou um problema. Se prevalecer a visão “estatista”, a ainda frágil situação fiscal do pais acabará se agravando. Esse é o caminho que transforma a oportunidade em problema. Por outro lado, se o governo e a sociedade optarem por criar as condições para que o setor privado ocupe cada vez mais esse espaço, os problemas se transformarão em oportunidades.

Membros Institucionais

Contactez-nous

Estamos presentes em quatro estados do Brasil :
Minas Gerais | Paraná Rio de Janeiro | São Paulo