News
  • no news in this list.
Login
Brésil / Relação com a Crise

PrintRelação com a Crise

A crise europeia e seu impacto na economia brasileira

*Eduardo Mafra C. Netto, economista-chefe do Banco Société Générale
Artigo publicado na Revista França-Brasil, Outubro/Novembro 2011

 

Novamente, a ameaça de crise financeira é manchete nos noticiários. Diferentemente de 2008, em que o foco foram os bancos americanos, hoje as atenções estão no sistema financeiro europeu. O motivo da crise é creditado pela imprensa especializada à exposição dos bancos europeus aos chamados países GIIPS (Grécia, Irlanda, Itália, Portugal e Espanha), que apresentam alto índice de endividamento e, atualmente, financiam-se a taxas insustentáveis para o equilíbrio fiscal de longo prazo. Entretanto, o real motivo dessa caótica situação financeira é explicado por erros em decisões de política econômica desses países ao longo dos anos.

O grande problema vivido pelos bancos europeus é que o mercado não tem diferenciado ações individuais para aumentar liquidez e reduzir consumo de capital, em linha com a boa prática financeira em meio ao aperto regulatório e a escassez de recursos. As diferenças positivas entre a crise atual e a de 2008, em relação à solidez do sistema financeiro, são o atual nível de liquidez mais elevado e balanços menos alavancados, frutos dos ajustes promovidos pós 2008. 

Países da zona do euro enfrentam falta de consenso político. De um lado temos os países socorridos e, do outro, os com boa governança econômica, que precisam convencer sua população da necessidade de entregar algo para não correr o risco de um desmembramento total da União Europeia.

Na Grécia os opositores ao atual governo veem na renegociação da dívida um evento que pode gerar benefícios, uma vez que não será mais necessário impor medidas austeras à população, que geram desemprego e perda de renda. Porém, economistas indicam retração de 25% a 50% do PIB nos primeiros anos após a renegociação. Ou seja, a máxima econômica de que não há “almoço grátis”. 

Obviamente, o Brasil não é uma ilha e seremos afetados, principalmente pelos canais do crédito externo, comércio global de mercadorias e commodities. O comportamento do câmbio também pode impactar na inflação, uma vez que a tendência de queda da taxa de câmbio ao longo dos últimos anos se inverteu e o Real já sofre desvalorização desde o início do contágio da crise.

Como medidas, o Banco Central iniciou o afrouxamento monetário, apostando no agravamento da crise. Mas é importante lembrar que o ritmo de crescimento do PIB atual é inferior ao nível registrado antes da crise de 2008, e a inflação está mais elevada. Nesse contexto, a queda dos juros torna-se uma aposta arriscada, visto que a inflação corrente e a esperada pelo mercado estão próximas ao teto da meta inflacionará.

O Brasil está em situação privilegiada em comparação aos países desenvolvidos, não apenas em relação ao ritmo de crescimento do PIB e ao potencial de geração de negócios, mas também na relação do endividamento público com o PIB (dívida/PIB em 42% contra os 90% dos países desenvolvidos). Trata-se de uma situação ímpar para nos consolidarmos nos próximos dez anos não apenas como uma potência econômica, mas também como líderes políticos influentes no cenário global. 

Membros Institucionais

Contactez-nous

Estamos presentes em quatro estados do Brasil :
Minas Gerais | Paraná Rio de Janeiro | São Paulo