Novo presidente Aloisio Vasconcelos anuncia internacionalização da empresa durante a posse
A Eletrobrás começa a dar os passos decisivos para firmar sua atuação no mercado internacional. O Ministério de Minas e Energia (MME) vai enviar ao Congresso Nacional projeto de lei que modifica o estatuto da empresa, com o objetivo de autorizar a estatal a desenvolver projetos de geração e transmissão de energia no exterior. A alteração vai começar a ser desenvolvida nos próximos dias, e estuda-se até mesmo a criação de uma holding internacional da Eletrobrás, a exemplo do que já faz a Petrobras.
O anúncio foi feito pelo novo presidente da estatal, o engenheiro Aloisio Vasconcelos, que foi empossado ontem oficialmente no comando da empresa. Lembrando que algumas subsidiárias já desenvolvem projetos em outros países, Vasconcelos explicou que pretende coordenar essa participação, fortalecendo a marca da empresa no mercado externo.
- A Eletrobrás é uma empresa com 43 anos de atuação. Temos know-how para nos expandirmos no exterior. A internacionalização seria uma forma de coordenar os trabalhos da engenharia elétrica, de forma que ela tenha apenas uma marca, que é a da Eletrobrás. Podemos fazer isso através de nossas subsidiárias ou então criar uma marca internacional para a empresa - declarou, ressaltando que a atuação da estatal se daria no que se refere a consultoria, execução e operação dos projetos.
O novo presidente disse também que, inicialmente, os mercados desejados pela Eletrobrás estão localizados na América Central, em parte da Ásia e África. Ele destacou que já identificou potenciais projetos no México, no Chile e na Angola.
- Vale lembrar que temos acordo de cooperação com a Kepco, da Coréia do Sul, e que o Governo, através do MME, já firmou entendimentos na área de energia com a China - salientou Vasconcelos.
O estatuto da Eletrobrás limita a participação da empresa em projetos no exterior. Já o de algumas subsidiárias, entretanto, não tem esse impedimento. Por isso, Furnas Centrais Elétricas e a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) já participam de empreendimentos no exterior. No caso de Furnas, a empresa tem um núcleo de estudos e apoio instalado na África.
Aloisio Vasconcelos admitiu, no entanto, que dificilmente a Eletrobrás estará autorizada a atuar no exterior ainda este ano. A empresa está desenvolvendo seu Planejamento Estratégico para os próximos anos, e segundo o presidente, o foco internacional estará contemplado nele.
- Já definimos a visão, os valores e a missão da empresa no planejamento. Estamos iniciando a nova fase, que é a implantação e execução dele - afirmou, sem estipular prazos para a conclusão do Planejamento Estratégico.
O executivo destacou ainda que a Eletrobrás vai continuar atuando fortemente nos leilões de energia e de linhas de transmissão previstos para este ano. Segundo ele, a estatal vai concentrar sua atuação em suas subsidiárias, como a Chesf, a Eletrosul e Furnas.
O Ministério de Minas e Energia (MME) não conseguirá ofertar todos os 17 empreendimentos hidrelétricos que estão previstos para o leilão de energia nova, marcado para dezembro. A afirmação é do presidente da Empresa de Planejamento Energético (EPE), Maurício Tolmasquim, que garantiu, a exemplo do ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, que o País não corre risco de desabastecimento até 2009.
Tolmasquim afirmou que o Governo já está trabalhando para garantir o suprimento necessário para o País. Ele considera que, fora os projetos hidrelétricos, o Brasil terá um número considerável de usinas térmoelétricas entrando em operação, além dos projetos de energia renovável, como biomassa e eólica. Questionado sobre a possibilidade de que não haja gás suficiente para as térmicas, Tolmasquim foi enfático.
- A Petrobras tem um acordo de que todas as termelétricas que construirá serão bicombustíveis. Temos essa opção, além do gás - afirmou, logo após a posse do novo presidente da Eletrobrás, Aloisio Vasconcelos.
Os 17 empreedimentos hidrelétricos que o Governo pretendia colocar em leilão no fim do ano somam um total de 2.800 megawatts (MW). A nova regra do Setor Elétrico determina que apenas poderão ir à leilão os projetos que já tenham o licenciamento ambiental prévio. Até o momento, segundo o MME, apenas um empreendimento - a usina de Baguari (140 MW), em Minas Gerais - já obteve a liberação.
Silas Rondeau minimizou o problema, afirmando que o MME vai garantir a energia necessária para que não haja riscos futuros de falta de energia elétrica.
- Não há risco de desabastecimento. Temos um folga boa, e vamos oferecer os projetos necessários no tempo devido - declarou.
Aloisio Vasconcelos adotou o mesmo tom de Rondeau, a quem sucedeu na Eletrobrás. Segundo ele, o Brasil já vem começando a experimentar os efeitos do crescimento econômico registrado no Governo Lula.
- Isso vai exigir uma expansão da oferta energética. Estamos prontos para fornecer toda a energia necessária, de maneira confiável, sem o risco de escassez - observou. (C.J.)