Brasil terá investimentos
Mégane e Logan devem ser fabricados no País
Até o fim do ano, deve começar, no Brasil, a produção do Mégane (até então só feito na Turquia) e, daqui um ano, a do Logan, o modelo mais popular da empresa, também poderá ser produzido no País. "O Brasil vai continuar recebendo investimentos da aliança entre Renault e Nissan". afirmou ontem o novo presidente mundial da Renault, Carlos Goshn, que pediu ontem paciência até o fim do ano, quando divulgará o plano
da segunda onda ofensiva da empresa no país. O executivo assumiu o posto em maio e está visitando as fábricas ao no mundo.
"Espero chegar a resultados bem melhores no Brasil. Estamos longe do nosso potencial", disse Goshn, que nasceu em Porto Velho e vai acumular a presidência da Renault com a da Nissan, a primeira tem 2,7% do mercado nacional, enquanto a segunda tem u a fatia de 0,4% (quer 0,6% em 2005).
O objetivo é trazer produtos para fatias do mercado em que a montadora não atua e melhorar onde já está. A fábrica do Paraná opera com apenas 35% de capacidade, o que ele considera um desperdício.
Mais ocupação
A capacidade ocupada deve aumentar em breve, apesar de Goshn não citar números nunca - "a preocupação não é a participação do mercado", disse ele. Hoje, o Mégane oferecido no Brasil vem da Argentina, mas a transferência não significa o fechamento da fábrica vizinha. "O momento é de ir para a frente, analisar as oportunidades, não fechar fábricas", disse ele.
Segundo Goshn, o único problema é o retorno do investimento no Mercosul. A Nissan tem lucro, e a Renault praticamente zerou sua dívida. Ou seja, há dinheiro para investimentos.
"O que fizemos no Japão deveríamos saber fazer no Brasil." Quando assumiu a Nissan, em 1999, o executivo fechou fábricas e demitiu 21 mil funcionários. A montadora estava beirando a falência, situação bem diferente da Renault, a maior montadora da Europa.
"Em um ano, a Nissan voltou a ter lucro. Em dois, teve crescimento. E, em três, o retorno de investimento foi de 20%." Por isso o esperado é que seu plano para a Renault siga as linhas gerais do plano Value Up, aplicado na japonesa.
Entre 2005 e 2008, deve ser mantido o retorno de 20% do capital investido, aumentar as vendas para 4,2 milhões de carros e picapes e manter melhora na margem operacional em 10%.
Na visão do executivo, o Brasil é competitivo. Cerca de 65% da produção de motores de São José dos Pinhais é exportada.
"Não é algo forçado. As outras fábricas compram porque a qualidade é boa, e o preço, competitivo" , disse ele.