TRANSPORTE


Concessionária registra 13,6% a mais de carga
BNDES abre crédito para MRS comprar 716 vagões

BRUNO VILLAS BÔAS

A diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou ontem o financiamento de R$ 109 milhões para a MRS Logística, concessionária da malha ferroviária Sudeste. Os recursos serão destinados para a compra de 716 vagões de transporte de minério de ferro, já encomendados pela companhia à Amstead-Maxion, empresa de São Paulo. Segundo o presidente da MRS, Julio Fontana Neto, todos os
vagões serão entregues neste ano, sendo os 30 primeiros ainda neste mês. "Vamos receber, em média, 120 vagões nos próximos meses", explicou o executivo.

Fontana Neto informou que a MRS fechou o primeiro semestre deste ano com movimentação de 52,387 milhões de toneladas úteis (TU), 13,6% a mais que as 46,132 milhões de TU movimentadas em igual período do ano passado. O resultado financeiro do semestre, no entanto, será divulgado apenas no final deste mês. Em 2004, a empresa faturou nos 12 meses R$ 1,6 bilhão.

Os vagões serão utilizados para atender à demanda dos clientes do quadrilátero ferrífero próximo a Belo Horizonte, como a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e a Minerações Brasileiras Reunidas (MBR), além de algumas mineradoras menores, como a Mineração Rio Verde e a Cia de Fomento Mineral (CFM). O minério de ferro é transportado para abastecer as usinas Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Cosipa e Gerdau Açominas.

Recursos liberados são da linha finame

A liberação dos recursos foi aprovada na Linha Finame, que financia máquinas e equipamentos fabricados no País. A operação de crédito será na modalidade indireta do BNDES, ou seja, com participação de agentes financeiros. No caso, o Unibanco e o Banco Votorantim repassarão R$ 88 milhões e R$ 21 milhões, respectivamente.

A concessionária ferroviária negocia ainda, junto com a Prefeitura de Juiz de Fora (MG), o transporte dos combustíveis do Centro de Distribuição que a Petrobras poderá construir no município, por onde irão passar 70 milhões de litros a cada mês. A unidade deverá levar cerca de dois anos para ser construída, mas Fontana Neto já calcula que serão necessários cerca de 100 vagões do tipo tanque para o transporte
dos combustíveis.

- Já assinamos, inclusive, termo de compromisso junto à Prefeitura e a Petrobras. Nossa participação será importante porque não existe na região duto da estatal - explicou o presidente da MRS.

Fontana Neto lembrou que o crescimento registrado pela companhia no primeiro semestre deste ano foi motivado pelo aumento do volume de transporte de variados setores, como os de mineração, agroindústria e celulose. Nos primeiros seis meses, apenas duas linhas não registraram crescimento: cimento e produtos siderúrgicos (chapa de aço).

A concessão à MRS Logística foi dada pelo Governo federal em 1996. A MRS opera 1.687 quilômetros de trilhos, que facilitam o transporte e distribuição de cargas numa região que concentra aproximadamente 65% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. A composição acionária é formada pela MBR (32%), CSN (32%), Usiminas (10%), CVRD (10%), Ultrafértil (4%), Gerdau (1%) e outras empresas (11%).

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