Presidente do BNDES conta por que está otimista com a economia do País
Mais de cem pessoas se reuniram no hotel Sofitel, em São Paulo, no primeiro almoço do ano da CCFB-SP. O ponto principal do evento foi a intervenção do convidado de honra, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega.
Em sua apresentação, Mantega traçou um panorama da atual situação econômica brasileira, destacando que estamos vivendo um momento bastante oportuno. "Os bons índices econômicos apontam condições favoráveis para um crescimento sólido e sustentável do País, atraindo cada vez mais a atenção de investidores estrangeiros", diz.
O presidente da CCFB-SP, Michel Durand Mura, já havia confirmado essa declaração pouco antes, durante as boas vindas aos presentes. "É notório, sobretudo a partir do ano do Brasil na França, a retomada de interesses dos investidores franceses no Brasil, principalmente das PMEs, uma vez que os principais grupos franceses já estão presentes no País", afirma.
Assim, mesmo com a taxa de juros ainda muito elevada e o câmbio em "patamar problemático", segundo classificou Mantega, não há motivo para desestímulo. "Esse problema do câmbio deve caminhar para uma resolução à medida que se tenha uma redução da taxa de juros e, simultaneamente, se tenha aumento das importações", acredita.
A previsão agradou principalmente os exportadores, que têm convivido com perdas desde que o dólar entrou em processo de desvalorização, girando em torno de R$2,10. Outra boa notícia para esse setor foi anunciada por Durand Mura. "Estamos organizando, em parceria com o Sebrae e a APEX (Agência de Promoção das Exportações), um Seminário que discutirá o tema "Como exportar para a França". O objetivo é estimular a relação comercial entre os dois países", conta.
Mantega também analisa que a medida de isenção tributária para investidores estrangeiros em títulos públicos é bastante positiva, devendo contribuir para uma redução mais forte da taxa Selic. "Esse capital externo deve continuar a derrubar as taxas de longo prazo da economia, o que deve pressionar o Banco Central (BC) a diminuir a Selic mais rapidamente".
Por todas essas razões, justifica-se, segundo ele, o otimismo com relação à economia demonstrado tanto pelos investidores estrangeiros, quanto internamente. "A inflação está sob controle, as contas externas estão sólidas e a taxa de crescimento deve aumentar, ficando em torno de 4,5. A expectativa é que nossas reservas também aumentem, chegando a US$ 100 bilhões", prevê.
A eleição presidencial também foi abordada pelo presidente do BNDS. "Teremos um ano eleitoral atípico. Não haverá, em 2006, o que houve em anos anteriores. A previsão é de um ano tranqüilo, com um cenário estável, sem especulações, corridas atrás de dólares ou transferências de capitais. Vivemos um momento de solidez e maturidade do regime democrático brasileiro", conclui.