Os discursos entusiasmados do Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luis Fernando Furlan, e do presidente do BNDES, Guido Mantega, no Fórum Econômico França-Brasil, realizado no mês passado em Paris, marcaram o início das atividades econômicas dentro da agenda do Ano do Brasil na França.
Furlan e Mantega e outras autoridades brasileiras, juntamente com os presidentes de algumas maiores empresas brasileiras e francesas instaladas no Brasil, fizeram um balanço da economia brasileira e mostraram os bons resultados da política industrial, de câmbio, das linhas de investimentos, dos programas de comércio exterior e, sobretudo, das possibilidades de reforçar o comércio bilateral entre os dois países.
Apesar dos mais de 400 eventos e shows em áreas como teatro, cinema, dança, grupos folclóricos, fotografia, gastronomia, esporte, música, artes plásticas, design e literatura previstos até dezembro, o Ano do Brasil na França, portanto, não é só uma demonstração da diversidade cultural do País, mas a ocasião de apresentar a nação como uma potência consolidada em todos os seus aspectos: econômicos, industriais, comerciais, sociais, turísticos etc.
Fica evidente que a temporada na França é uma ótima oportunidade para o setor produtivo fortalecer a marca brasileira, provando que a cultura da qualidade está intimamente associada a um ambiente de idéias e inovações.
Os mais de 60 milhões de franceses, além dos outros 60 milhões de turistas que visitam o país a cada ano, verão muitos mais do que o Brasil do futebol e do carnaval. Os produtos e a cultura brasileira estão em todas as esquinas da França. O verde e amarelo inundaram as cidades e os franceses estão gostando de conhecer mais de perto o Brasil.
Prova disso é a cobertura da mídia local. Os principais jornais, como o Le Figaro, estão com cadernos especiais sobre o Ano do Brasil na França e as redes de televisão têm divulgação diária dos eventos programados. Até o final da temporada, o Brasil será capa de 11 revistas francesas.
Não é à toa e nem só pela diversidade cultural que o Brasil foi escolhido como o grande parceiro da França em 2005. Além de os franceses serem o quarto maior investidor no País, o intercâmbio comercial entre eles movimentou cerca de US$ 4,47 bilhões, 28,5% a mais do que 2003, segundo dados do MDIC, equilibrando assim a balança comercial.
O momento é propício para que o setor produtivo e o governo mantenham ou aumentem a trajetória de investimentos franceses para o Brasil. E isso já está acontecendo. Numa conta rápida, observamos que as exportações brasileiras para a França, durante os meses de janeiro e fevereiro de 2005, foram de US$ 365 milhões, 5,2% a mais em relação ao mesmo período do ano passado.
Entre os principais produtos exportados para a França, durante os primeiros dois meses de 2005, estão bagaços e outros resíduos sólidos da extração do óleo de soja (27,20%), minérios de ferro não aglomerados e seus concentrados (7,41%), aviões a turbojato (5,29%), café não torrado em grão (4,47%) e minérios de ferro aglomerados e seus concentrados (3,07%).
Entre as importações, encabeçam a lista, durante janeiro e fevereiro de 2005, aviões e veículos aéreos (10,61%), partes para aviões ou helicópteros (6,08%), partes e acessórios de carrocerias para veículos automóveis (2,82%), partes e acessórios para tratores e veículos automóveis (2,75%).
É inegável o fascínio mútuo entre os dois países. A reciprocidade nas relações econômicas e culturais vem de longa data e, a cada ano, o intercâmbio se intensifica e se renova. Para 2006, o Brasil, talvez, poderia, de convidado, transformar-se em anfitrião. Empresários franceses e brasileiros já trabalham com essa perspectiva para o próximo ano. Os mesmos objetivos e oportunidades que guiaram os empresários este ano vão continuar a motivar as missões públicas e privadas a atravessar o Atlântico. Mesmo que os papéis estejam invertidos.
Michel DURAND MURA
Presidente da Câmara de Comércio França-Brasil