A internacionalização da Companhia Vale do Rio Doce está levando a empresa a avaliar melhor o investimento em regiões onde o risco político é alto, como na América do Sul e na África. Por isso a mineradora vem conversando com grandes seguradoras sobre a possibilidade de fazer apólices contra as turbulências enfrentadas nessas regiões, segundo informou Renato Amorim, diretor Relações Internacionais da corporação, em palestra na Câmara de Comércio França-Brasil no dia 26 de abril.
Com planos para Venezuela e Peru, além de países africanos como Gabão e Moçambique, a Vale quer garantir que não ocorra com seus elevados investimentos o mesmo que vem acontecendo com a EBX, na Bolívia. "Em Moçambique, por exemplo, os investimentos da Vale podem chegar a 2 bilhões de dólares", exemplificou Amorim, destacando no entanto que Moçambique e Gabão são no momento países estáveis.
A contratação de um seguro para reduzir o risco político, no entanto, pode ter um alto custo, segundo Amorim. "Seguro para risco político é um instrumento financeiro que existe no LlLoyds e em grandes seguradoras com as quais estamos conversando. Mas é um mecanismo exótico e caro", explicou.
Segundo Amorim, ainda existem dúvidas do que seria considerado risco político nas apólices. Ele explicou que uma das maneiras de reduzir o custo desse tipo de apólice é praticar uma política corporativa junto à comunidade do país, prática cada vez mais utilizada pela Vale. "Para entender melhor os países que estamos entrando, a Vale tem contratado antropólogos, cientistas políticos, isso faz parte da estratégia, assim como contratar força de trabalho local", informou.
O executivo acrescentou que um dos maiores desafios da Vale nesses países tem sido encontrar mão-de-obra qualificada. A Vale tem investido pesadamente no treinamento de pessoal como forma de compensar a falta do ensino técnico, disse.