Aumenta o espaço para negócios bilaterais
--> São Paulo, 31 de Maio de 2006 - No ano passado, o comércio entre os dois países movimentou US$ 5,2 bilhões. Quarta potência econômica mundial, com superávit comercial de aproximadamente ⬠19,3 bilhões e inflação de 2,2%, a França tem no Brasil um importante parceiro de negócios e de investimentos.
O intercâmbio comercial entre os dois países cresceu no ano passado, em relação a 2004. Movimentou cerca de US$ 5,2 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio Exterior. Entre os principais produtos exportados para o mercado francês, o destaque é a soja e seus derivados.
Esse intercâmbio mostra relativo equilíbrio: em 2005, as exportações brasileiras para a França atingiram o valor US$ 2,48 bilhões, enquanto as importações daquele país chegaram a US$ 2,65 bilhões.
Os franceses ainda levam grande vantagem com o embarque de produtos de alto valor para o Brasil: o valor médio da tonelada exportada no ano passado foi de US$ 4.609. No sentido inverso, as exportações brasileiras para a França tiveram valor médio de somente US$ 133,5.
Em 2005, a Câmara de Comércio França-Brasil (CCFB) recebeu mais de 300 consultas de empresas francesas interessadas em investir no País. O Brasil é o primeiro parceiro da França na América do Sul. E o mercado brasileiro já é o quarto maior destino dos investimentos franceses. Pesquisa encomendada pela revista França-Brasil e pela CCFB identificou as marcas francesas mais lembradas por executivos brasileiros no eixo Rio-São Paulo. A Peugeot aparece no topo da lista, com 38% das citações, seguida pela Renault (14%). A terceira colocação é dividida entre o Carrefour, a L'Oréal e a Citroà«n (9%). A Air France ocupa a quarta posição (3%).
O segredo, na opinião do advogado Alain Goulene, que presta consultoria a empresas francesas, é ser flexível, adaptar-se ao perfil brasileiro de negócios e se adequar também à legislação. Segundo Goulene, nos últimos dez anos, cerca de 60 empresários abriram negócios nos ramos de tecnologia, autopeças, embalagens, peças para aeronáutica, indústria química, telecomunicações e serviços. Somente neste ano, essas indústrias movimentaram cerca de ⬠7 milhões.
Um exemplo de sucesso de instalação de empresas francesas no Brasil é a Fnac, distribuidora de produtos culturais e tecnológicos que já tem uma de seis lojas. Outra rede que também cresce é a Tok&Stock (móveis e utensílios domésticos), que conta com 24 unidades no Brasil. De acordo com a CCFB, o comércio entre os dois países tem crescido 18% ao ano.
No intercâmbio comercial, o Brasil se destaca com a exportação de derivados de soja (27,2%), minério de ferro e outros produtos. Entre as importações, estão aviões (10,6%) e peças para aviões e helicópteros (6,8%).
Na opinião de François Dossa, presidente do banco Société Générale, presente em mais de 60 países, com a queda do risco Brasil e o pagamento da dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o mercado se torna atrativo para os investidores. "O Brasil, que está distribuindo bem sua riqueza, tornou-se o segundo país no foco de investimentos", conta o presidente do banco, que oferece, desde 1965, serviços a grandes clientes como Petrobras, CVRD e Gerdau. Ele destaca o fato de o país estar crescendo de forma independente de quem o governa.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 7)(Alessandra Mota)