Discordâncias no Mercosul atrapalharam acordo com UE, diz ex-secretário argentino![]()
Cláudia Lobo - Globo Online
Especial para Globo Online
RIO - O ex-secretário de Indústria da Argentina Dante Sica disse que a falta de consenso entre os países que integram o Mercosul foi fator determinante para a interrupção das negociações com a União Européia, além da rigidez dos europeus em abrir seus mercados.
- Nós já sabíamos que a posição do bloco europeu não seria muito benevolente com o Mercosul. Eles não nos abririam o seu mercado na forma que desejávamos. Mas a discordância entre os países do Mercosul acabou contribuindo para não avançarmos mais nas discussões - disse.
Ainda na avaliação de Sica, a integração entre os países do Mercosul retroagiu desde o início de sua criação, sem limitar-se ao âmbito econômico.
- No início, quando descíamos do avião, tínhamos livre trânsito para as pessoas do mesmo bloco. Hoje, até isso foi retirado - afirmou.
Sica acredita que as negociações Mercosul-UE vão se estender até 2007, mas avalia que parte dos casos deverá ser resolvida somente na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Ele participou no seminário "Panorama e Avaliação da Integração Mercosul-União Européia-Alca", realizado pela Câmara de Comércio Brasil-França, com apoio do Globo Online.
Brasil e Mercosul ainda têm muito a crescer no mercado internacional, diz especialista
Sabrina Valle - Globo Online
RIO - Brasil e Mercosul ainda têm muito a crescer no mercado internacional. A afirmação é do doutor em direito internacional e professor da universidade UniBrasil Eduardo Gomes, no seminário Mercosul-União Européia-Alca, realizado no hotel Sofitel, no Rio, organizado pela Câmara de Comércio França-Brasil.
Segundo Gomes, o Brasil tem uma participação de apenas 1,2% das exportações mundiais, enquanto o percentual do Chile - um país de economia e população muito menor - é de 8,5%; dos Estados Unidos, 15,4%; e da União Européia (UE), 18,4%.
Gomes lembra também que a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul é de 15%, enquanto a tarifa média aduaneira no Chile foi reduzida para 6% e cairá para 4% a partir de 2005.
Por sua vez, o advogado chileno Alfredo Ugarte Soto, sócio do escritório Calderon & Cia, de Santiago, explicou que o Chile se descolou anos atrás do restante dos países da América Latina então marcados por "forte instabilidade e constantes trocas de governo", optando por um caminho próprio.
- O Chile se adequou às regras da Organização Mundial de Comércio (OMC), o que abriu as portas do país para negociar mais facilmente com a Europa e os Estados Unidos - afirmou o advogado.
Ugarte Soto lembrou ainda que o Chile fez acordos bilaterais com México e Canadá, cujas negociações duraram cerca de sete anos, concluídas em 2003. O especialista ressalva que a abertura comercial também trouxe forte desemprego, além de benefícios.
Já o coordenador do Centro de Estudos Europeus da UFRJ, Franklin Trein, criticou a falta de unidades de pesquisa especializadas nos países com que o Brasil mantém relações comerciais. Segundo ele, o desconhecimento sobre seus parceiros é o principal entrave para que o Brasil ganhe maior projeção internacional.
- É como chegar em uma loja sem saber o que se vende lá. Temos que aprender a falar 'a língua local' - disse o especialista.
Trein acrescentou que os países latino-americanos nunca terão o mesmo nível de desenvolvimento da Europa e dos Estados Unidos, com estabilidade econômica e igualdade social, por causa do déficit educacional da região:
- Esse futuro nós não teremos mais.