| VALE avalia contratação de seguro para risco político |
Por Denise Luna
RIO DE JANEIRO, 26 de abril (Reuters) - A internacionalização da Companhia Vale do Rio Doce <VALE5.SA> está levando a empresa a olhar com mais cautela investimentos onde o risco político é alto, como na América do Sul e na África, e por isso a empresa vem conversando com grandes seguradoras sobre a possibilidade de fazer apólices contra as turbulências enfrentadas nessas regiões, segundo um diretor da mineradora.
Com planos para Venezuela e Peru, além de países africanos como Gabão e Moçambique, a Vale quer garantir que não ocorra com seus elevados investimentos o mesmo que vem acontecendo com grandes multinacionais na Bolívia ou na Nigéria.
"Em Moçambique, por exemplo, os investimentos podem chegar a 2 bilhões de dólares", destacou o diretor de Relações Internacionais, Renato Amorim, respondendo a perguntas em uma em palestra na Câmara de Comércio França Brasil, destacando no entanto que Moçambique e Gabão são no momento países estáveis.
Já a Venezuela, onde a Vale estuda um projeto de carvão, e o Peru, às vésperas de eleições, merecem cautela na visão de Amorim.
"Temos escritório na Venezuela, que está investigando carvão. Do ponto de vista teórico pode ser interessante investir lá, mas nós temos que primeiro entender qual o padrão institucional do país", afirmou.
Sobre o Peru, que pode eleger, a exemplo da Bolívia e da Venezuela, um governo popular, se as regras forem mudadas com a entrada do novo presidente o projeto pode ser reavaliado.
"Teremos que olhar com mais responsabilidade esse investimento", afirmou. Além desses dois países, a Vale está na Argentina, onde explora potássio na província de Neuquém.
SEGURO CARO
A contratação de um seguro para reduzir o risco político, porém, pode ser um negócio de alto custo, segundo Amorim. No ano passado, a Petrobras <PETR4.SA>, que hoje enfrenta problemas na Bolívia de cunho político, descartou a contratação desse tipo de seguro, explicando que "o risco já está embutido no custo do projeto".
"Seguro para risco político é um instrumento financeiro que existe no LlLoyd e em grandes seguradoras... nós estamos conversando com algumas delas... mas é um instrumento exótico e caro", explicou.
Segundo Amorim, ainda existem dúvidas do que seria considerado risco político nas apólices.
"É evidente quando um ditador expropria investimentos estrangeiros, mas há maneiras mais sutis de fazer isso. Se um royalty muda será que é um risco politico? Se o Congresso muda regras? Estamos estudando esses mecanismos", informou.
Ele explicou que uma das maneiras de reduzir o custo desse tipo de apólice é praticar uma política corporativa junto à comunidade do país, prática cada vez mais utilizada pela Vale.
"Para entender melhor os países que estamos entrando, a Vale tem contratado antropólogos, cientistas políticos, isso faz parte da estratégia, assim como contratar força de trabalho local", informou.
Amorim deu como exemplo a indisposição que algumas empresas chinesas estão encontrando na África, onde chegam com a força de trabalho contratada no país de origem.
"Temos que nos envolver com a comunidade para que ela apóie os investimentos que estão sendo realizados."