Movam-se para o mobile – crise desafia empresas tradicionais

Texto da Comissão de Comunicação e Marketing da CCIFB-SP

A epidemia do vírus covid-19 transformou o ano de 2020 e mudou todas previsões feitas para esse ano. Nem o mais arguto economista poderia imaginar os desafios que seriam impostos, nem a edição The World In 2020 da revista The Economist imaginava que teríamos um ano tão difícil para países, e suas economias, e para as pessoas.

A epidemia que se tornou rapidamente debatida globalmente e em poucos meses atingia as principais economia. Primeiro a China, em seguida países vizinhos e logo após a Europa. O remédio adotado para combater a disseminação do coronavírus seria dramático: o isolamento social. Na Ásia ainda encontramos estratégias híbridas, Japão e Coreia não adotaram o confinamento horizontal. Mas na Europa, a maioria dos países adotaram postura conservadora e paulatinamente aderiram ao distanciamento social agudo.

Esse distanciamento transformou o dia a dia das empresas. O home office deixou de ser política descolada ou prática de empresas tech e passou a ser adotado por todos, indústrias fecharam suas operações e o varejo de rua fechou suas portas. A crise também atingia as Américas, nos EUA uma disseminação fulminante, na América do Sul, em maior ou menor grau, o distanciamento foi a medida mais comum.

 

Streaming, delivery e e-commerce mostram fôlego

O ser humano reagiu como pode. Para trabalhar, ferramentas como o aplicativo Zoom, o mais baixado em aparelhos da Apple no mês de março. Entre Apple Store e Google Play foram 80 milhões1 de downloads. Segundo relatório de março da empresa de inteligência digital SimilarWeb2, os serviços de delivery e o streaming são os grandes vitoriosos entre os novos hábitos. Entre os principais “perdedores” o turismo, sobretudo no tráfego de serviços de hospedagem.

O mercado financeiro também oferece algumas pistas, enquanto Embraer e Itaú acumulam queda de 62%3 e 37%3, as ações dos varejistas online de B2W e Magazine Luiza subiram 19,1%3 e 5,3%3.

A crise acelerou a adoção de comportamentos online: estudo, trabalho, consultas, compras e entretenimento. Aniversários e outras celebrações testam o talento digital das famílias e amigos. Todos os dias, via meios online, também assistimos atônitos a notícias e conhecemos a coragem de profissionais de saúde e de outros serviços essenciais. Todos os dias temos transmissões de lives, podcasts e outros formatos digitais. Empresas que não tem oferta de produtos e serviços, pelo menos parcial, em meios digitais encontram-se em grande dificuldade.

 

Big Techs se descolam ainda mais

Mesmo no mundo digital temos diferenças, recente matéria da mesma The Economist apresentou os serviços online que mais cresceram nesses meses de pandemia e os serviços que menos cresceram.

A publicidade online apresentou queda, tanto no Facebook como no caso do Google. Algumas marcas não encontram motivo para manter seus investimentos na rede social e no líder de buscas na internet. No caso do Google as quedas nos anúncios de busca foram da ordem de 15% entre o mês de março deste ano em comparação com 2019.

O streaming ratificou sua força globalmente. A plataforma Netflix ganhou 16 milhões de assinantes no primeiro trimestre do ano. Enquanto a Ford acusava perdas de US$ 5 bilhões, a Microsoft, apoiada na venda de serviços na nuvem, obtinha lucros de US$ 10,8 bilhões. No Silicon Valley os vencedores são dos setores de streaming ou de infraestrutura cloud. Não só a Microsoft, a Amazon também se apresenta como vencedora tanto via e-commerce como nos seus serviços de nuvem, na verdade ela é a empresa líder deste setor.

 

Mobile na palma de 5 bilhões

Desde o surgimento da internet em meados dos anos 90, o mundo assiste os serviços digitais ganharem espaço. Paulatinamente, entretenimento, bancos, restaurantes e serviços profissionais foram sendo abocanhados pelos computadores e posteriormente pelos celulares. Atualmente são mais de 5 bilhões4 de usuários de celular, sendo que 3,6 bilhões4 com acesso à internet. A pandemia impactou boa parte da vida social de todos no globo, inclusive dos mais de 200 milhões de brasileiros. Uma grande parcela se viu alijada de hábitos do dia a dia, mas na palma da mão encontraram um “amigo” que oferece centenas de serviços. Movam-se para o mobile.

 

1 CanalTech.com.br/Senso Tower;

2 Similar Web – Impacto do coronavírus no Brasil;

3 Infomoney – 05/05/2020);

4 CanalTech.com.br.

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