Blockchain: boas práticas e a cultura da segurança dos alimentos

Falar em segurança de alimentos é focar não apenas nos requisitos de segurança, mas também nas pessoas. O foco principal é a cultura de segurança de alimentos de forma geral, onde, a organização como um dos valores, as formas padronizadas de pensamento e de colaboradores. A afirmação é da Andrea Damian, auditora da Bureau Veritas, que participou de live da comissão de Blockchain da Câmara de Comércio França-Brasil (CCIFB-SP), no dia 2 de dezembro.

 

De acordo com Andrea, a norma Food Safety System Certification 22000, que faz parte do Global Food Safety Initiative (GFSI), define a cultura de segurança de alimentos como valores compartilhados, crenças e normas que afetam o pensamento e o comportamento em relação à segurança por meio de toda a organização. Segundo ela, a segurança de alimentos deve ocorrer em todas as etapas do processo produtivo quer seja de alimentos ou embalagens de alimentos. A especialista destacou, ainda, a necessidade de levar em consideração as questões culturais e regionais.

 

Fernando E. Orsi, gerente de Qualidade Comercial, Logística e Rastreabilidade da BRF, enfatizou a importância da rastreabilidade. Segundo ele, a rastreabilidade torna possível os processos de bloqueio, recolhimento e recall. Ressaltou também que toda empresa deve dispor de um plano de recolhimento. De acordo com Orsi, o sistema Blockchain contribui diretamente com a manutenção da rastreabilidade em toda a cadeia produtiva, pois por meio dele todas essas informações podem ser conectadas e disponibilizadas para as diferentes interfaces do sistema.

 

Sobre a jornada digital da rastreabilidade, Orsi destacou alguns passos importantes. São eles: gestão e rastreabilidade da cadeia agropecuária, digitalização de registros e controles, padronização de etiquetas, automação e integração de sistemas, gestão dos estoques das fábricas e o rastreamento de lotes dos terceiros.

 

Com esse sistema em funcionamento, segundo ele, é possível acessar dados importantes de forma ágil por exemplo, por meio de um QR Code. O Blockchain System oferece um sistema descentralizado das informações que podem ser acessadas a qualquer momento, de qualquer lugar. Entre os benefícios, Orsi destacou, a redução dos custos, a transparência dos dados, a segurança e qualidade, a rastreabilidade e a agilidade.

 

A Carolina de Moura Lagos, gerente técnica de Alimentos no Bureau Veritas, compartilhou a atuação realizada pelos órgãos como, por exemplo, o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA), o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (DIPOV), e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Uma das dicas da especialista foi a Biblioteca de Alimentos que traz informações atualizadas sobre a regularização, avaliação de risco e padrões de alimentos, informações ao consumidor e controle sanitário em comércio exterior.

^