Boletim aponta França como principal investidor estrangeiro no segundo trimestre

Empresas francesas foram responsáveis por U$ 8,6 bilhões em investimentos confirmados no país. Entrevistamos o Presidente da ENGIE no Brasil, Maurício Bähr, que destacou o cenário favorável para oportunidades no setor de Gás e Energia, em especial para o Rio de Janeiro

 

De acordo com o Boletim de Investimentos Estrangeiros, publicado pela Secretaria Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex) em julho deste ano, a França foi o país que mais direcionou investimentos ao Brasil no segundo trimestre de 2019. Foram identificados no período 36 projetos de investimento estrangeiro direto, provenientes de 22 empresas de cinco países: Estados Unidos (EUA), China, Japão, França e Itália. Desse total, 28 são investimentos confirmados com valor aproximado de US$ 15 bilhões. A França liderou o ranking (US$ 8,6 bilhões), seguida por Itália (US$ 4,2 bilhões) e Japão (US$ 2 bilhões). China e EUA apresentaram os menores números, com US$ 213 milhões e US$ 131 milhões, respectivamente.

Empresa privada líder em energia e soluções do Brasil, a ENGIE integra o grupo de empresas francesas com grandes investimentos no país. A empresa acaba de concluir a aquisição de 90% da Transportadora Associada de Gás (TAG) em um consórcio formado com a investidora global canadense CDPQ. A TAG detém a mais extensa malha de transporte de gás natural do Brasil, com 4.500 km. A transação marca a entrada do Grupo no setor de infraestrutura do gás no país e reforça sua estratégia global de liderar a transição energética rumo a uma economia de baixo carbono.

Em entrevista à CCIFB, o Presidente da ENGIE no Brasil, Maurício Bähr, destacou o cenário favorável para oportunidades no setor de Gás e Energia, em especial para o Rio de Janeiro, polo do pré-sal. “Vislumbramos um futuro muito promissor com a ampliação da oferta de gás do pré-sal, que terá impacto positivo na competitividade da indústria no país”, afirmou. Confira a entrevista completa:

 

Qual é sua visão do potencial do mercado de gás natural no Brasil?
Vislumbramos um futuro muito promissor com a ampliação da oferta de gás do pré-sal, que terá impacto positivo na competitividade da indústria no país. A TAG, cuja aquisição ajudou a colocar a França na liderança no ranking de investimentos estrangeiros no Brasil, veio neste contexto. Trabalhamos mais de um ano e meio nessa aquisição, com total transparência e o aval final do STF (Supremo Tribunal Federal), o que foi um marco para todo o processo de venda de ativos da Petrobras, permitindo a implementação de sua estratégia de focar na área de exploração e produção. O aval do STF contribuiu, desse modo, para a melhoria da segurança jurídica no país. A transação foi estruturada de modo a formar uma sólida parceria entre a ENGIE e a CDPQ.

A TAG tem receita previsível com contratos de longo prazo, que asseguram uma sustentabilidade de nossos negócios. O Brasil tem tradição de respeito a contratos e isso é fundamental para a decisão de investir na TAG, negócio que praticamente dobra o tamanho da ENGIE no país. O segmento de infraestrutura de gás é um dos pilares estratégicos do grupo no mundo e no Brasil. Diante disso, avaliamos todas as oportunidades nesse segmento, inclusive em distribuição, setor que nos colocará ainda mais próximos dos clientes finais.

Quais oportunidades se abrem para o Rio de Janeiro nesse contexto?
O Rio de Janeiro ampliará ainda mais a produção de gás com o pré-sal, com impacto positivo na economia e na arrecadação do Estado e, consequentemente, na geração de empregos. O Rio é um polo importante de empresas de energia e tem instituições e relevância nesse segmento, como a ANP (Agência Nacional do Petróleo), a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). O crescimento da oferta e consequentemente do mercado de gás, certamente, será positivo, atraindo indústrias que podem utilizar o gás como insumo energético, inclusive reduzindo emissões em relação aos combustíveis que hoje porventura utilizam.

Como a atuação da CCIFB pode contribuir para a expansão dos investimentos franceses no Brasil?
A Câmara de Comércio França-Brasil, certamente, é um importante ator para facilitar negócios, aproximar empresas, fornecedores e clientes em potencial. A atuação da instituição terá ainda mais relevância com o crescimento do mercado de gás, que demandará investimentos e que poderá atrair novas empresas, além das que já atuam no segmento, como a ENGIE.

 

Investimento Estrangeiro Direto no Brasil: França lidera ranking. Saiba mais

^