Brasil pode fazer captação em dólar ou euro, diz secretário do Tesouro

O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, disse que o país pode fazer uma captação externa em dólar ou euro, se surgir uma oportunidade. Ele lembrou que as últimas semanas foram turbulentas, elevando o prêmio de risco, o que encarece esse tipo de operação.

“Essas últimas semanas foram mais turbulentas aqui, isso aumenta o risco país, então tem que esperar. Mas, a gente pode eventualmente fazer captação externa. O mercado está aberto para países como Brasil e a taxa de juros para se endividar em dólar é pequena. O Brasil não tem problema de captação externa”, disse, lembrando que no ano passado o país fez uma operação de 10 anos.

“A gente pode sim, surgindo oportunidade, fazer em dólar ou euro, é sim possibilidade. O Brasil tem fundamentos sólidos, reservas, não tem problemas, se necessário, tiver oportunidade e valer a pena podemos fazer”, acrescentou. Ele participou de uma conferência online promovida pela Câmara de Comércio Brasil-França.

Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, o Brasil poderá realizadar captação externa em dólar ou euro caso haja oportunidade.

O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, diz que o Brasil tem fundamentos sólidos para fazer captação externa — Foto: Edilson Dantas/Agência O Globo

No encontro, Mansueto voltou a indicar que não há espaço para tornar o auxílio emergencial em programa permanente e que o caminho deve ser melhorar o Bolsa Família, um programa que ele destacou que custa relativamente pouco e é bastante eficiente.

Ele voltou a dizer que a dívida pública pode chegar a 90% do PIB neste ano, mas ponderou que, diferentemente do passado, essa dívida será financiada com um juro real muito baixo, da ordem de 0,5% ao ano. “Alguém dizer isso há dois ou três anos seria considerado louco”, disse.

Mansueto ponderou, contudo, que esse financiamento se dá no curto prazo, porque os investidores estão cobrando prêmios de risco muito elevados para operações mais longas, o que tem feito o Tesouro evitar esse tipo de operação.

O secretário disse que este ano o déficit primário será alto por conta da reação à crise e neste governo não deverá voltar a ter resultados fiscais positivos. Mas reforçou a defesa do teto de gastos e a retomada do ajuste fiscal pelo lado da despesa no pós-pandemia, ainda que isso seja dificultado pelo fato de as despesas discricionárias já terem sido fortemente reduzidas nos últimos anos.

Segundo ele, é preciso abrir espaço, sem abrir mão do teto, para o investimento público, reduzindo outras despesas. Mesmo assim, pondera, não será suficiente para a necessidade do país. E, por isso, ele ressaltou a necessidade de reformas, como a tributária, para que o país aumente seu potencial de crescimento e possa ter uma expansão mais rápida do PIB para pagar a conta da crise nos próximos anos.

Ele voltou a defender a necessidade de se melhorar o diálogo político no Brasil de forma a se produzir consensos em torno da agenda de reformas. Para Mansueto, também é preciso buscar maior estabilidade de regras e uma maior integração às cadeias globais de produção.

Fonte: Valor Econômico

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