Como redes multidisciplinares e internacionais de estudos em estratégias de desenvolvimento sustentável pensam a era pós-COVID?

 

Entrevistamos Yann Briand, pesquisador em políticas de clima-energia-transportes do IDDRI – Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Relações Internacionais.

 

Instituições de pesquisa dedicadas à elaboração de propostas e instrumentos de ação ligados aos desafios climáticos são cada vez mais atores-chave de nossa sociedade. A exemplo do CentroClima da COPPE/UFRJ, seu parceiro francês IDDRI se destaca nessa atuação.

Em um ano que estavam previstas medidas mais ousadas do Acordo de Paris, a Covid-19 acrescentou desafios complementares aos da luta pela causa climática global, e essas instituições devem integrar seus impactos e perspectivas na elaboração de suas propostas em termos de estratégias, instrumentos e planos de cooperação, alinhadas com os imperativos da sustentabilidade.  

Diante dessa situação, quais são as oportunidades e alavancas para avançar nas transições climáticas, econômicas e sociais necessárias? Acompanhe a entrevista com Yann Briand, pesquisador em políticas de clima-energia-transportes no IDDRI,  na série especial de conteúdos da semana do Dia Mundial do Meio Ambiente.

 

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Quais são as principais missões do IDDRI e quais são as suas áreas de ação prioritárias?

Yann Briand:  O IDDRI é um think tank que reúne uma equipe multidisciplinar e internacional de cerca de quarenta pessoas que decriptam as questões ligadas à transição rumo ao desenvolvimento sustentável, oferecendo ferramentas para colocá-lo no centro das relações internacionais e das políticas públicas e privadas. A organização trabalha sobre cinco principais estratégias de intervenção: as trajetórias de desenvolvimento internacionais até 2050, compatíveis com o acordo de Paris; a renovação das políticas alimentares, agrícolas e rurais da Europa; a governança internacional da biodiversidade pós-2020; o fortalecimento da governança regional dos oceanos e a transição de estilos de vida.  Coordenamos também uma rede internacional de pesquisa sobre a construção de trajetórias nacionais de desenvolvimento de longo prazo compatíveis com o acordo de Paris, no âmbito da iniciativa Deep Decarbonization Pathways (ddpinitiative.org), cujo parceiro de pesquisa no Brasil é a COPPE / UFRJ.

 

Quais são os principais impactos da pandemia de COVID-19 neste programa? Como, neste contexto, acelerar uma transição ecológica e energética socialmente aceitável?

Yann Briand: Os planos de recuperação econômica após a crise da Covid-19 podem ser uma oportunidade para direcionar a redistribuição de economias para setores de futuro compatíveis com as questões climáticas globais. Será preciso ser capaz de orientar o apoio público às empresas que necessitam dele e acompanhá-las em suas transições caso suas atividades não sejam conciliáveis com uma economia de baixo carbono. As transformações ambientais são indissociáveis ​​das transformações sociais: as transições de nossas economias rumo a economias neutras em carbono só podem ocorrer se estiverem adequadamente articuladas com as necessidades sociais do país.

 

Que parcerias e ações estratégicas/estruturantes devem ser buscadas e / ou fortalecidas? Qual é o potencial da colaboração França-Brasil nesse contexto?

 Yann Briand:  O aquecimento global é um desafio internacional que requer a participação de todos os estados, regiões, cidades, empresas, cidadãos e organizações da sociedade civil. A construção de estratégias climáticas ambiciosas nacionais exige ferramentas para o diálogo e o engajamento entre todos esses atores da transição. O projeto Assessing low Carbon Transition- Deep Decarbonization Pathways (ACT-DDP) que estamos realizando atualmente no Brasil deve possibilitar o desenvolvimento de metodologias nesse sentido e fortalecer a ambição de estratégias setoriais de descarbonização setorial em nível nacional e empresarial. No Brasil, as empresas podem desempenhar um papel de liderança na luta contra as mudanças climáticas. Nosso trabalho, no âmbito do projeto ACT-DDP, visa notadamente contribuir para a análise de estratégias de negócios nos setores de produção de eletricidade, cimento e produção de carne em relação a trajetórias de transição nacionais ousadas, aderentes ao Acordo de Paris.

 

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