Sem reformas, crescimento brasileiro seguirá abaixo do potencial

O último Observatório Econômico realizado dia 28/3 na CCIFB sobre “Alcances e limites do crescimento econômico no Brasil” reuniu Vladimir do Vale do Crédit Agricole Indosuez, Gustavo Arruda do BNP-Paribas e Octavio de Barros, vice-presidente da CCIFB e da OMRBarros Consultoria Econômica.

O saldo líquido das três mensagens foi o relativo ceticismo sobre a capacidade de o Brasil crescer mais do que 2,5% ao ano em média nos próximos 10 anos.

Houve um reconhecimento de que não existe bala de prata para o crescimento econômico mais robusto mas sim um conjunto de fatores que, interrelacionados, favorecem (ainda que não determinem) o crescimento sustentável. Assim, é crucial a aprovação de reformas.

Dentre os fatores relevantes que precisam avançar no país, destacam-se: foco na desburocratização, melhora de segurança jurídica, simplificação e reforma do processo tributário, redução das políticas setoriais e mudança para políticas horizontais, privatização, aumento da competição bancária, redirecionamento do BNDES com foco nos projetos com grandes retornos sociais e externalidades positivas (energia renovável, educação “desempoeirada”, saneamento, saúde) e desejo firme de colocar na pauta maior abertura comercial e muitos acordos comerciais e uma agenda micro na direção certa.

Com relação ao curto prazo, a visão que prevaleceu no encontro foi a de que  Brasil está se arrastando sem um efetivo apetite reformista e insistindo em só discutir os velhos problemas e inventando problemas que sequer existem.

A prioridade é, sem duvida, a aprovação da reforma da previdência e as reformas para aumento da produtividade. Crescimento de 2019 está sendo revisado para algo entre 1,5% e 2% e o desemprego  seguirá alto. Boa notícia é a recuperação do crédito, a inflação reduzida e as taxas de juros estáveis em patamares historicamente baixos. Taxa de câmbio seguirá volátil, ao sabor do cenário externo (desaceleração global) e da viabilidade das reformas.

^