Dia Mundial do Meio Ambiente: o futuro das práticas empresariais diante do “novo normal”

Como o COVID-19 vai impactar no papel que se espera das empresas na sociedade? Qual será a expectativa dos investidores? Como a mudança se refletirá nos índices de sustentabilidade existentes hoje nas bolsas de valores? Para debater esses temas, a comissão de Bioeconomia da Câmara de Comércio França-Brasil (CCIFB-SP) realizou uma live, no dia 5 de junho, com um time de especialistas na área de meio ambiente.

 

De acordo com Fernando Tabet, coordenador da comissão, a criação da data de comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente completa 50 anos. Tabet iniciou o live ressaltando as perspectivas futuras para o chamado novo normal e que tipo de ferramentas as organizações podem usar para enfrentar a pandemia e, ao mesmo tempo, cuidar da sustentabilidade.

 

Para André Pereira de Carvalho, professor da FGV-EAESP e pesquisador do Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces), a chegada de pandemias como a que estamos vivendo hoje faz com que as empresas tenham que mudar a visão em relação às práticas sustentáveis. Segundo ele, será necessário fazer mais, usando menos recursos.

 

Quando biodiversidade é atacada, impacta no desequilíbrio das cadeias alimentares que é acelerada pela mudança do clima. Para Carvalho, grande parte da agenda para clima tem efeitos positivos para evitar pandemias. Segundo ele, a agenda do novo normal vai exigir que os acordos já efetuados como a preservação do clima e da biodiversidade sejam cumpridos, pois o impacto deles no desenvolvimento de novas doenças é enorme.

 

A especialista Tatiana Assali, gerente de Relações Institucionais do Centro Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), a palavra social é o que vai movimentar as organizações no pós-pandemia. Será necessário ter equilíbrio e maior foco nas ações de sustentabilidade. Tatiana ressaltou também que o desafio da entidade é ajudar as empresas a encontrar novas oportunidades e ferramentas que otimizem os projetos.

 

Já Eduardo San Martin, presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente da FIESP, ressaltou a mudança realizada pela indústria de São Paulo ao longo dos anos e a relevância da economia circular no desenvolvimento global de boas práticas. De acordo com Martin, a economia circular defende a criação de processos saudáveis e circulares na cadeia produtiva e de consumo. Trata-se de uma proposta de mudança em todo o mercado, do design de produtos até a relação com matérias-primas. O especialista sinalizou que para fomentar o tema, a FIESP realizaria, em março, a primeira edição do Fórum-Sulamericano de Economia Circular, que foi alterada para o segundo semestre por conta da pandemia.

 

Para Sonia Favaretto, presidente do Conselho Consultivo da GRI Brasil, é importante que as empresas entendam o relatório de sustentabilidade como um processo e não uma publicação. Segundo ela, diante das mudanças que a pandemia traz para as empresas, os relatórios se tornam um instrumento ainda mais relevantes para o investidor, que terá novas demandas de avaliação. Sonia ressaltou, ainda, que o Environmental, Social and Governance (ESG) vai nortear as organizações, pois refere-se aos fatores centrais na medição da sustentabilidade e do impacto social de um investimento em uma empresa ou negócio.

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