“Luxo de experiência” faturou US$ 1 trilhão em 2018

No ano passado, a indústria do luxo faturou US$ 1 trilhão de dólares no mundo. Os carros ocupam o primeiro lugar no ranking de vendas do setor. Em seguida, estão os produtos conhecidos como de luxo pessoal (joias, acessórios, relógios). Mas uma categoria vem chamando a atenção do mercado: a do luxo de experiência.

“Este segmento está entre as oito tendências globais de consumo para os próximos anos”, afirma Elton Morimitsu, especialista da Euromonitor líder mundial em pesquisas de mercado. “Cada vez mais o consumidor têm optado pela experiência e não apenas o produto físico, como por exemplo, comer em um restaurante no topo de uma montanha”, explica. O comportamento é mais observado em pessoas da geração dos millennials, nascidas do começo da década de 80 até meados de 90.

Elton Morimitsu e Guilherme Machado, também especialista da Euromonitor, estiveram na Comissão Mercado do Luxo da Câmara de Comércio França-Brasil, realizada no dia 27 de março, para comentar e analisar os últimos números do segmento no Brasil e no mundo.  Até 2013, a empresa estima um crescimento de 5% no setor na América Latina (Brasil, Argentina e México).

Em 2014, o Brasil perdeu o primeiro lugar para o México. “A recessão econômica foi a responsável por essa queda importante”, relata Machado. A companhia ainda estuda particularmente os indivíduos de alto patrimônio (HNWI), os potenciais consumidores de luxo ao redor do planeta. 65% deste público mora nos Estados Unidos, seguido por França e China. “A primeira notícia positiva para o Brasil é que as principais marcas de luxo estancaram as perdas e começam uma recuperação”, conta Machado.

Outro fator a ser observado, segundo os pesquisadores, é o consumo dos turistas brasileiros no exterior. Em 2018, os gastos com marcas de luxo nos Estados Unidos chegaram a US$ 3,5 bilhões de dólares. Isso mostra a capacidade que o país tem para crescer no setor. Em um ranking de atratividade para os próximos anos, o Brasil ocupa a 19ª posição. “Essa é a segunda noticia positiva para o país, que precisa atrair mais turistas, que têm escolhido passar as férias no México e na Argentina”.

Segundo Morimitsu, as marcas também precisam desenvolver estratégias para aumentar as vendas, como por exemplo, ter foco nos novos ricos, personalizar produtos e serviços e trabalhar o conceito “aquilo que o dinheiro não compra”.

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