Ministro de Minas e Energia vê Brasil como quarto exportador de petróleo em 2050

Por Denise Luna

 

Rio, 27/10/2020 – O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, estima que o Brasil vai se tornar o quarto exportador mundial de petróleo nos próximos trinta anos, e disse estar confiante na retomada dos leilões do setor no ano que vem, inclusive com a oferta das áreas da cessão onerosa que não foram vendidas no último leilão, em 2019.

 

Em evento promovido pela Câmara de Comércio Brasil-França (CCFI), Albuquerque informou a investidores franceses que o setor de petróleo e gás natural vai investir R$ 1,8 trilhão nos próximos dez anos. No final de 2020, o governo vai divulgar o Plano Nacional de Energia (PNE 2050), que passará a ser revisado a cada cinco anos, dando sinais para as oportunidades de investimento no Brasil.

 

Atualmente o Brasil ocupa a oitava posição no ranking dos exportadores de petróleo, e pretende subir à quinta posição até 2030. Mesmo assim, perguntado por um investidor, voltou a descartar a adesão do País à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

 

“O Brasil não tem vocação nenhuma para ser membro efetivo da Opep, porque a nossa atividade de exploração e produção é totalmente privada, e não teríamos como controlar o setor, somos responsáveis apenas pela política pública. Mas isso não impede ter diálogos com a Opep”, observou o ministro em um evento online promovido pela CCFI.

 

Ele destacou que a França tem 35% dos investimentos dos setores ligados ao seu ministério,  lembrando da compra da Transportadora Associada de Gás (TAG) pela Engie em meados do ano passado, a parceria na construção de submarinos – o segundo será entregue no final deste ano -, entre outros. Afirmou também que o programa nuclear brasileiro, um setor em que a França tem bastante experiência, vai prosseguir além de Angra 3, com previsão de atingir 10 gigawatts (GW) até 2050 – atualmente tem 1,9 GW e subirá para 2,3 GW com Angra 3 -, tendo como modelo a parceria que será feita em Angra 3, com epcistas, como referência.

 

Ele também descartou a possibilidade de o País enfrentar um novo apagão, como ocorreu em 2001, uma preocupação levantada pelos investidores presentes no evento com relação a uma eventual retomada forte da economia no pós-pandemia do Covid-19. Segundo o ministro, a retomada já foi iniciada.

 

“Posso tranquilizar a todos no que diz respeito a não haver possibilidade de apagão. No mês de abril teve redução de carga de 13%,  hoje estamos melhores do que estávamos em setembro. Em setembro, subiu 2% a demanda de energia em relação a 2019, e agora já está em mais 5% do que foi em outubro de 2019. Isso já indica a retomada de parte dos setores. Nos preocupava muito a inadimplência, que foi de quase 10%, e hoje é zero”, informou.

 

Mineração

 

Albuquerque afirmou que a área de mineração oferece grandes oportunidades de investimentos, já que apenas 0,6% do território brasileiro é explorado pelo setor. “O nosso planejamento no setor de mineração estava aquém das nossas possibilidades e aquém do que deve proporcionar para a nossa sociedade. Apresentamos um programa que vai até 2023, e estamos trabalhando plano de dez anos e outro de 30 anos, que vamos apresentar ano que vem”, informou.

 

Segundo Bento, o benchmark da mineração brasileira serão projetos como os desenvolvidos pela Vale em Carajás (PA), onde levou recentemente alguns embaixadores, inclusive o da União Europeia.

 

“A mineração contemporânea é sustentável e temos vários exemplos no Brasil. Carajás é a maior mina de minério de ferro do mundo e eles viram como é sustentável, como contribui para preservação do meio ambiente. E é essa mineração que a gente quer no País e está contemplada no programa que lançamos até 2023. Vamos desmistificar essa atividade como sendo predadora do meio ambiente”, afirmou o ministro, ressaltando que tragédias como a da Vale, em Brumadinho, ocorrida no ano passado, não voltarão a se repetir.

 

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