O que as Lawtechs e Legaltechs podem fazer pelo seu departamento jurídico?

O radar atualizado de 2019 sobre o número de Lawtechs e Legaltechs no Brasil é surpreendente. De acordo com a Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L) já são mais de 300 startups com inovações focadas para o setor jurídico. Em 2017 eram cerca de 51 iniciativas. Para debater as oportunidades desse novo cenário digital as comissões Jurídica e de Startup da Câmara de Comércio França-Brasil (CCIFB-SP) reuniram no Future Law Innovation Center (Flic), em 14 de maio, especialistas e empresários.

Segundo Ralff Tozatti, Chief Marketing Officer da Thomson Reuters, que é apoiadora do Flic, o primeiro desafio no Brasil foi desenhar um ecossistema de startups preparadas para conectar com as necessidades de soluções das grandes empresas. Ele afirma que hoje já são 12 startups trabalhando com inovações para o mercado jurídico.

A Juristec, startup que oferece recursos de tecnologia jurídica para redução de passivo e geração de resultados, mostrou como a tecnologia pode transformar a rotina do departamento jurídico. Para o CEO Rui Caminha, a redução de passivo e a geração de ganhos é realizada por meio de soluções exclusivas em jurimetria integrada e legal chatbot. Os sistemas modulares capturam, analisam, automatizam e predizem resultados processuais, além de utilizarem Inteligência Artificial para o consultivo jurídico.

Já a startup Sem Processo criou uma plataforma que torna as negociações entre empresas e advogados mais simples, rápida e direta. Cerca de dois anos após o início da operação, o sistema contabiliza uma média de 5 mil acordos fechados por mês.

A advogada Vanessa Rugai, especialista na implementação de projetos de inovação, apresentou dois cases da Leroy Merlin que se destacaram pela simplicidade em usar a analogia de um farol, indicando as cores verde, amarela e vermelha em um amplo e detalhado fluxo de ações elaborado em Excel. Segundo ela, é importante mostrar que ações simples e de baixo custo podem fazer toda a diferença nos resultados.

A equipe do Itaú também utilizou a tecnologia para resolver uma questão de grande impacto no banco: as inúmeras ações trabalhistas. Após a escolha de uma ação,  o ponto de trabalho, a empresa desenvolveu uma série de iniciativas internas. De acordo com Marcos Guermandi, quatro ações foram colocadas em prática. Uma campanha de marketing institucional, o bloqueio da estação de trabalho após a realização do ponto pelo colaborador, a inserção das possibilidades de concordância ou não na assinatura do espelho do ponto e o acompanhamento individual do colaborador.

Alexandre Zavaglia, CEO do Flic, também sinalizou a importância de uma equipe preparada para colocar as inovações oferecidas hoje pelas startups em prática. Na opinião dele, não há substituição do advogado e sim a necessidade de advogados com habilidades para atuar nesse cenário digital.

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