Retração do PIB pode chegar a 8%

Diante das incertezas geradas pelo COVID-19, a construção de cenários econômicos depende de três importantes fatores: a gestão da crise sanitária, as estratégias de desconfinamento e o ambiente econômico global. Para debater o tema, o Observatório Econômico da Câmara de Comércio França-Brasil (CCIFB-SP) reuniu os especialistas Octávio de Barros, vice-presidente da CCIFB-SP, Vladimir do Vale, do Crédit Agricole, e Gustavo Arruda, do BNP Paribas, durante Live, no dia 14 de maio.

Para Barros, o Brasil será um dos países do G-20 a ter maior dificuldade em sair da crise. Ele entende que quanto menos radical o isolamento social maior a demora na recuperação econômica. Brasil possivelmente chegará ao segundo ou terceiro maior número de mortes por coronavírus depois dos Estados Unidos e Reino Unido simultaneamente a uma forte recessão. O economista ressaltou que, diante do avanço da pandemia, da depreciação do Real em torno de 32% frente ao dólar esse ano (o dobro da depreciação média do conjunto dos emergentes) e das tensões políticas, a retração do PIB pode até mesmo superar os 8% mesmo com inflação e juros baixos. Para ele, 2021 será marcado por uma retomada tímida com crescimento da ordem de 3% a 4%. Entre os setores que serão menos afetados destacou: agronegócio, logística, financeiro, telecomunicações, plataformas de e-commerce, telemedicina, educação à distância entre outros. Os mais afetados estão nos setores de hospitalidade, lazer, restaurantes, turismo etc.

Para Vladimir Vale, a contração da economia será bastante severa, mas o economista ressaltou alguns pontos que podem favorecer a economia brasileira. As medidas de contenção da epidemia foram um pouco mais suaves em comparação com o que ocorreu na Europa e em boa parte dos EUA, o que pode fazer com que o impacto nesse momento mais agudo da crise seja menor. Vale considera também que a maioria das grandes empresas, que acessam o mercado de capitais, têm condições de sobreviver à crise. Outro aspecto positivo destacado foi a avaliação de que não há no momento risco bancário sistêmico.

Já o economista Gustavo Arruda destacou que a intensa recessão trará diversas consequências para emprego, inflação e fiscal. Depois da longa recessão de 2015 e 2016, a frágil recuperação desde então torna a situação da economia Brasileira particularmente sensível nessa crise. Nesse cenário, o PIB pode contrair ao redor de 7%, levando o desemprego a atingir novas máximas, enquanto a inflação deve permanecer abaixo da meta do Banco central. Com preços controlados, as políticas monetária e fiscal puderam entrar em campo. No lado fiscal, será importante também equilibrar o risco de solvência. De um lado, são necessárias medidas para auxiliar famílias e empresas a atravessar a crise; por outro, não pode haver exagero nos incentivos, sob o risco de causar uma crise fiscal no período pós pandemia.

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