Segurança hídrica: seis passos para garantir água para o seu negócio

Segundo a FAO, 80% da água utilizada em projetos de irrigação para agricultura é perdida por meio da evaporação

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 80% da água utilizada em projetos de irrigação para agricultura é perdida por meio da evaporação, inclusive no Brasil. Com as recentes crises vividas em São Paulo no reservatório da Cantareira, na Califórnia (EUA) e na Cidade do Cabo na África do Sul, o desperdício passou a ser visto como fator crítico para a segurança hídrica do negócio de muitas empresas.

As informações são de Hilton Lucio, CEO da Antea Brazil. O hidrologista  participou da reunião da Comissão de Infraestrutura da Câmara de Comércio França-Brasil de São Paulo (CCIFB-SP), no dia 19 de setembro. O último encontro do grupo discutiu a energia gerada a partir do lixo.

Segundo o especialista, a segurança hídrica é um tema com 41 séculos de história.

Lucio explicou que, em 2.100 A.C., surgiu o Código de Ur-Nammu, o primeiro a disciplinar o regime de água no Oriente Médio. Os egípcios já usavam processos de filtração, de fervura e de decantação para conseguir água potável. A primeira estação de tratamento surgiu na Escócia em 1804 e, somente em 1854, provou-se em Londres que a água contaminada provocava cólera.

As tecnologias de purificação em si só evoluíram a partir de década de 1970, com o uso do carvão ativado e das estações de tratamento por osmose reversa. Eram as únicas técnicas que poderiam garantir a descontaminação por metais pesados e por pesticidas, que ganhou relevância frente ao vertiginoso processo de industrialização daquele período.

A metodologia que o especialista Hilton Lucio recomenda para garantir a segurança hídrica de um negócio tem seis passos.

 

Primeiro Passo

Oferecer uma plataforma atraente para levantamento de recursos para investimentos  eficientes em bacias hidrográficas;

 

Segundo Passo

Desenvolver uma visão comum sobre segurança hídrica, que passe pelos conceitos de circularidade e de Water Stewardship, conforme as definições da World Wide Fund for Nature (WWF), da United Nations Industrial Development Organization (Unido) e da CEO Water Mandate.

 

Terceiro Passo

Contribuir com evidências científicas para ampliar os conhecimentos sobre segurança hídrica;

 

Quarto Passo

Influenciar positivamente nas decisões de governança de recursos hídricos;

 

Quinto Passo

Encorajar e conduzir a implantação de soluções naturais ou outros projetos novos em escala de bacia;

 

Sexto Passo

Congregar diferentes stakeholders para gerar articulação política sobre o tema e o projeto a ser implantado.

 

Hilton Lucio é otimista sobre a situação atual para a segurança hídrica. Cita o fato que uma melhoria de apenas 20% na eficiência dos projetos de irrigação na agricultura pode garantir água suficiente para o crescimento econômico futuro, a despeito dos números da FAO.

O hidrologista afirma ainda que as empresas finalmente perceberam que a segurança hídrica do seu negócio depende de uma visão extra-muros e que leve em conta toda a rede de fornecedores. Por fim, mas não menos importante, explica que a tecnologia sofreu um enorme barateamento nos últimos anos, com o acesso gratuito a imagens de satélites e a queda vertiginosa do preço dos sensores de umidade do solo. Para Hilton Lucio, não há somente luz, mas também água no fim do túnel.

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