Veja como começar a investir em criptomoedas

Há dez anos, um programador fez a primeira compra com criptomoedas. Adquiriu duas pizzas por 10 mil bitcoins. Se o dono da pizzaria guardou o montante, hoje valeria US$ 21 milhões. A enorme valorização desse tipo de ativo, baseado na tecnologia blockchain, é uma das explicações para o vertiginoso crescimento do mercado de moedas digitais.

As informações são de François Legleye, sócio-diretor da Kamea Investimentos, coordenador da Comissão Blockchain, da Câmara de Comércio Internacional França-Brasil de São Paulo (CCIFB-SP). O grupo realizou a sua primeira reunião no dia 27 de agosto que contou com a presença de Milton de Melo Santos, que foi presidente da Desenvolve SP e hoje é secretário executivo da secretaria da Fazenda e Planejamento do estado de São Paulo.

Segundo Legleye, existem disponíveis no mundo hoje 17,9 milhões de bitcoins. Dessas, 6 milhões estão em reservas e, aproximadamente, 12 milhões em circulação. Uma bitcoin vale cerca de US$ 10 mil. A demanda já não é pequena. Em todo o planeta, estima-se que 40 milhões de pessoas tenham carteiras digitais em seus smartphones.

Para operar como investidor no mercado de moedas digitais não é necessária grande especialização. Basta baixar, por exemplo, o aplicativo da Bread Wallet, uma carteira digital de criptomoedas no idioma português. O app, disponível em Android e IOS,  vai pedir para o usuário criar uma conta, criar um PIN com seis números e uma chave de papel (palavras aleatórias para recuperar a conta). Com isso, a carteira já pode entrar em operação. Os resultados serão QR Codes das transações efetuadas.

A ciência por trás dessa revolução é pura matemática. A criptografia do blockchain, com pilar na divisão euclidiana, é baseada na função módulo. Ou seja, na associação entre elementos de diferentes conjuntos. Em outras palavras, permite o cálculo rápido de chaves públicas de operação, mas torna praticamente impossível a conta regressa para descobrir a chave privada no qual os cálculos foram baseados. Além disso, os números estão enquadrados em curvas elípticas.

O blockchain é baseado também na função hash. Trata-se de uma equação matemática que é aplicada a um conjunto de dados e que produz um número único para esse grupo de informação. Assim, torna o conjunto de números no qual uma operação em criptomoeda é formado em algo com baixíssima possibilidade de ser encontrado.

Legleye acredita que até 2027 10% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial estará em criptomoedas. Segundo o especialista, a moeda digital tem qualidades únicas: autonomia das operações (elimina custo de intermediação), transparência, imutabilidade e descentralização. Características que nenhum outro meio de pagamento conta.

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