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CNP Assurances celebra 25 anos no Brasil e aposta em novos canais para expandir mercado de seguros

Executivos apontam baixa penetração, educação financeira e diversificação da distribuição como caminhos para destravar crescimento do setor
O mercado de seguros avança entre desafios históricos e novas possibilidades em um país onde a maior parte da população ainda não conta com proteção financeira estruturada, de acordo com dados do setor. Baixa penetração, desconhecimento sobre produtos e uma relação ainda distante com o consumidor convivem, hoje, com a digitalização, a diversificação dos canais de distribuição e a busca por soluções mais acessíveis, segundo especialistas.
Esse cenário tem colocado o Brasil no radar de grupos globais como uma das principais fronteiras de crescimento do setor. A trajetória da CNP Assurances, por exemplo, ajuda a traduzir esse movimento. Presente no País há 25 anos, a companhia francesa consolidou uma operação que hoje responde por cerca de 15% dos negócios globais do grupo e atende aproximadamente 12 milhões de clientes. Em 2025, a companhia teve um faturamento de aproximadamente R$ 35 bilhões no Brasil.
O tema foi discutido durante transmissão do Meet Point Estadão Think, mediado pela jornalista Camila Silveira, com a participação de Marie-Aude Thépaut, CEO global da CNP Assurances, e Maximiliano Villanueva, CEO da empresa para a América Latina. “A decisão de entrar no Brasil foi uma aposta audaciosa”, afirmou Marie-Aude. “Hoje, é um mercado central, que vai trazer crescimento para o grupo nos próximos 20 anos”, acrescentou.
Segundo a executiva, o modelo baseado em parcerias foi determinante para essa trajetória. No Brasil, a atuação ganhou escala com a Caixa Econômica Federal, principal canal de distribuição da companhia. “Para um grupo estrangeiro, foi o parceiro ideal para entender o mercado e a cultura do País”, observou Villanueva. A parceria, iniciada no começo dos anos 2000, foi renovada até 2046. “Isso nos deu uma visão de longo prazo”, pontuou.
Nos últimos anos, a companhia passou a combinar o modelo de atuação de sua parceria histórica com a Caixa com um padrãomais amplo no mercado aberto, por meio de sua marca própria, a CNP Seguradora, com capacidade de agregar valor a novos parceiros, como a XP, e ampliar seu modelo de multiparcerias por meio de canais de corretores e acordos de distribuição, a exemplo do recente acordo com a Embracon, que está em fase de análise pelas autoridades competentes. “O desafio não é apenas ter bons produtos, mas conseguir chegar ao cliente”, destacou Villanueva.
A estratégia acompanha um movimento mais amplo do setor, que busca ampliar a distribuição e simplificar a experiência do consumidor.
Potencial inexplorado
Mesmo com avanços nos últimos anos, o Brasil ainda apresenta baixa penetração. Segundo Marie-Aude, cerca de 75% dos brasileiros não possuem nenhum tipo de seguro. “Isso representa um risco, mas também uma oportunidade importante”, avaliou. “Temos um papel de explicar por que a proteção é relevante”, ressaltou.
Para Villanueva, ampliar o acesso passa necessariamente por educação financeira e por produtos mais inclusivos. “Parece simples, mas é muito difícil colocar em prática”, reconheceu. “Ainda existe uma certa estigmatização do seguro”, afirmou.
A companhia afirma ter cerca de 1,2 milhão de clientes em produtos inclusivos, voltados a ampliar o acesso à proteção na América Latina.
Impacto concreto
A atuação do setor ganha relevância, sobretudo em momentos de crise. Durante a pandemia, o grupo CNP foi o primeiro a pagar indenizações relacionadas à covid-19, mesmo sem obrigação contratual, beneficiando cerca de 35 mil famílias no Brasil.
Mais recentemente, nas enchentes do Rio Grande do Sul, a empresa registrou aproximadamente 8 mil sinistros, com indenizações que somaram R$ 240 milhões, somente no ramo habitacional. “A teoria precisa aparecer na prática, quando o cliente mais precisa”, concluiu Villanueva.
Para os executivos, o futuro do setor no Brasil passa por uma combinação de educação, inovação e proximidade com o consumidor. Em um mercado ainda em construção, o desafio não está apenas em crescer, mas em ampliar o acesso à proteção. “O Brasil é um mercado-chave para nós. Nossa ambição é crescer de forma duradoura, com impacto positivo sobre a sociedade”, afirmou Marie-Aude. O País é hoje vetor importante do novo plano estratégico global da companhia, o Lead for Impact, que tem como principal objetivo tornar o grupo referência mundial em performance e impacto.