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Empresas sem diversidade ficarão para trás: webinar da Comissão do Mundo do Trabalho discute inclusão na sociedade


Educador e jornalista Marcus Aurélio de Carvalho afirma que são inegáveis as vitórias quando pessoas sem e com deficiência ocupam os mesmos espaços, de forma inclusiva, no trabalho e nas escolas

A posição das pessoas com deficiência ao longo da história – e o papel das empresas sobre a questão – foi o tema do webinar “Inclusão: a cota dos bem cotados no mundo do trabalho”, promovido pela Comissão Mundo do Trabalho, da Câmara de Comércio França-Brasil (CCIFB). A palestra, realizada na segunda-feira (13), contou com mediação da vice-líder da comissão, Raquel Busnello.

O palestrante convidado foi o educador, jornalista e radialista Marcus Aurélio de Carvalho que, ainda criança, perdeu completamente a visão do lado direito – ele enxerga com 10% da capacidade do olho esquerdo. Isso não o impediu de se tornar jornalista, locutor e até mesmo repórter de esporte, cobrindo partidas de futebol com ajuda de óculos especiais e uma lupa telescópica.

Marcus é também coordenador da ONG Unirr, União e Inclusão em Redes e Rádio, referência na capacitação de profissionais de comunicação, jovens de comunidades carentes, pessoas com deficiência e entidades da sociedade civil que querem atuar em veículos de mídia.

Segundo ele, as companhias e a sociedade precisam espelhar a diversidade do mundo e se tornar cada vez mais inclusivas. “As empresas que não implantarem uma lógica inclusiva e acessível vão perder o trem da história”, afirmou.

Segundo Marcus, os próprios consumidores e o mercado vão exigir isso. “Pesquisas do início dos anos 2000 mostram que 10% dos consumidores já levavam em conta a responsabilidade social da empresa para escolher um produto”, salientou. “O mesmo comportamento do consumidor vale cada vez mais para a inclusão. A diversidade étnica, de gênero e de pessoas com deficiência da sociedade brasileira está representada na sociedade brasileira?”, questionou.

Mas essa inclusão, explicou, não é somente integração – etapa anterior na evolução da jornada das pessoas com deficiência na sociedade. “Primeiramente, no mundo ocidental, esses indivíduos eram descartados, até mesmo com eugenia. Depois, na idade média, houve, na maioria das sociedades, uma etapa de caridade – a chamada fase caritativa – na qual as pessoas com deficiência já não eram exterminadas, mas ficavam isoladas”, disse o radialista.

Só num terceiro momento é que elas passaram a ser integradas, mas ainda em uma lógica que percebia a deficiência como uma doença. “Uma evolução, mas não tinha sido criada na sociedade a ideia de que essas pessoas são gente como as demais e que a sociedade é que tem que se preparar para a convivência com a diversidade”, afirmou.

Atualmente, o conceito é o da inclusão. “Pessoas sem deficiência precisam conviver lado a lado com pessoas com deficiência. Todos têm a aprender e a ensinar. Daqui a 50 anos, quando se falar que havia escolas separadas para cegos e surdos, vai ser um choque. No mundo do trabalho, não haverá mais empresas em que os cegos, por exemplo, poderão apenas fazer uma função, separados dos demais”, disse.

Marcus, por sua vez, ressaltou a evolução da legislação sobre o assunto no Brasil e no mundo. Ele cita a Lei de Cotas promulgada em 1991, que estabelece reserva para pessoas com deficiência em empresas com mais de 100 empregados. Além disso, elogia a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, das Nações Unidas, documento ratificado pelo Brasil.

“Tudo isso levou ao estabelecimento da Lei Brasileira de Inclusão, de 2015. As empresas precisam de ajustes razoáveis e estrutura acessível. São recursos disponíveis com a tecnologia. Não queremos privilégios, apenas nossos direitos. Não somos heróis nem coitadinhos. Toda empresa deve animar, capacitar, promover, apostar e acreditar no talento de pessoas com as mais variadas deficiências. Essa postura é, como dizemos no slogan da Unirr, ‘atitude que inclui’”, afirmou Marcus.