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Inteligência artificial vs. ser humano? Webinar promovido pela Comissão Mundo do Trabalho discute habilidades do profissional do futuro

 

Professor Edgar Jacobs disse que, cada vez mais, vamos precisar buscar qualidades essencialmente humanas, como propósito, empatia e prazer

 

No futuro, todos os empregos serão ocupados por máquinas? Webinar promovido pela Comissão Mundo do Trabalho, da Câmara de Comércio França-Brasil (CCIFB), realizado no dia 21.06, discutiu como deverá ser o profissional e o cidadão do futuro. O evento “Competências e habilidades para pessoas à prova de máquinas” teve mediação da vice-líder da Comissão, Raquel Busnello, e participação da líder da Comissão, Sara Behmer.

Para debater o tema, a CCIFB convidou o advogado Edgar Jacobs, professor e coordenador dos cursos de pós-graduação da Skema Business School no Brasil. Ao abrir a palestra, Raquel ressaltou que a inteligência artificial está cada vez mais presente em nossa sociedade. “Somente a resiliência pode não ser suficiente nesse mundo novo que se apresenta”, acrescentou.

Jacobs, por sua vez, afirmou que, quando pensamos em IA, o que vem à mente é a figura de um robô no estilo ‘Exterminador do Futuro’, uma superinteligência que vai oprimir o ser humano. No entanto, ele frisou que essa não é a realidade que temos hoje.

Além disso, apontou que a grande questão é encontrar as qualidades e competências essencialmente humanas, que nenhuma máquina conseguirá desenvolver.  “Ter propósito e prazer é algo que a inteligência artificial não faz. Precisamos tirar qualidade desse diferencial”, explicou.

O professor disse ainda que as máquinas aprendem a se comunicar por um processo de otimização constante, ou seja, são carregadas com mais informação. Nesse processo, a inteligência artificial pode repetir padrões negativos da sociedade, como, por exemplo, preconceitos na hora de contratar alguém.

“Os seres humanos adotam um processo discursivo, a gente constrói nossos argumentos dialogando, discordando, com contraposição”, salientou Jacobs.

Sobre as habilidades do futuro, o palestrante disse que as crianças e os jovens vão precisar, além da formação nas disciplinas básicas, como matemática, português e história, ter conhecimento de temas mais modernos, como finanças e nutrição.

Mas não só: “Vamos precisar de uma nova alfabetização. A cada dia nos deparamos com coisas novas. Sabemos analisar e trabalhar dados, mas a quantidade de informações que existe é enorme. Em uma alfabetização do futuro é necessário entender como os dados são extraídos, como funcionam os algoritmos”.

O professor afirmou também que, em um mundo cada vez mais fluido, o profissional do futuro deverá pautar a sua atuação por uma rigorosa ética pessoal. “A modernidade é líquida, as coisas se desfazem rapidamente. A referência moderna do que é certo, do que eu devo fazer, é mais difícil. O fato de ter mais liberdade gera mais responsabilidade, precisamos fazer escolhas”.

Nesse sentido, o compliance nas empresas deixa de ser apenas o cumprimento da lei. “É impossível fiscalizar tudo. Por isso, o profissional precisa ser responsável por conta própria, pois, se não cumprir uma regra, pode causar um dano. É necessário responsabilidade por nossos atos, ter uma ética voltada para a sustentabilidade”, complementou.

Por fim, o palestrante disse que entre as habilidades e competências do futuro, para que os indivíduos agreguem valor para as empresas, estão empatia, responsabilidade e capacidade de colaboração, principalmente em equipes multiculturais.

“Precisamos ser cada vez mais humanos, ter flexibilidade, criatividade, senso crítico, entendimento sistêmico para pensar esse novo mundo, autocontrole, adaptabilidade e resiliência. Habilidades humanas que as máquinas não têm”, afirmou Edgar Jacobs.

Perdeu o webinar? Assista o evento na íntegra: