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Setor digital viveu excessos e 2023 será ano do reequilíbrio, diz CEO do Grupo Stefanini em evento da Comissão de Tecnologia e Inovação da CCIFB

 

Entidade promoveu webinar para discutir tendências e desafios do setor de tecnologia na atual conjuntura econômica

 

Em um cenário de aceleração da digitalização e juros baixos vividos durante a pandemia, o setor de tecnologia cresceu. O salto, no entanto, não era sustentável. Agora, o mercado passa por um processo de reequilíbrio – espécie de dieta após os excessos. Essa é a visão de Marco Stefanini, CEO e fundador do Grupo Stefanini, que participou, nesta terça-feira (25), de evento promovido pela Câmara de Comércio França-Brasil (CCIFB).

Em tom informal e aberto para perguntas dos convidados, o webinar “Tendências e Desafios da Área de Tecnologia 2023” teve mediação de Márcio Tabach, líder da Comissão de Tecnologia e Inovação da CCIFB.

“Dentro dessa aceleração com a pandemia, vem a questão de juros muito baixos e uma maior abundância de dinheiro e investimento. No final de 2020 e 2021, tem um hype de valuation de empresas digitais, que, na minha opinião, foi, em muitos casos, exagerado”, disse o fundador do Grupo Stefanini, empresa com 36 anos de atuação na área de tecnologia e soluções digitais.

Para o CEO, esse excesso de liquidez tornou os empreendedores menos criteriosos e atentos a determinados fundamentos econômicos: “Em 2022, ocorreu uma acomodação, o que não vejo como algo ruim, mas como oportunidade de amadurecimento das startups. Muitas empresas com ideias disruptivas conseguiram implementar. Em outras, houve euforia que acabou prejudicando”.

E 2023? Segundo Stefanini, será o ano do reequilíbrio: “Vai ter uma peneira, o que é normal. Isso não significa que será um ano difícil para as empresas de tecnologia que realmente têm soluções que agregam valor e capacidade de execução”.

Além disso, o CEO apontou que, quanto mais próxima do consumidor é a inovação digital, como no varejo, maior é o impacto da transformação. Outra característica a influenciar a velocidade das mudanças é a regulação: “Nos setores de tecnologia, marketing, mídia e varejo o impacto é enorme. Em saúde, o ritmo é outro, pois uma maior regulação, que é necessária, protege mais o setor”.

 

Ficaremos todos desempregados?

Em relação a grande sensação do momento, a inteligência artificial generativa – base de aplicações como o Chat GPT e MidJourney – o presidente do Grupo Stefanini disse que a tecnologia apresenta avanços impressionantes, mas que ainda produz “alucinações” em seus resultados, por isso o fator humano é imprescindível.

“É um salto brutal, que assusta, algo que deve ser levado a sério, mesmo trazendo um monte de besteira, que a gente chama de alucinações. O que, no fundo, é bom, pois não vai eliminar o ser humano”, afirmou. De acordo com Stefanini, a parte de texto do Chat GPT é muito poderosa, mas, em relação aos números, ainda é preciso cuidado.

“Não vamos ficar todos desempregados, mas teremos empregos mais qualificados. A parte básica, como programadores júnior, por exemplo, poderá em boa medida ser substituída. A quantidade de pessoas necessárias para determinadas atividades vai diminuir, mas, até agora, o fator humano é indispensável para refinar o trabalho”, avaliou.

 

Assista o webinar na integra: