São Paulo Entrevistas

CCIFB-SP entrevista | 8 de março – Dia Internacional da Mulher

 

O Dia Internacional da Mulher surgiu em 1909, como forma de homenagear um evento ocorrido um ano antes, em Nova York. Na ocasião, 15 mil mulheres protestaram por salários igualitários, redução de jornadas de trabalho e pelo direito ao voto. De lá pra cá, as mulheres conquistaram muitos direitos, mas ainda há um longo caminho a percorrer.

Neste 08 de março, convidamos algumas mulheres que ocupam cargos de liderança em suas empresas e fazem parte da Câmara de Comércio França-Brasil para falar sobre equidade de gênero e a importância de se ter uma data para celebrar as conquistas femininas.

Para Corinne Fontenelle, diretora executiva nacional da Câmara de Comércio França-Brasil, o Dia Internacional da Mulher é significativo em diversos âmbitos: “é uma das datas de maior importância para o empoderamento, a valorização e o respeito da mulher no mundo, pois abrange o papel dela em todas as esferas, não apenas profissional, mas também social, cultural, política e familiar. Relembra o quanto ainda há por fazer para lutar contra todas as formas de discriminação e violências que existem nessas esferas.”

Além de celebrar, esse momento também pode ser motivo de contemplação, como é o caso de Erika Medici, CEO da AXA e diretora/D&I nacional da CCIFB. “Trata-se de uma data importante para comemorar conquistas. Esse é um dia para refletir sobre o que conquistei e o que ainda desejo e preciso fazer, até mesmo para contribuir com outras mulheres.”

Embora as conquistas possam (e devam) ser comemoradas, as mulheres ainda enfrentam alguns desafios, principalmente aquelas que ocupam cargos de liderança.

“A mulher líder precisa lidar e superar padrões e percepções externas, preparar estratégia para quebrar barreiras para ser vista como potencial, como tomadora de decisão. O líder é aquele que consegue ter uma posição inspiracional, de influência e de empatia, o que, de forma generalizada, percebo que, naturalmente, as mulheres adotam. No entanto, a liderança, passa também por desenvolver e sustentar conversas difíceis, manter posicionamento, manter tomada e defesa de posição divergente, o que, em alguns casos, numa educação e sociedade, mais machista, pode ser pontos a serem trabalhados e superados. A voz da mulher precisa ter peso igual à dos homens”, afirma Chantal Pillet, diretora de compliance do Carrefour e diretora/DPO nacional da CCIFB.

Corinne completa dizendo que preconceitos e vieses ocultos ou inconscientes ainda existem em muitas organizações e isso, na maioria das vezes, impede que mulheres tenham acesso às mesmas oportunidades que os colaboradores do gênero masculino.

Em muitas empresas, o Dia Internacional da Mulher serve apenas como pano de fundo para discussões de equidade de gênero. Mas, em outras organizações, esse tema não é só discutido, ele também é colocado em prática, como é o caso da AXA. Erika conta que, após anos de trabalho árduo, as políticas de diversidade de gênero estão muito fortalecidas. Atualmente, as mulheres representam a maioria no quadro da empresa, sendo 52% dos colaboradores e 47% dos líderes. “Mas sabemos que isso precisa ser realidade também em um número maior de empresas”, complementa a CEO.

Na opinião de Chantal, uma cultura corporativa inclusiva e igualitária é necessária, não somente para o mundo, mas também para a sustentabilidade dos negócios. Para que o tema diversidade e inclusão seja disseminado por todo ambiente organizacional, ele deve ser pauta de todas as áreas e não limitada apenas aos times de diversidade ou grupos de afinidade. “A coragem e o compromisso de todos com a mudança do ambiente e cultura corporativa é a chave do sucesso para a igualdade de gênero nas empresas”, ressalta a diretora.

Para a CEO da AXA, nada acontece da noite para o dia. Companhias que desejam dar mais visibilidade ao protagonismo feminino devem seguir algumas etapas. “As empresas devem fazer deste um propósito, que precisa ser tradicional por meio de compromissos públicos e políticas corporativas. Esses são os passos iniciais. A partir dessa base, é necessário estimular práticas, comentar grupos de afinidades, promover ações educacionais, de reconhecimento”, finaliza Erika.

Para quem se inspira em Chantal e deseja seguir os mesmos passos da diretora de compliance, ela define sua profissão através de dois pilares fundamentais: preparação e resiliência. A preparação psicológica, emocional, técnica e familiar ajuda a lidar com a pressão, ansiedade e desafios do mundo corporativo e a resiliência faz a profissional de compliance se apegar aos próprios valores e ao seu propósito. “E a resiliência é ponto chave para manutenção da carreira”, conclui.

Corinne encerra com um conselho valioso para meninas e mulheres que almejam ter sucesso em suas carreiras: “Não se deixe intimidar por chefes ou colegas que, porventura, venham desprezá-la ou diminuí-la. Sempre haverá! Apoie-se em colegas, chefes, ex-chefes, gestores e busque conselhos junto àqueles que a valorizam”.