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França reforça aposta no Brasil e mira novo ciclo de investimentos

Empresas francesas ampliam sua presença e reafirmam a confiança no potencial de longo prazo da economia brasileira

A Câmara de Comércio França-Brasil (CCIFB) promoveu nesta sexta-feira, em parceria com o escritório TozziniFreire, um almoço-debate com o Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, dedicado ao tema "Política Industrial e Acordos Comerciais". 

O encontro reuniu representantes de empresas francesas com operações no Brasil para discutir os desafios e oportunidades para o fortalecimento da competitividade industrial brasileira. 

A França é o segundo investidor estrangeiro no Brasil, atrás apenas dos Estados Unidos, e o primeiro empregador, com empresas que atuam há décadas nos setores de infraestrutura, energia, indústria, mobilidade, logística, saúde e serviços. Esse compromisso foi recentemente reforçado pelo anúncio de aproximadamente R$ 100 bilhões em investimentos adicionais até 2030, demonstrando a confiança de longo prazo das empresas francesas no potencial da economia brasileira.

Essa presença também se traduz em investimentos relevantes em infraestrutura e tecnologias estratégicas, contribuindo para a modernização da economia e dos serviços essenciais brasileiros. 

Nesse contexto, a Câmara de Comércio França-Brasil reafirma seu apoio ao Acordo Mercosul-União Europeia, entendendo que sua implementação será fundamental para ampliar o comércio, os investimentos, a integração produtiva e a inserção do Brasil nas cadeias globais de valor. Trata-se de um acordo baseado em regras claras, reciprocidade e concorrência equilibrada, capaz de fortalecer a competitividade das economias de ambos os blocos. 

O avanço da integração internacional deve ocorrer paralelamente ao fortalecimento da base industrial brasileira. Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a participação da indústria de transformação no PIB brasileiro caiu de 35,9% em 1985 para 13,7% em 2025, evidenciando uma perda relativa de competitividade que afeta a capacidade de geração de empregos qualificados, inovação e crescimento sustentável. 

Diante desse cenário, a CCIFB considera a Nova Indústria Brasil (NIB) um instrumento estratégico para promover a reindustrialização do país, estimular investimentos produtivos, fortalecer cadeias de fornecedores, acelerar a inovação tecnológica e criar condições para uma retomada sustentável da competitividade industrial brasileira. 

A contribuição das empresas francesas para essa agenda também se reflete em iniciativas de cooperação com o MDIC voltadas à descarbonização e à modernização industrial. Estudos recentes demonstram que ativos estratégicos do Brasil, como sua matriz elétrica renovável, o potencial do hidrogênio de baixo carbono e sua base industrial diversificada, podem impulsionar ganhos de produtividade, inovação e competitividade, reforçando o potencial do país como referência global em indústria sustentável. Para isso, serão fundamentais o avanço da digitalização, da inovação e de políticas alinhadas aos objetivos da Nova Indústria Brasil. 

Para que esse cenário se concretize, contudo, é imprescindível avançar em inovação, eficiência e digitalização, além de fortalecer parcerias público-privadas e políticas orientadas pela demanda, alinhadas às diretrizes da NIB. A previsibilidade regulatória e a valorização do investimento produtivo de longo prazo são elementos fundamentais para o sucesso dessa agenda. 

Ao mesmo tempo, a indústria instalada no Brasil enfrenta um ambiente internacional marcado por crescentes assimetrias competitivas. 

Por um lado, o aumento das barreiras comerciais em importantes mercados globais, incluindo as recentes medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos, representa um desafio adicional para a competitividade das exportações brasileiras. Em paralelo, no mercado nacional e regional (Mercosul), a indústria estabelecida no Brasil em segmentos como automotivo, veículos comerciais, equipamentos industriais, mobilidade ferroviária e bens de capital, enfrenta uma concorrência predatória de produtos importados, essencialmente da Ásia, provenientes de economias que adotam amplos mecanismos de apoio estatal, subsídios, financiamentos favorecidos e outras políticas que frequentemente geram distorções nas condições de mercado. 

Nesse contexto, a Câmara de Comércio França-Brasil defende a adoção de mecanismos legítimos de política industrial e defesa comercial que assegurem condições isonômicas de concorrência e valorizem os investimentos produtivos de longo prazo realizados no Brasil. 

Empresas que produzem, investem, inovam, transferem tecnologia, desenvolvem fornecedores locais e geram empregos qualificados devem competir em bases equitativas, sem serem prejudicadas por distorções decorrentes de subsídios ou políticas públicas altamente intervencionistas adotadas por economias concorrentes. 

Preservar esse ambiente é essencial para fortalecer a confiança dos investidores, ampliar a capacidade produtiva nacional e atrair novos investimentos industriais. 

A Câmara de Comércio França-Brasil reafirma sua disposição de continuar trabalhando em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para fortalecer a indústria nacional, ampliar a competitividade do país e promover o desenvolvimento econômico sustentável de longo prazo.

 

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