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Novo paradigma da NR-1 marca debate sobre riscos psicossociais

Evento da Comissão Mundo do Trabalho & Saúde discute saúde mental e os principais desafios de RH e governança para as organizações a partir de 2026

A CCIFB-SP organizou, no dia 3 de setembro, o evento “Riscos psicossociais: um novo olhar para as organizações”, promovido pela Comissão Mundo do Trabalho & Saúde. O encontro reuniu especialistas, empresários e profissionais de RH para discutir um dos temas mais urgentes do ambiente corporativo atual: a saúde mental no trabalho e os impactos das normas regulamentadoras sobre a gestão de riscos psicossociais.

Realizado na sede da Câmara, em São Paulo, o encontro promoveu um diálogo sobre como as empresas podem se preparar para lidar com fatores como sobrecarga de trabalho, assédio moral e sexual, falta de autonomia, insegurança no emprego, conflitos interpessoais e desequilíbrio entre esforço laboral e recompensa salarial. Somados, aspectos como esses colaboram para que, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 840 mil mortes associadas a riscos psicossociais ocorram no mundo anualmente.

A mediação ficou a cargo de Raquel Busnello e Sara Behmer, líder e vice-líder da Comissão Mundo do Trabalho & Saúde. Participaram como palestrantes Marcus Brumano, sócio e head da área trabalhista da Castro Barros Advogados; Lana Salles Ferreira, diretora executiva de RH LATAM da GL Events; e Rachel Araujo, especialista em consultoria preventiva e de programas de capacitação para líderes e gestores.

Rachel Araujo abriu as discussões destacando que o trabalho não é apenas fonte de renda, precisa ser encarado também como um espaço de pertencimento. “Somos seres integrais, não conseguimos compartimentar tudo”, afirmou. Ela alertou que metas inatingíveis podem ser consideradas riscos ocupacionais e criticou a visão reducionista de que a NR-1 se resume a um questionário. “Nós crescemos normalizando abusos”, disse, defendendo a capacitação de lideranças como ferramenta essencial para a prevenção. No fim da fala, um dado preocupante: em 2024, foram registrados 462 mil afastamentos por saúde mental, mas, no ano seguinte, houve um aumento de 69%.

Já Marcus Brumano trouxe uma análise jurídica do cenário atual. Explicou que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em junho de 2026, suspendeu sanções por 90 dias, mas não eliminou as obrigações legais das empresas em relação à gestão de riscos psicossociais. Listou também os principais fatores de risco para o problema e destacou que o Brasil é o país mais ansioso do mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Brumano também mencionou que apenas empresas com GRO/PGR podem ser autuadas em relação à NR-1, e citou as Leis 14.457/2022 e 14.611/2023, que tratam de CIPA e programas de diversidade, respectivamente. Por fim, ainda alertou sobre as ações regressivas do INSS: se o trabalhador se afastar por questões de saúde mental e a empresa não estiver compromissada com a adequação às normas, o INSS pode cobrar de volta o valor dos benefícios pagos.

Lana Salles Ferreira trouxe a perspectiva do RH, destacando que o burnout é uma doença que se estende para além do trabalho. Ela abordou o impacto das redes sociais e da competitividade na saúde mental dos colaboradores. “Em geral, problemas emocionais não são ditos, as pessoas não querem se expor”, afirmou.

Mais do que um debate técnico, o evento reafirmou o compromisso da CCIFB-SP em promover discussões que impactam diretamente o ambiente de negócios e a qualidade de vida dos trabalhadores. A troca de experiências entre os participantes evidenciou que a gestão de riscos psicossociais não é apenas uma obrigação regulatória, mas uma estratégia essencial para a sustentabilidade das organizações

A Câmara agradece a presença de todos os associados, parceiros e convidados que participaram desta edição e contribuíram para o fortalecimento do diálogo sobre saúde, segurança e bem-estar no ambiente corporativo.

 

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