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Otimismo, ainda que com cautela: Observatório Econômico da CCIFB promove debate para discutir início do governo Lula e rumos do Brasil

 

Agenda fiscal, inflação e crescimento são pontos positivos, mas capacidade de gerar receitas é ponto sensível para futuro, apontam economistas do BNP Paribas

O Observatório Econômico da Câmara de Comércio França-Brasil (CCIFB) realizou, no dia 05.07, webinar para analisar os seis primeiros meses do governo Lula, assim como as perspectivas para o futuro. O vice-presidente da CCIFB de São Paulo, Octávio de Barros, foi o mediador do evento, que também contou com a participação do presidente da CCIFB do Rio de Janeiro, Patrick Sabatier.

Novo líder do Observatório, Gustavo Arruda, economista-chefe para América Latina do BNP Paribas, foi um dos palestrantes, ao lado de Laiz Carvalho, economista para o Brasil da instituição, e de Andressa Castro, economista-chefe do BNP Paribas Asset.

Ao abrir o webinar, Arruda procurou localizar o Brasil dentro de um contexto global. “A percepção é de que o Brasil e a América Latina vieram do futuro. Tudo acontece aqui primeiro”. O economista esclareceu: “A inflação e os juros subiram aqui antes, e, agora, vamos cortar os juros antes de todo mundo”.

A inflação está desacelerando mais rápido do que previsto no mundo todo, o que é uma boa notícia, salientou Arruda. Por outro lado, o Brasil deve estar preparado para um arrefecimento do crescimento econômico global no segundo semestre.

Ao falar do cenário brasileiro, Laiz Carvalho disse que os seis primeiros meses do governo surpreenderam positivamente, notadamente o processo de desinflação. Já o PIB, puxado pelo agro, avançou 1,9% no primeiro trimestre.

“Além disso, as coisas estão caminhando rápido no Congresso. O mercado gostou do arcabouço fiscal, apesar de algumas preocupações com a execução”, acrescentou.

A palestrante ressaltou que o governo apresentou medidas para tentar aumentar receitas, assim como de retorno de impostos – não tão percebidas pelo consumidor devido à desaceleração da alta dos preços. O objetivo é manter a trajetória fiscal mais controlada possível. Outro ponto importante é a reforma tributária, em votação no Congresso.

“O arcabouço regula o crescimento das despesas de acordo com a receita. Por isso esse esforço tão grande do ministério da Fazenda”, disse a economista.

O governo precisa de caixa para programas sociais, que visam combater a desigualdade, e para promover programas de moradia e infraestrutura. O ponto de preocupação, segundo Carvalho, é o quanto essas receitas vão subir ao longo do ano que vem.

“Se o Brasil crescer o que o governo está esperando, cerca de 2,3%, a âncora fiscal pode ser atingida. Se crescer menos, o que é um pouco o nosso cenário, não poderá gastar tudo que está projetado”, explicou.

A projeção do BNP Paribas é de crescimento do PIB de 2,5% em 2023. Para 2024, a expectativa é de alta entre 0,5% e 1%, ainda sob reflexo dos juros altos – que devem começar a cair a partir de agosto, terminando o ano em 12%, até chegar a 10% em meados de 2024. Para a inflação, a instituição espera que o índice encerre neste ano em 4,7% – e, em 2024, em 4,2%.

A Asset do BNP tem uma visão trocada em relação ao crescimento da economia. Para 2023, a projeção é de alta de 2%, enquanto que, para o ano que vem, a previsão é de crescimento de 1,8%.

Segundo Andressa Carvalho, essa projeção maior para o ano que vem se deve ao afrouxamento da política monetária, com possibilidade dos juros caírem para menos de 9%. “Além disso, teremos um custo de energia baixo, com o fenômeno El Niño trazendo chuva e ajudando nesse sentido. O risco principal é uma recessão lá fora”, explicou.

A economista disse também que a preocupação do mercado com a dinâmica da relação entre governo Lula e Congresso diminuiu: “As dúvidas que o mercado tinha do governo reverter mudanças feitas ficaram mais de lado, como mexer na reforma trabalhista, autonomia do Banco Central e privatização da Eletrobras”.

Castro afirmou ainda que, no aspecto fiscal, o principal objetivo do arcabouço é evitar uma trajetória explosiva de dívida/PIB no longo prazo: “Na pior das hipóteses, vamos rodar com um crescimento real de gastos de 2.5% por ano”.

A economista ressaltou que zerar o déficit primário em 2024, meta do governo, é algo muito difícil, tendo em vista que seria preciso arrecadar R$ 100 bilhões. Por outro lado, disse que a agenda de reformas está caminhando.

“Há uma descrença de que o governo cumpra a meta, mas, se chegar perto, já é um aspecto positivo”, ponderou.

 

Perdeu o webinar? Assista abaixo o evento na íntegra: