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CCIFB-SP debate IA Generativa e os desafios do futuro do trabalho desejável

Comissão Mundo do Trabalho reúne especialistas que apontam o papel central do RH na integração entre tecnologia e cultura organizacional
A Comissão Mundo do Trabalho da CCIFB-SP promoveu um encontro dedicado à discussão dos impactos da Inteligência Artificial Generativa na transformação das organizações e no futuro do trabalho. O evento reuniu lideranças empresariais, profissionais de Recursos Humanos, consultores e especialistas para refletir sobre como as empresas podem equilibrar eficiência operacional, desenvolvimento humano e transformação cultural em um cenário cada vez mais impulsionado pela tecnologia.
A abertura e moderação do debate ficaram a cargo de Raquel Busnello, líder da Comissão Mundo do Trabalho, e Sara Behmer, vice-líder da Comissão, que conduziram as discussões sobre o papel estratégico do RH diante das novas dinâmicas organizacionais criadas pela IA.
O primeiro painel foi conduzido por Herman Bessler, empreendedor, economista e especialista em transformação digital, que trouxe uma visão ampla sobre os múltiplos futuros do trabalho possíveis diante da aceleração tecnológica. Segundo o palestrante, a Inteligência Artificial não representa apenas uma evolução tecnológica, mas uma mudança estrutural na forma como as organizações operam, tomam decisões e desenvolvem pessoas.
Bessler destacou que a IA Generativa ampliou significativamente o acesso à tecnologia ao permitir que qualquer pessoa interaja com sistemas avançados por meio da linguagem natural. Para ele, a discussão não deve se concentrar em impedir ou acelerar a adoção da IA, mas em construir modelos de trabalho que sejam desejáveis tanto para as empresas quanto para os profissionais.
Durante sua apresentação, o especialista reforçou que a transformação não acontece apenas pela implementação de ferramentas, mas pela capacidade das organizações de promover mudanças culturais profundas. Segundo ele, o sucesso depende da criação de incentivos, do desenvolvimento de novas competências e do engajamento das pessoas, uma vez que “ninguém muda contra a própria vontade”.
Outro ponto de destaque foi a necessidade de as empresas prepararem-se para conviver com equipes híbridas, compostas por profissionais e agentes digitais baseados em IA. Nesse contexto, o RH assume um papel central na construção de modelos de governança, desenvolvimento e gestão capazes de integrar tecnologia e pessoas de forma sustentável.
Na sequência, Cristiane Louzada apresentou a experiência prática da Accor na implementação da IA dentro da organização. A executiva compartilhou a jornada de adoção da tecnologia pela área corporativa da empresa, demonstrando como o processo foi estruturado para estimular o aprendizado, a colaboração e a inovação entre os colaboradores.
Segundo Cristiane, a transformação começou com um diagnóstico detalhado sobre o nível de maturidade digital das equipes, identificando conhecimentos, necessidades e oportunidades de aplicação da IA em diferentes áreas. A partir desse mapeamento, foram desenvolvidos programas personalizados de capacitação, focados em desafios reais do dia a dia dos profissionais.
A executiva ressaltou que a adoção da tecnologia não ocorreu por imposição hierárquica, mas de forma orgânica, impulsionada pelo compartilhamento de experiências entre os próprios colaboradores. À medida que os ganhos de produtividade passaram a ser percebidos, novas áreas da empresa passaram a solicitar apoio para iniciar suas próprias jornadas de transformação.
Entre os resultados observados, Cristiane destacou a redução significativa do tempo dedicado a tarefas operacionais, permitindo que as equipes direcionassem seus esforços para atividades mais analíticas, estratégicas e de maior valor agregado. Além disso, a iniciativa fortaleceu o protagonismo dos colaboradores, ampliando sua capacidade de inovação e resolução de problemas.
Ao longo do encontro, ficou evidente que a Inteligência Artificial Generativa não deve ser encarada apenas como uma ferramenta tecnológica, mas como um elemento capaz de impulsionar mudanças culturais profundas dentro das organizações. Os palestrantes convergiram na visão de que o futuro do trabalho desejável dependerá da capacidade das empresas de integrar tecnologia, liderança e desenvolvimento humano de forma equilibrada.
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