São Paulo Entrevistas

CCIFB-SP entrevista | Março mês das mulheres

Beatriz Lacaz e Catherine Petit foram as escolhidas para encerrar o especial mês da mulher

 

O mês da mulher se encerra, contudo, as questões sobre equidade de gênero são extremamente importantes e devem ser discutidas sempre que possível e não apenas no mês de março.

Convidamos mais duas diretoras da Câmara de Comércio França Brasil para falar de suas vivências no mundo corporativo e dar conselhos para inspirar outras mulheres: Beatriz Lacaz é CEO da Société Générale e Catherine Petit é Managing Director da Moët Hennessy do Brasil.

Catherine Petit conta que, com o passar do tempo, o Dia Internacional da Mulher ganhou um novo significado em sua vida: “Até pouco tempo atrás, eu achava que não fazia sentido esse dia, mas hoje considero uma data especial, que merece ser comemorada como comemoramos um aniversario, um evento especial. Este ano tivemos lindas comemorações no decorrer do mês de março na Moët Hennessy, celebrando mulheres incríveis que marcaram a história do Brasil. Um mês que será lembrado!”

Para Beatriz Lacaz, essas questões sempre foram muito pertinentes: “Como esse assunto sempre foi muito importante para mim, busquei participar de iniciativas de Diversidade com frequência. Eu acredito que as empresas devem buscar desenvolver projetos voltados a promover a diversidade e a equidade em seus times e, também, na sociedade onde está inserida”.

Por ocuparem cargos de liderança, elas têm uma visão mais ampla sobre o que as empresas podem fazer para fomentar um ambiente corporativo mais igualitário.

“Os líderes devem deixar muito claro a vontade das organizações em evoluir para terem mais equidade e explicitar esse objetivo dentro da estratégia da empresa, mesmo que isso signifique admitir que hoje não é o caso! Humildade e vontade de mudar as coisas tem que vir de cima”, afirma Petit.

Na Société Générale, equidade de gênero sempre foi um tema olhado de perto: “Localmente, em 2009, lançamos o SG Brésil Carrière au Féminin, um programa de desenvolvimento de mulheres dentro do Grupo SG Brasil, em que tive a oportunidade de participar da 1ª edição e depois como mentora das edições seguintes”, explica a CEO.

Sem dúvida, estamos caminhando para um ambiente corporativo mais justo e igualitário para as mulheres, visto que, algumas empresas estão implementando políticas de apoio, como a Société Générale. Contudo, ainda temos algumas barreiras. Na visão de Beatriz, os maiores obstáculos são os vieses e preconceitos, que só serão quebrados com ações efetivas das empresas, dos governos e da sociedade em geral, que devem apoiar e valorizar as profissionais mulheres. Para Catherine, o maior empecilho é a síndrome do impostor gerada por uma sociedade patriarcal que ainda não aceita a capacidade de uma mulher para assumir um cargo de liderança e que afeta as profissionais.

A Managing Director da Moët Hennessy do Brasil tem alguns conselhos para mulheres que almejam, assim como ela, ser uma referência em suas carreiras: “Desenvolva conexões e crie uma rede sólida de aliados para trocar ideias, preocupações, dúvidas. Seja você mesma, a autenticidade é a chave para obter o respeito e a adesão do time. E o mais importante, sempre reserve um tempo para si, para refletir, se energizar, se abrir para outras coisas, passar mais tempo em família ou com amigos. Quem fica 100% ligada não consegue segurar muito tempo a pressão de lidar com os problemas do cotidiano”.

“Eu acredito que o Dia Internacional da Mulher, assim como outros dias referentes a outras questões de diversidade que temos ao longo do ano, são momentos de reflexão e servem também como ações propulsoras de mudança. É claro que a busca pela equidade de gênero não deve, e nem pode, ficar restrita apenas a esse dia, mas a mobilização é importante para trazer luz ao tema e abrir portas para a mudança”, finaliza Beatriz.