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CCIFB-SP realiza Observatório Econômico e analisa desafios do cenário macroeconômico global

Encontro reuniu especialistas do setor financeiro para discutir desaceleração global, riscos corporativos e perspectivas para a economia brasileira
A CCIFB-SP promoveu mais uma edição do seu Observatório Econômico, reunindo representantes do setor empresarial para discutir as principais tendências e desafios do cenário macroeconômico global e seus impactos no Brasil.
Moderado pelo Coordenador do Observatório Econômico, Marcelo Allain, o evento contou com a as participações de Laiz Carvalho, do Banco BNP Paribas , João Celli, do Crédit Agricole Brasil, Patricia Krause, da Coface, e Kauê Chinellato, do Banco Société Générale Brasil.
Durante o encontro, foi destacado que a economia global segue em trajetória de desaceleração gradual, com projeção de crescimento em torno de 2,6%. Apesar de ainda positivo, o ritmo mais moderado reflete um ambiente marcado por incertezas, pressões inflacionárias e ajustes nas políticas monetárias das principais economias. Somam-se a isso as incertezas trazidas pelo conflito no Irã, que podem piorar as projeções do ano.
A China foi apontada como um dos focos de atenção, enfrentando desafios estruturais relacionados à dinâmica de consumo e ao seu modelo de crescimento ao longo das últimas décadas. Esse contexto reforça a necessidade de monitoramento constante das economias emergentes e seus efeitos sobre o comércio e os fluxos globais.
No caso do Brasil, a perspectiva é de crescimento sustentado, ainda que em um ambiente desafiador. A inflação permanece como um dos principais pontos de atenção, impulsionada, entre outros fatores, pelo aumento dos preços de combustíveis e fertilizantes. Esse cenário tem impacto direto sobre a condução da política de juros, mantendo as taxas em patamares elevados e pressionando o custo do crédito.
Outro tema relevante abordado foi o aumento do risco de insolvência corporativa, especialmente em economias desenvolvidas. Embora haja sinais de estabilização em alguns mercados, os especialistas ressaltaram a importância de acompanhamento contínuo desse indicador, dado seu potencial de impacto sobre cadeias globais de valor e o ambiente de negócios.
No contexto brasileiro, o setor agrícola se destacou como um dos pilares da atividade econômica, com crescimento da produção. No entanto, também enfrenta desafios relacionados ao aumento de custos de fertilizantes, impactando sua capacidade de pagamento, em um ambiente de juros reais elevados e maior seletividade de crédito.
A discussão também evidenciou a crescente relevância de instrumentos de mitigação de risco, como o hedge cambial e o seguro de crédito, diante do aumento das incertezas. Nesse sentido, o uso de bases robustas de dados de recebíveis, que já contemplam milhões de operações e empresas, foi apontado como elemento estratégico para ampliar a segurança nas transações comerciais e fortalecer a análise de risco.