São Paulo Comissões

Comissão Mundo do Trabalho discute novos perfis profissionais

 

Nova geração tem mais exigências em relação ao trabalho, o que representa desafio para as empresas

 

A Câmara de Comércio França-Brasil São Paulo e sua Comissão Mundo do Trabalho promoveram na quarta-feira (22/11) o seminário “Sua empresa está preparada para lidar com os novos perfis profissionais e continuar crescendo?”, realizado presencialmente.

O palestrante convidado foi Mohamed-Ali Baccar, fundador e CEO da plataforma Streeme.io e que tem mais de 15 anos de experiência em projetos de RH e transformação estratégica, além de consultoria independente para empresas com desafios em transformação digital e inovação. Em sua apresentação, ele abordou como as empresas podem se preparar para continuar crescendo com os novos perfis profissionais e superar desafios, como o alto grau de desengajamento. Atualmente, o baixo envolvimento dos colaboradores com as empresas gera perdas que atingem até 9% do PIB mundial, ou cerca de 8,8 trilhões de dólares por ano.

Um dos grandes desafios neste cenário é entender o novo perfil geracional, que caracteriza jovens exigentes com seus empregadores, que buscam rápido desenvolvimento profissional e que não estão dispostos a sacrificar a vida pessoal em nome de um emprego. Segundo Baccar, as recentes transformações pelas quais o mundo do trabalho passou, especialmente durante a pandemia, impactaram na confiança das pessoas em relação ao futuro, o que inclui as empresas. “Percebemos que, há muitas vezes, tensão entre os desejos dos funcionários e os objetivos das empresas. Muitos, aliás, sequer entendem por que estão trabalhando” afirma. “É preciso, então, descobrir qual o propósito na vida, o que obviamente não é só ter uma ocupação remunerada. Do contrário, é difícil que se engajem profissionalmente.”

Não por acaso, pesquisas feitas por empresas de recrutamento e companhias do meio digital, como o LinkedIn, revelam que o desenvolvimento profissional é o principal meio para melhorar a cultura corporativa. Se encontrassem uma empresa que oferecesse oportunidade de desenvolvimento, 86% dos colaboradores mudariam de emprego. Números como esse, diz Baccar, exigem que as empresas invistam no aprendizado dos colaboradores logo na sua admissão, fazendo dessa prática algo constante e disponibilizado para todos, não apenas para os executivos.

O convidado destaca, ainda, que investir no desenvolvimento de carreiras tem a ver com o papel social das empresas, uma vez que reflete no próprio ambiente de trabalho, tornando-o mais atrativo. Isso vale para todas, inclusive as de pequeno porte, que podem buscar consultorias ou serviços especializados, além de plataformas online de preços acessíveis. Além da movimentação por parte das empresas, é necessário que o próprio colaborador tome para si a responsabilidade pelo seu aprendizado, em uma via de mão dupla. Sara Behmer, líder da Comissão Mundo do Trabalho e moderadora da palestra, observa que esse deve ser um compromisso levado a sério pelos CEOs: “sabemos que a rotina é muitas vezes atribulada, mas o envolvimento da direção é fundamental para que o desenvolvimento de carreira se torne de fato, um valor e transforme a cultura da empresa.”

O evento teve, também, contribuição de Raquel Busnello.