Ana Carolina Querino, Representante interina da ONU Mulheres Brasil, é nossa última entrevistada da série Mulheres na Liderança

Conheça as ações globais em curso para promoção das metas da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável

 

A partir da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, adotada em 2015 por meio de assembleia Geral das Nações Unidas, a ONU Mulheres lidera iniciativas globais que visam promover sociedades mais igualitárias e sustentáveis. A Agenda inclui metas para o alcance da igualdade de gênero e erradicação da pobreza, esferas de atuação da instituição através de projetos como “Por um planeta 50-50 em 2030: um passo decisivo pela igualdade de gênero”, e “Ganha-Ganha: Igualdade de gênero significa bons negócios”.

Nesta última entrevista da série “Mulheres na Liderança”, Ana Carolina Querino, Representante interina da ONU Mulheres Brasil, conta quais os desafios e soluções em curso para promover o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até o ano de 2030, e como o tema da campanha promovida pela instituição neste Dia Internacional das Mulheres — “Pensemos em igualdade, construção das mudanças com inteligência e inovação” —, conecta-se com todo conjunto de ações em desenvolvimento.

Confira a entrevista completa:

 

1. O tema definido pela ONU Mulheres para o Dia Internacional das Mulheres em 2019 é: “Pensemos em igualdade, construção das mudanças com inteligência e inovação” (« Penser équitablement, bâtir intelligemment, innover pour le changement »). Esse tema dialoga com eixos estratégicos de atuação da CCI França-Brasi: Inovação, Responsabilidade Social Empresarial e Sustentabilidade. Nesse contexto, qual é o posicionamento da instituição em termos de princípios e ações?

O tema está centrado nas formas inovadoras para a defesa e promoção da igualdade de gênero e empoderamento das mulheres, em especial aquelas relativas aos sistemas de proteção social, acesso aos serviços públicos e infraestrutura sustentável. O alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) requer mudanças transformadoras, enfoques integrados e novas soluções sobretudo no que se refere à defesa da igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres e meninas. Se mantidas as tendências atuais, as intervenções existentes não serão suficientes para o alcance de um Planeta 50-50 até o ano de 2030. É crucial contar com planejamentos inovadores que rompam com a situação habitual, a fim de eliminar as barreiras estruturais e garantir que nenhuma mulher e nenhuma menina fiquem para trás.

 

2. Quais são os principais desafios, pontos críticos ou gargalos na construção dessas mudanças; e que oportunidades se abrem para a colaboração França-Brasil na promoção de sociedades paritárias, inclusivas e inovadoras, associando setor produtivo e autoridades públicas/institucionais?

Dentre os desafios, eu assinalaria eliminar o patriarcado, porque ele desencadeia uma série de desigualdades com base em gênero, raça e etnia e condiciona à violação de direitos humanos de mulheres e meninas em todo o mundo. O 63º Período de Sessões da Comissão da ONU sobre a Situação das Mulheres, concluído na semana passada, expressou um forte compromisso dos Estados-membros da ONU de salvaguardar e melhorar o acesso de mulheres e meninas a sistemas de proteção social, serviços públicos e infraestrutura sustentável, garantindo que seu desenho e entrega sejam direcionados para evitar discriminação de gênero. Em 2020, a comunidade global marcará o 25º aniversário da 4ª Conferência Mundial sobre as Mulheres e a adoção da Declaração e Plataforma de Ação de Beijing (1995). Será também cinco anos de adoção da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que se destinam a transformar o marco civilizatório para a distribuição equitativa de bens sociais, econômicos e ambientais. 2020 é, portanto, um ano crucial para a realização acelerada da igualdade de gênero e o empoderamento de todas as mulheres e meninas, em todos os lugares. A ONU Mulheres espera que seja um momento de alianças entre os países, inclusive entre Brasil e França.

 

3. Aspirações são projeções de transformação positiva, e atuam como motores de motivação e engajamento. Quais seriam as 3 palavras-chave que escolheria para traduzir suas aspirações nesse Dia Internacional das Mulheres?

Mulheres, inclusão, desenvolvimento. De acordo com o Relatório Global sobre Lacunas de  Gênero (2017), do Fórum Econômico Mundial, o fosso de paridade de gênero em saúde, educação, política e local de trabalho aumentou pela primeira vez desde que os registros começaram em 2006 – passou de 31,7% em 2016 para 32% em 2017. Se mantido o ritmo atual, a diferença global de gênero levará 100 anos para fechar. O relatório “Tornar promessas em ação”, da ONU Mulheres, mostra que mais de 50% das mulheres e meninas urbanas nos países em desenvolvimento vivem em condições em que não possuem pelo menos um dos seguintes: acesso à água potável, instalações de saneamento salubres, moradia adequada, área de estar suficiente.  Essas são questões que seguem pendentes e constam em acordos internacionais, tais como a Plataforma de Ação de Pequim, de 1995. É preciso que Estados, empresas, sociedade e cooperação internacional empreendam esforços e investimentos para fechar as brechas e garantir que mulheres e meninas sejam incluídas nas políticas de desenvolvimento.

 

Ana Carolina Querino é oficial nacional de Programas da ONU Mulheres Brasil. Atualmente, ocupa também o cargo de Representante interina da ONU Mulheres Brasil. É cientista política e Mestra em Ciências Sociais com ênfase em políticas comparadas pela Universidade de Brasília (UnB).

 

(Crédito Foto: ONU Mulheres/Bruno Spada).

 

 

 

 

 

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