Aposta do mercado do luxo pós COVID-19 deve ser na cultura coreana do “PALI, PALI”

No mundo pós COVID-19, o ritmo de mudanças na vida contemporânea será ainda mais acelerado. De acordo com Michel Alcoforado, antropólogo e especialista em consumo de luxo, uma das lógicas que vão prevalecer no futuro é a cultura coreana do “PALI, PALI”, ou seja, do “apresse-se”, do “rápido-rápido”. Segundo ele, o mundo do futuro pós-pandemia é o mesmo do passado, mas com as contradições ainda mais acirradas. 

Alcoforado ressaltou também o efeito do que ele chama de DAD: Desmaterialização, Assepsia e Descontextualização. A Desmaterialização é o movimento que torna as coisas que tem corpo, forma e ocupam espaço em imagens na tela do celular, códigos do computador ou experiências virtuais. A Assepsia torna as experiências mais flexíveis e arejadas. Já a Descontextualização reúne o “separar de”, o “sem companhia”, o “sem cruzamento”. 

Para o antropólogo, o Coronavírus vai destravar a roda da economia, acelerando todos os processos tecnológicos. Estamos vivendo a transição da era das descobertas para a era das implementações. Da era das especialidades para a era dos dados. Segundo ele, não basta mais que as marcas tenham o CPF e o contato telefônicos dos clientes. O desafio é ter dados mais detalhados e relevantes sobre, por exemplo, o histórico de compras do cliente em diversas lojas e não apenas em uma. O consumidor vai buscar cada vez mais uma experiência por meio do celular e das novas tecnologias.

  Segundo Alcoforado, o consumo de experiência vai ganhar ainda mais força no pós-pandemia. As grandes marcas de luxo vão ter que se adaptar ao conceito coreano do “PALI, PALI” e, ao mesmo tempo, reinventar o modelo de negócio e de atendimento para atrair e engajar um público que, por um bom tempo, vai evitar shoppings, feiras, desfiles e aglomerações. Não à toa, as casas voltam a ser templos. Para ele, no futuro, a casa vai ser o lugar do bom gosto e o escritório vai ganhar um espaço maior e mais importante.

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