Desafios e perspectivas da filantropia empresarial no cenário de pandemia

Webinar das Comissões de RSE e Tributação e Finanças da CCIFB-RJ promoveu debate entre representantes do setor público, produtivo e de instituições

Mobilizar a sociedade civil e o meio empresarial em ações conjuntas com o setor público para destinar recursos ao combate dos impactos da Covid-19 é o grande desafio no atual contexto de pandemia. O debate em torno da filantropia no Brasil, no âmbito legal e tributário e de boas práticas para as organizações, tomou o lugar de urgência diante do cenário de mitigação dos efeitos sociais, sanitários e econômicos da crise. Para debater o tema, a Comissão de Responsabilidade Social Empresarial e Sustentabilidade, em colaboração com a Comissão de Tributação e Finanças, realizou webinar no dia 06 de maio, com a participação de representantes do setor público, produtivo e de instituições

O primeiro painel debateu as perspectivas da filantropia empresarial. Hermano Barbosa (BMA Advogados), coordenador da Comissão de Tributação e Finanças da CCIFB-RJ, foi o mediador do debate e introduziu o tema a partir da exposição dos recentes projetos de Lei e decretos que flexibilizam e facilitam as doações empresariais. 

Gustavo Bernardino (GIFE) contextualizou a filantropia empresarial. Para ele, o esforço financeiro para realizar doações em um momento de retração econômica; as discussões para isenção de impostos, em especial o ITCMD; e a reconversão industrial fazem parte do cenário atual das empresas. 

Na esfera pública, Bruno Rodrigues apresentou o projeto Salvando Vidas, lançado recentemente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A iniciativa funciona através de uma plataforma de matchfunding. A cada R$ 1 doado para a compra de equipamentos de proteção, o BNDES aportará mais R$ 1 até o limite de R$ 50 milhões. “O projeto foca em levar suprimentos aos hospitais filantrópicos, responsáveis pelo atendimento de 50% do SUS no país. Nosso grande desafio é o impacto, no sentido de não só conseguir mobilizar o recurso, mas aplicá-lo”, explicou. 

 

Desafios da filantropia empresarial

O segundo painel trouxe exemplos de boas práticas e debateu os desafios da filantropia empresarial, tendo como mediador Rodrigo Santiago (Michelin), coordenador da Comissão de RSE e Sustentabilidade da CCIFB-RJ. 

Para Gil Maranhão, diretor de estratégia, comunicação e responsabilidade social corporativa da ENGIE Brasil, as empresas enfrentam a tarefa de definir novas políticas de ética e controle diante das atuais demandas. Nesse contexto, a ENGIE passou por uma reestruturação, priorizando as áreas em que atuam e o desenvolvimento de programas permanentes. Parte das ações envolveu os colaboradores do Grupo, o que potencializou a mobilização. 

Entre outras iniciativas desenvolvidas, Maranhão destacou a adesão ao “Programa Solidário” da L´Oréal Brasil, ação que promove a doação da energia elétrica necessária no processo produtivo das 750 mil unidades de álcool gel e outros produtos de higiene na fábrica da L´Oréal de São Paulo, itens destinados a hospitais públicos e comunidades. “A L´Oréal  é nosso parceiro de energia verde, e a adesão e ação em conjunto foi mais uma iniciativa parceria, importante em meio ao contexto que estamos vivendo”, afirmou.

Graziella Castilho (Junior Achievement) trouxe para o debate o tema da educação, alertando a importância de se avaliar os impactos gerados no setor. “Estamos com escolas fechadas em 190 países. Qual atraso e impacto isso poderá gerar? Como mantemos o acesso à educação de forma online?”, questionou ao lembrar os efeitos do possível aumento da desigualdade com a pandemia.

Para finalizar, os participantes puderam interagir por chat com os convidados, esclarecer dúvidas e compartilhar comentários.  

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