Desenvolvimento sustentável e os desafios no contexto do novo coronavírus

No mês de celebração do Dia Mundial do Meio Ambiente, a CCI França-Brasil ressalta a cooperação internacional, inovação e reflexão em torno de processos coletivos como importantes alavancas de retomada e transformação 

 

A pandemia deverá ser um catalisador de reflexões e práticas voltadas à agenda de desenvolvimento sustentável no mundo todo. Em um ano que estava previsto como decisivo para a ação climática, com metas mais ambiciosas dentro do Acordo de Paris, o dia 05 de junho – data de comemoração mundial do Meio Ambiente decretada há quase meio-século – está sendo marcado por questões-chave como: de que maneira é possível conjugar medidas sociosanitárias de controle da disseminação do novo coronavírus? Quais os caminhos para retomada econômica, assistência às populações impactadas e preservação do planeta? 

“Respostas a essas questões exigem cada vez mais contribuições de todos os atores da sociedade, em todo o mundo, e o setor produtivo é um dos principais protagonistas na construção e implementação conjunta de cenários com impacto positivo para todos”, pontua Jaqueline Saad, Diretora-executiva da CCI França-Brasil do Rio de Janeiro.

O contexto da pandemia trouxe à tona novas maneiras de praticar a solidariedade e estabelecer conexões entre propósito e ações nas empresas, gerando reflexões nas pautas e mudanças nos projetos de responsabilidade social empresarial (RSE) empregados até então. “Em um período sensível com a Covid-19, podemos perceber uma grande onda de solidariedade tanto individual quanto das organizações. Devemos aproveitar a retomada para pensar como utilizar essa mesma energia para a causa climática, tendo o desenvolvimento sustentável como um norte”, avalia Rodrigo Santiago, Coordenador da Comissão de RSE e Sustentabilidade, e Diretor de Relações Institucionais da Michelin para América do Sul.

No setor energético, essencial para agenda climática e ambiental, alavancas como pesquisa e inovação se fazem mais presentes em face da importância emergente do coletivo e da manutenção de atividades essenciais à sociedade. “A pesquisa e inovação são seguramente, caminhos para o desenvolvimento de uma agenda em prol do meio ambiente para o setor elétrico. Diante de crises como a do Covid-19, somos forçados a refletir sobre processos comuns de nossa sociedade. A partir dessas reflexões, podem ser desenvolvidas novas tecnologias mais limpas e eficientes, com o potencial de trazer benefícios relevantes para o uso dos recursos naturais”, analisa Yann des Longchamps, Coordenador da Comissão de Energia, CEO da EDF Norte Fluminense e Diretor da EDF no Brasil. 

No âmbito da cooperação internacional, o coordenador da Comissão de Energia ressalta que “incentivos e patrocínios podem ser importantes na viabilização de projetos e no estabelecimento de parcerias. Por exemplo, entre startups brasileiras e parceiros franceses”. Em 2019, a EDF realizou a primeira edição do Prêmio EDF Pulse Brasil, versão brasileira do já tradicional programa Francês de inovação. A iniciativa premiou startups com projetos inovadores nas categorias de Smart City e Smart Factory voltados para eficiência energética e redução do impacto ambiental.

Segundo Françoise Méteyer-Zeldine, Conselheira de Desenvolvimento Sustentável no Serviço Econômico da Embaixada da França no Brasil e líder do Clube Cidades Sustentáveis, “em áreas como energia, saneamento, transporte urbano, ou gestão e valorização do patrimônio natural, o setor público e as empresas privadas conseguiram atuar de forma complementar para alcançar um alto nível de atuação na França. As empresas francesas presentes no Brasil podem participar de maneira importante para melhoria desses setores, mas precisam de regras e segurança para atuar. É nesse sentido que nossa cooperação institucional trabalha com atores-chave da administração pública e sociedade civil brasileiras para estruturar projetos a serviço dos cidadãos e do meio ambiente”, explica. 

Criado em 2018 e promovido pelo Serviço Econômico da Embaixada da França, o Clube Cidades Sustentáveis reúne mais de 70 membros – empresas e instituições francesas, consultores independentes e acadêmicos atuando no Brasil no setor das cidades – com o propósito de refletir sobre o futuro das cidades brasileiras e responder aos desafios da cidade sustentável na adaptação à mudança climática e no alcance à neutralidade carbono.

Os desafios das cidades no contexto da sustentabilidade também é foco da Comissão de Infraestrutura Metropolitana da CCIFB-RJ, formada por 14 empresas líderes globais em serviços e soluções na área. Para Eric Farcette, Coordenador da Comissão e Diretor de vendas na Alstom, o Brasil apresenta muitos desafios, especialmente nas áreas de saneamento e habitação. Ele destaca a importância de parcerias e do enfrentamento coletivo desse cenário no momento atual. “A crise sanitária da Covid-19 nos lembra que há desafios que só podem ser enfrentados coletivamente. Parcerias para destinar investimentos em saneamento, mobilidade urbana, com baixa emissão de poluentes, e melhorias na iluminação pública são essenciais para contribuir com a saúde e segurança da população. Neste cenário, cada projeto sustentável de infraestrutura contribui para prestar um serviço essencial à sociedade, reduzir o impacto ambiental e gerar empregos”, afirma.

 

 

 

 

 

 

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