Empreendedoras dividem cases e discutem inclusão feminina no universo tech

Demorou mais de 40 anos para Neivia Justa descobrir o seu propósito de vida. A jornalista cearense, que vive há 25 anos em São Paulo, vem de uma família de muitos homens e poucas mulheres. Neivia sempre foi incentivada pelo pai a ser idenpendente e aos 15 anos, já viajava sozinha pelo Brasil e pelo mundo. Mais tarde, trabalhou em grandes empresas e ocupou cargos de liderança, em ambientes tradicionalmente masculinos. Foi a primeira executiva a participar das reuniões de conselho do Grupo Schincariol e a primeira mulher a ser diretora na GoodYear, em 99 anos de história.

“Em 2014, aos 44 anos, descobri que eu era uma mulher num mundo feito por homens para homens”, conta a convidada da Comissão de Startups da CCIFB-SP, realizada no dia 28 de novembro.  “Quero trabalhar para transformar o mundo num lugar melhor, mais justo, inclusivo, igualitário e sustentável para a geração das minhas filhas”. Foi então que a jornalista criou a hastag #ondeestãoasmulheres e virou palestrante e ativista da representatividade feminina no mercado de trabalho. A iniciativa rendeu a Neivia o Troféu Mulher Imprensa e o Prêmio Aberje, ambos em 2017.

A fundadora da empresa B2Mamy Aceleradora, a primeira do mundo focada em mães empreendedoras, falou sobre como tirar a ideia do papel e transformá-la em um negócio. Dani Junco disse que as mulheres precisam perder o medo de achar que o projeto deve ser lançado só quando estiver perfeito e  que é preciso defender o protótipo com firmeza, de igual pra igual.

Dani explicou que muitas mulheres encontram no empreendedorismo uma saída para voltar ao mercado, após se tornarem mães. “A cada dez trabalhadoras, quatro não retornam depois da lincença-maternidade e o dolorido é que muitas começam a empreender pela dor, porque não conseguem mais retomar aos antigos empregos ou são desligadas da empresa”, relata.

Ao fazer uma pesquisa de mercado e constatar que as mulheres ocupam apenas 4% dos altos cargos nas empresas, que 65% evitam essas funções por não se acharem capazes e  que elas ganham 68% do salário dos homens, a jovem empreendedora Samara Ahmed decidiu criar uma plataforma de empoderamento feminino – a Allice.me. “O objetivo é inspirar as mulheres por meio do autoconhecimento, autonomia, independência financeira, sexualidade e a aliança entre as elas”, conta Samara.

A Comissão de Startups ainda contou com os depoimento de Flávia Piza, que acaba de deixar o ambiente comercial para ser co-fundadora de um aplicativo de portabilidade de prontuário eletrônico e de Giovana Serwy e Camila Molinari, do departamento de recrutamento e seleção da Accenture. A dupla falou sobre o Awake, programa interno de inclusão, e da meta mundial que a empresa estipulou para cumprir até 2025, que é ter 50% do quadro de funcionários de pessoas que se identificam com o gênero feminino e 50% que se identificam com o masculino, em todos os níveis da organização.

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