Devemos ter medo da IA? Fundador da Sun Human Capital diz que tecnologia pode agilizar processos e até mesmo ajudar a prever necessidades das companhias
Um dos grandes temores que surge com a chegada de uma nova tecnologia é a perda de empregos. Para discutir as possibilidades que a inteligência artificial traz – e a melhor forma de usá-la – a Comissão Mundo do Trabalho, da Câmara de Comércio França-Brasil, realizou, no dia 22 de agosto, o webinar ‘Os impactos do uso de IA no dia a dia do RH’.
A apresentação e mediação da palestra foram feitas pela líder e vice-líder da Comissão, Sara Behmer e Raquel Busnello, respectivamente. As duas ressaltaram que o objetivo dos eventos realizados pela CCIFB é discutir temas atuais do mundo do trabalho.
“E uma das questões que mais está em discussão é o uso da inteligência artificial – assunto que deixou de ser ficção – e como o RH pode se beneficiar dela no seu dia a dia”, disse Raquel.
O palestrante convidado foi Hugo Liguori, sócio fundador da Sun Human Capital, empresa de recrutamento e seleção de executivos, mentoria de carreiras e consultoria de desenvolvimento organizacional.
Logo no início da apresentação, Liguori colocou a pergunta que muita gente está se fazendo: “A IA vai roubar a minha vaga?”. A resposta, no entanto, não é um sim ou um não: “Depende muito de como se vai usar a inteligência artificial”.
Segundo o especialista, não devemos ter medo de novas tecnologias. Ao contrário, devemos testá-las e usá-las ao máximo, para aprender de que forma as ferramentas modernas- como o Chat GPT, por exemplo – podem auxiliar os profissionais de recursos humanos. “Alguns cargos e funções podem ser extintos, mas a tecnologia cria novas necessidades”, ponderou.
O palestrante afirmou que, em um primeiro momento, a tecnologia entrou no mundo do RH para automatizar processos burocráticos, ou seja, “a papelada”, dando agilidade ao setor. Agora, estamos em uma nova fase, com a inteligência artificial generativa, que, ao ser alimentada com um número cada vez maior de dados, é capaz de gerar conteúdo.
Dentre as aplicações práticas da IA no dia a dia das empresas, por exemplo, estão a criação de perfis e anúncios de vagas e de roteiro de entrevistas e pesquisas corporativas. “Depois, o profissional de RH precisa apenas fazer um ajuste, dar um retoque, ganhando bastante tempo, pois não precisar fazer tudo do zero”, explicou Liguori.
Caminhando mais além, o executivo afirmou que a IA generativa pode não somente automatizar processos, mas organizar sistemas de aprendizado contínuo e dar insights estratégicos para melhorar a tomada de decisões.
“É possível criar modelos para obter, com informações e dados históricos, o potencial de um determinado profissional e como ele precisa se desenvolver dentro da empresa para chegar a uma posição de gerente, diretor, presidente”, disse.
Além disso, é possível utilizar a IA para encontrar qual é o especialista ideal para coordenar um projeto. No caso de uma empresa de energia, por exemplo, pode ser o uso do hidrogênio verde. Mas, para que o modelo funcione na prática, alerta o fundador da Sun Human Capital, é necessário que as áreas de recursos humanos e tecnologia caminhem juntas.
“O RH, de um lado, sabe as necessidades e as dificuldades das empresas. Precisa gerar mais dados, explicar onde e porque quer chegar a um lugar. Do outro, os profissionais da tecnologia precisam manipular os dados para gerar informação.”, disse Liguori.
Perdeu o webinar? Assista o evento na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=S4JE9DsPe7M