Profissional do futuro: como se preparar

Encontro promovido pela Comissão Digital debateu as transformações no trabalho e a evolução de competências

 

O futuro do trabalho foi um dos assuntos mais discutidos nas últimas edições do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Os relatórios divulgados estimam que em 2020, até 35% das habilidades mais demandadas para a maioria dos profissionais deve mudar. Atentas às transformações, empresas têm refletido sobre os impactos de processos como Inteligência Artificial, uso de dados e RH 2.0. Para debater o tema, a Comissão Digital da CCIFB-RJ reuniu profissionais inseridos nesse atual cenário para participar de um bate-papo sobre a evolução de competências e os possíveis rumos do mercado de trabalho.

O matemático e engenheiro de computação, Murilo Vasconcellos, destacou o crescimento do empreendedorismo motivado pelas mudanças tecnológicas e de comportamento. “As pessoas estão muito mais produtoras do que consumidoras. Neste sentido, o empreendedorismo torna-se uma vertente para o desenvolvimento de tendências nos modos de trabalho”, avaliou. Com experiências acumuladas em grandes empresas e no mercado financeiro, o profissional decidiu mudar o trajeto de sua carreira e dedicar-se a projetos na área de tecnologia via modalidades mais alterativas, apoiadas por startups e redes de cooperação. Atualmente, ele comanda as atividades da Garagem Studio, um novo tipo de startup que busca desenvolver startups e pequenas empresas. “Nosso trabalho é habilitar empreendedores, desenvolvendo a camada de tecnologia de pequenas empresas e startups, e formando pessoas na área técnica para que possam dar continuidade aos trabalhos iniciados”, explicou.

 

Um mundo em transição

Volátil, incerto, complexo e ambíguo são as palavras que traduzem a sigla VUCA. O termo foi lembrado por Gustavo Pontual, Diretor da Ontime Innovation, para contextualizar o mundo em que vivemos hoje. Ele destacou que o profissional do futuro deve ter essa definição em mente para se adaptar de forma contínua em sua jornada. “Dois anos já é uma eternidade para os mercados de hoje. O que conhecemos como estável dentro desse período, pode rapidamente, em um futuro bem próximo, tornar-se volátil”, afirmou.

O debate ainda destacou algumas das competências profissionais mais requisitadas até 2020, de acordo com relatório do Fórum Econômico Mundial. Para Xavier Leclerc, curador da conferência .Futuro  | Rio e coordenador da Comissão Digital da Câmara, as habilidades necessárias hoje focam em “aprender, desaprender e reaprender”. Confira as principais delas:

Resolução de problemas complexos: saber lidar com desafios em cenários muitas vezes conflitantes, que exigem respostas rápidas. Ter percepção para desenvolver soluções em meio às complexidades do mundo real.

Pensamento crítico: essa habilidade consiste na capacidade de apresentar vias alternativas para resolução de problemas. Ter visão analítica e crítica do contexto e das atividades desempenhadas.

Criatividade: não basta executar funções de forma meramente mecânica. A criatividade é um fator cada vez mais determinante para a formação de ambientes de trabalho inovadores e adaptados às transformações.

Gestão de pessoas: o gestor moderno deve ser aquele com capacidade de ouvir e motivar os trabalhadores, reconhecendo e valorizando seus talentos. Não há recurso mais valioso para uma empresa do que as pessoas e o conhecimento coletivo gerado.

Coordenação: capacidade de se relacionar com os outros e de se autocoordenar. Ser autônomo e responsável nas funções.

Inteligência emocional: a importância de gerir emoções surge como uma característica essencial. Trata-se da capacidade de reconhecer e lidar com as próprias emoções e com a de terceiros.

Negociação: saber negociar em todas as áreas de atuação será cada vez mais necessário em um ambiente em transformação.

Flexibilidade cognitiva: estar apto para aprender coisas novas e aberto para outras formas de pensar.

 

 

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