Sandrine Ferdane quer promover as mulheres no mercado financeiro

Presidente da filial do BNP Paribas no Brasil, Sandrine Ferdane acaba de lançar, com três colegas do mercado financeiro de São Paulo, um programa que visa promover as mulheres em bancos de investimentos. 

Quando as quatro mulheres de negócios se encontram, do que elas falam? Da carreira das mulheres no mundo das finanças… É assim que Sandrine Ferdane, presidente da filial BNP Paribas no Brasil tomou a iniciativa, com três colegas do mercado financeiro de São Paulo e lançou um programa com objetivo de incentivar as mulheres a estarem mais presentes nos negócios e bancos de investimento. Ao seu lado, Maria Silvia Bastos dirigente do Goldman Sachs, Sylvia Coutinho, presidente do UBS e Maite Leite do Deutsche Bank também fazem parte dessa missão.

O nome da iniciativa é “Develop and Achieve Women” (Dn’A Women). Desde o começo de setembro, 60 estudantes são escolhidos a dedo, dentre 1.300 candidaturas, formados na área financeira, buscam melhorar suas chances de promoção e crescimento profissional. De fato, é necessário reconhecer que em se tratando de paridade de gênero, o Brasil não tem sido um bom aluno. Segundo a classificação do Fórum Econômico Mundial (WEF), o país ocupa o 95º lugar de 144 em matéria de igualdade homem-mulher. Além dos encontros com as quatro executivas, a iniciativa inclui sessões de matemática, apresentação de mercados financeiros e lições de “self-awareness”, realizadas aos sábados durante 15 semanas.

Chegada ao Brasil em 1998

Essa iniciativa visa criar pools de talentos femininos disponíveis. Os bancos de investimento são meios tradicionalmente masculinos. A ideia é que as jovens mulheres possam dizer: veja, finanças também podem ser uma profissão para mim! O que não é, de forma alguma, um processo natural, atualmente,” analisa Sandrine. “Nosso papel como CEO é o de encorajar e de obter resultados concretos com uma grande participação das mulheres.” Ela reafirma, sublinhando também a necessidade de dar “confiança à elas mesmas”. Sandrine Ferdane já contribuiu para aumentar o lugar ocupado pelas mulheres em sua empresa: 40% dos 200 colaboradores recrutados no ano passado são do gênero feminino. A cada cargo disponível, “nós devemos ter, pelo menos, uma mulher na shortlist” nota ela. Assim que ela assumiu suas funções em 2015 no BNP Paribas, ela era a única mulher no comité executivo da filial. Hoje as mulheres já representam 1/3 dos funcionários e constituem 30% do “G50”, grupo dos principais gestores, contra 9% anteriormente. Uma bela vitória para essa francesa vinda de Grenoble que sonhava em ser pianista ou maestrina. Aliás, a revista Forbes a consagrou dentre as 20 mulheres mais poderosas do Brasil. É seu segundo mandato no BNP Paribas na cidade com um dos mais fortes cenários financeiros da América Latina. Chegando a São Paulo na véspera de natal em 1998 com marido e filho, ela se encantou com o Brasil a ponto de conseguir a nacionalidade brasileira.             

Chamada de volta em Paris, ela se torna em seguida responsável pelo financiamento às exportações na América Latina. Breve interlúdio. Em 2007, ela conseguiu uma oportunidade de voltar ao Brasil como responsável de “structured finance” (fusões e aquisições, exportações, etc..). Mas assim que Sandrine Ferdane é promovida ao topo da filial do BNP Paribas no Brasil, a crise abate o país. “Foi difícil, mas foi uma oportunidade para nós,” recorda. “Mesmo na tempestade, nossos clientes precisam de serviços financeiros”. Segundo o desempenho do banco, sua aposta foi bem sucedida. Entre dois compromissos de sua agenda lotada e sua agenda de auxílio às jovens do mercado financeiro, Sandrine Ferdane representa a França.

Recentemente, ela foi eleita presidente da Câmara de Comércio França Brasil de São Paulo. Seu papel? “Representar a forte presença francesa no país. A França é o primeiro investidor estrangeiro no Brasil em 2019 com um stock de 30 bilhões de dólares de investimento e 500.000 brasileiros em nossas empresas, explica, “a visibilidade e a proteção de nossa imagem é uma missão importante, sobretudo em uma conjuntura, minimamente tensa depois dos recentes atritos verbais entre os dirigentes políticos dos dois países.

Thierry Ogier (Correspondente em São Paulo do jornal Les Echos)

Fonte: Artigo publicado originalmente em francês no site da CCFB

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