Diretora de P&D da Total do Brasil conta quais são as ações do Grupo para incentivar a igualdade de gênero

Isabel Waclawek é nossa entrevistada na última semana da série Mulheres na Liderança

 

Signatária dos Princípios de Empoderamento da ONU Mulheres desde 2010, o Grupo Total tem se engajado globalmente em ações para estimular a igualdade de gênero em suas unidades de negócio. A promoção de mulheres em carreiras técnicas e posições de liderança é, nesse contexto, um tema-chave para projetos e ações prioritárias. A Diretora de Pesquisa & Desenvolvimento da Total E&P do Brasil, Isabel Waclawek, contou um pouco sobre essas iniciativas e desafios a serem superados, na nossa última semana de entrevistas da série “Mulheres na liderança: iniciativas para sociedades inclusivas, inovadoras e sustentáveis”. Confira:

 

1. O tema definido pela ONU Mulheres para o Dia Internacional das Mulheres em 2019 é: “Pensemos em igualdade, construção das mudanças com inteligência e inovação” (« Penser équitablement, bâtir intelligemment, innover pour le changement »). Esse tema dialoga com eixos estratégicos de atuação da CCI França-Brasil: Inovação, Responsabilidade Social Empresarial e Sustentabilidade. Nesse contexto, qual é o posicionamento da sua empresa em termos de princípios e ações?

Como signatária dos Princípios de Empoderamento da ONU Mulheres, desde 2010, a Total tem traçado metas e realizado iniciativas para incentivar a igualdade de oportunidades e de gênero na empresa, globalmente. Um fórum importante idealizado pela Total para debater a relevância dessas questões, não só no ambiente corporativo, mas em sociedade, é o TWICE (Total Women’s Initiative for Communication and Exchange). Criada em 2006 e com mais de 3 mil membros em diversos países onde a Total atua, a rede está sendo implementada no Brasil como mais um canal para dar voz às mulheres e estimular o seu desenvolvimento.

Por sermos uma empresa de energia, as carreiras técnicas são de extrema importância para as nossas atividades. Dessa forma, trabalhamos para ampliar o conhecimento sobre oportunidades em carreiras científicas entre jovens mulheres e incentivar a sua inserção nessas áreas. Em Pesquisa & Desenvolvimento, minha área de atuação, por exemplo, não há diferenciação por gênero entre os pesquisadores na Total e, portanto, oferecemos igualdade de oportunidades para mulheres e homens. É fundamental desconstruirmos qualquer mito sobre gênero em relação a carreiras, especialmente em carreiras científicas.

 

2. Quais são os principais desafios, pontos críticos ou gargalos na construção dessas mudanças? E como a sua área de atuação (PD&I) pode contribuir nessa transformação?

O maior desafio para inovar, em qualquer campo, é sair da zona de conforto. Como uma empresa de quase um século de história, a Total atua há bastante tempo na indústria de petróleo e gás, e a adequação da sua estratégia de negócio nos últimos anos, de modo a ampliar o seu mix de energia diante dos desafios da transição energética, é uma mudança significativa.

A partir do momento em que as empresas – e até mesmo o mercado – conheçam melhor esse novo contexto de inovação e da indústria do futuro, como a Indústria 4.0, os projetos construídos hoje ganham mais confiança e deixam de significar uma resistência à inovação. É imprescindível estarmos com a mente mais aberta ao novo.

Nesse sentido, a área de PD&I pode auxiliar no desenvolvimento de novos projetos, na identificação de centros de tecnologia e startups no Brasil que possam contribuir nos processos e construir um modelo para desenvolvimento de tecnologias e inovações de forma inteligente, mais democrática, diversa e acessível. Penso que a inovação e as perspectivas que se desenham com ela significam novas oportunidades de inclusão, em diferentes esferas.

 

3. Aspirações são projeções de transformação positiva, e atuam como motores de motivação e engajamento. Quais seriam as 3 palavras-chave que escolheria para traduzir suas aspirações nesse Dia Internacional das Mulheres?

Ousar: não ter medo de inovar – ousar no sentido de desafiar o status quo.

Resiliência: a partir do momento em que ousamos, encontramos sempre uma resistência muito grande para não continuar – seja para mudar de direção ou para retornar à zona de conforto.

Celebrar: para motivar a equipe, a academia e a indústria é preciso mostrar pontos positivos e celebrar cada desafio superado. A energia e a motivação pelo “inovar” ganham força a partir do momento que as conquistas e os avanços são reconhecidos e celebrados.

 

 

Isabel Waclawek é graduada em Engenharia Mecânica pela PUC-RJ e pós-graduada em Engenharia Mecânica pela COPPE-RJ. Possui mais de 30 anos de experiência na área de Pesquisa & Desenvolvimento, no Brasil e na Europa.

 

(Foto: Arquivo Total)

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