Diversidade e Liderança

Confira a entrevista com Gisèle Szczyglak, PhD e expert francesa em Liderança e Mentoria, que irá conduzir um workshop no Rio de Janeiro nos dias 12 e 13 mês de março. Trata-se de uma iniciativa da CCI França-Brasil em parceria com as empresas ENGIE, Michelin, VINCI Energies e Voltalia, com apoio da Embaixada da França no Brasil, ONU Mulheres Brasil /Programa Ganha-Ganha: Igualdade de Gênero significa bons negócios e Open Mentoring Network.

 

 

Dentro do cronograma de ações de celebração dos 120 anos da CCIFB, o Workshop Diversidade e Liderança: rumo ao impacto positivo França-Brasil é uma iniciativa voltada à formação de mulheres para cargos e posições de liderança, e à sensibilização quanto à inclusão e à mixidade como vetores de desenvolvimento sustentável. A empreendedora Gisèle Szczyglak (se pronuncia Zyglak), PhD e expert em Liderança e Mentoria, vem da França para conduzir o workshop realizado pela Câmara no mês de celebração do dia Internacional das Mulheres.

O treinamento é uma oportunidade de imersão em conceitos, práticas e metodologias inovadoras, que permitem a construção das competências de liderança sob a perspectiva da diversidade e de seus impactos positivos na sociedade, meio ambiente e economia.

A Câmara de Câmara de Comércio França-Brasil entrevistou Gisèle Szczyglak para detalhar temas e conhecer um pouco mais sobre as dinâmicas de trabalho relacionadas ao programa do workshop. Confira:

 

CCIFB: A agenda do Workshop Diversidade e Liderança: rumo ao impacto positivo França-Brasil no dia 12 de março é dedicada ao tema da liderança de mulheres, competências e atitudes necessárias a seu exercício. Alguns estudos estimam que apenas 4% dos presidentes de empresas e Conselhos de Administração em nível global são mulheres. Neste contexto, podemos afirmar que a liderança, tal qual ela é exercida atualmente, pertence a um determinado gênero – no caso, o gênero masculino?

Gisèle Szczyglak: Tendo em vista a realidade atual, de fato pode-se pensar que a liderança tem um gênero, pois nossas referências nessa área são especificamente masculinas. Homens em posições de liderança representam o que mais vemos. A mídia os destaca e favorece sua visibilidade. Portanto, é fácil associar liderança às pessoas que a incorporam.

No entanto, a liderança é um movimento e uma dinâmica. Existe uma maneira de ser e de agir que não depende da posição da pessoa em um organograma. Nesse contexto, a liderança não tem gênero, como tampouco as competências têm gênero. A liderança é universal porque remete a um modo de ser e de fazer independentes do gênero de quem a exerce.

Por outro lado, o que leva a uma concepção ligando gênero e liderança é a visão estereotipada do que é a liderança, assim como das habilidades associadas a ela. Essas concepções estereotipadas alimentam expectativas comportamentais específicas em relação a mulheres e homens que entram no modo líder.

Não há mulheres o suficiente para definir um modelo, mesmo que as mulheres sejam ativas e contribuam. Esses são precisamente todos os temas que abordaremos neste primeiro dia. Que habilidades são necessárias para passar para o modo líder? Que dificuldades específicas as mulheres encontram quando exercem sua liderança? Como podem se afirmar e desenvolver sua influência, respeitando quem são? Como se manter alinhada em sua postura e, ao mesmo tempo, enfrentar reações estereotipadas?

 

CCIFB: No programa do dia 13 de março, mulheres e homens – mapeados como potenciais líderes ou que já exercem cargos de liderança em suas empresas e administrações – serão levados a refletir e trocar informações sobre aquisição de novas competências e construção de novas sinergias para impactar positivamente a economia, a sociedade e o meio ambiente. Enquanto expert e facilitadora, como você vislumbra a dinâmica de interação, ao longo desse dia, permitindo gerar cenários de ação pós-workshop?

Gisèle Szczyglak: Minha proposta é fazer com que homens e mulheres trabalhem juntos no modo “think tank” sobre os assuntos que impactem nossa sociedade a partir de uma verdadeira igualdade profissional, uma igualdade de chances, e uma consideração, no mesmo plano, das visões de mulheres e homens. Vamos abordar como mulheres e homens poderiam coconstruir novos modelos de liderança que impactariam positivamente suas organizações. Um tipo inclusivo de liderança, por exemplo, que levaria a um conceito inclusivo de gênero. Para tanto, proporemos a elas e eles muitas questões!

Como abordar a dimensão de gênero nos orçamentos das organizações, numa visão mais inclusiva da economia? Que papéis as empresas e administrações podem ter nesse contexto? Que ações já foram implementadas e quais poderiam ser vislumbradas? Como implantar, juntos, lógicas de autonomização das mulheres (e se inspirar de iniciativas como a Plataforma WEPs, da ONU Mulheres)? Como rever processos de tomada de decisão e governança nessa perspectiva?

Sobre o tema do meio ambiente, como construir um projeto social com impacto positivo na concepção das cidades? Quais são os elos entre setor privado e público a desenvolver e estreitar? Que tipos de redes e parcerias poderiam surgir para impulsionar esses projetos?

A ideia é criar áreas temáticas (liderança inclusiva, coconstrução e sinergias para aprender a trabalhar coletivamente, economia e inovação, RSE e sustentabilidade) com mesas compostas de mulheres e homens, para que possam trocar ideias, expor suas propostas e gerar planos de ação que contribuam para fazer avançar esses assuntos em suas respectivas organizações.

 

CCIFB: Sua formação profissional e experiência nos temas de mentoria, coaching e liderança abrangem os setores privado e público, inclusive no Brasil, onde você trabalha desde 2016, no âmbito da cooperação técnica entre a Ecole Nationale d’Administration da França e a Escola Nacional de Administração Pública, situada em Brasília. Na sua opinião, quais são as oportunidades de parceria e colaboração público-privada no Brasil sobre o tema liderança de mulheres?

Gisèle Szczyglak: Penso que os setores público e privado poderiam construir uma rede multisetorial e multifuncional sobre igualdade profissional e liderança de mulheres. Essa rede única abordaria desafios e oportunidades para as mulheres, sejam elas empreendedoras, membros de equipes empresariais ou funcionárias públicas, integrando o fato de que sua contribuição têm um forte impacto social e econômico.

Como lembrete, o relatório da McKinsey de outubro de 2017 indica que alcançar a diversidade nas organizações em nível global poderia aumentar o PIB mundial em 12 trilhões de dólares antes de 2025.

A partir de um trabalho em rede – com o apoio de parceiros-chave, a exemplo da CCI França-Brasil e ONU Mulheres – é possível implementar programas cross-mentoring individuais e coletivos, para ajudar mulheres das diferentes organizações e administrações a interagir quanto a complementaridades e sinergias em matéria de políticas públicas e privadas, em prol da diversidade na liderança.

 

Saiba mais sobre o  Workshop Diversidade e Liderança: rumo ao impacto positivo França-Brasil

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