Pandemia mudou as relações de trabalho e consumo, dizem palestrantes durante 12° Fórum de Inovação e Tecnologia

Por que a pandemia mudou de vez as relações de trabalho?

 

De acordo com Frédéric Donier, fundador da Crescendo Consultoria, o grande objetivo do 12º Fórum de Inovação e Tecnologia da Câmara de Comércio França-Brasil (CCIFB), realizado no dia 28 de outubro, é lançar luz sobre as mudanças que a pandemia trouxe nas relações e modelos de trabalho. Segundo ele, dados do relatório “Future Jobs”, revelam cinco novos cargos que tendem a crescer nas empresas. São eles: especialista em Inteligência Artificial, Cientista de Dados, Especialista em Internet das Coisas, Big Data e Digital. Entre as áreas que devem perder mercado estão: contabilidade, secretariado, reparador de máquinas e operador de fábrica.

 

Diante de todas essas mudanças, Erika Medici, CEO da AXA Brasil, afirmou que já ter implementado uma política de home office duas vezes por semana facilitou a logística de colocar os cerca de 400 colaboradores remotos. Segundo Erika, vários ajustes foram necessários para garantir principalmente a saúde emocional e física dos colaboradores. Ressaltou, ainda, que novos grupos foram criados para discutir sobre as novas jornadas de trabalho, KPIs e benefícios. O home office, segundo a executiva, saiu da pauta da área de Recursos Humanos e ganhou presença na área financeira da empresa. Erika também destacou a valorização das soft skills por parte do profissional que se destaca no cenário de pandemia.

 

Entre as inovações colocadas em prática pela AXA, a CEO destacou a aprovação das vendas por meio do WhatsApp e início de um projeto de telemedicina para as classes C e D. Erika enfatizou, também, que está muito positiva com o futuro e com a capacidade de se reinventar que as pessoas demonstraram. As pesquisas de clima da empresa, segundo ela, têm reforçado essa expectativa, pois têm aumentado.

 

Minha casa, meu trabalho!

 

Se há um grande desafio a ser superado pelas empresas hoje em relação as novas formas de trabalho é se tornarem mais flexíveis e inclusivas. A afirmação foi feita por Vinícius Parmezani, CEO do Grupo Bureau Veritás, durante o primeiro dia de live do 12º Fórum de Inovação e Tecnologia. Segundo Parmezani, pesquisa feita pela Veritás mostrou que 85% dos colaboradores estão felizes e produtivos trabalhando remoto. Para manter a produtividade, o engajamento e a satisfação dos colaboradores, Parmezani destacou a intensificação da agenda de treinamentos online e da comunicação com os públicos de interesse.

 

Outro destaque compartilhado pelo executivo foi o desenvolvimento de novos produtos durante a pandemia. Um deles foi um protocolo de boas práticas de higiene e segurança do COVID-19 para lojas, com auditoria e certificação online. Segundo Parmezani, em apenas um mês, a iniciativa teve tanto sucesso que foi compartilhada de forma global. Para ele, a ação só foi possível por conta da pandemia e por conta das novas necessidades que o mercado traz.

 

Já Brian Ripper, Head of People da a55, fintech de gestão financeira inteligente, ressaltou a importância de as empresas estabelecerem voz ativa a todos os colaboradores diante dos desafios do novo normal. Segundo ele, a cada 15 dias há uma reunião online com mais de 50 pessoas da empresa compartilhando informações, experiências e dificuldades. Outro encontro digital que faz sucesso na operação da a55 são os happy hours online que fomentam o bate papo sobre vários temas. O único tema proibido, segundo Brian, é falar de trabalho. Para que haja sinergia, eficiência e alto grau de envolvimento com a marca, o executivo sinalizou a importância do digital, de oferecer ferramentas, computadores e cadeiras confortáveis para que o colaborador possa realizar as atividades da melhor maneira.

 

5 KPI’s do novo normal

 

  1. As pesquisas de clima;
  2. As pesquisas de satisfação com o ambiente de trabalho;
  3. Participação e envolvimento nos eventos online;
  4. Treinamentos internos;
  5. Participação em feedbacks coletivos;

 

 

Como a COVID-19 mudou as relações com o consumidor?

 

A relação dos clientes com produtos, serviços e tecnologias não serão mais as mesmas no chamado novo normal, de acordo com as lideranças da Edenred, Accor e IPSOS. De acordo com Marc Tawil, fundador da Tawil Comunicação, que mediou um dos debates do 12º Fórum de Inovação e Tecnologia da Câmara de Comércio França-Brasil (CCIFB-SP), nasce um novo consumidor, mais econômico, mais sustentável, mais cético, mais consciente e mais voltado à família. Tawil também ressaltou que 72% dos brasileiros alteraram a forma de consumo.

 

Para Charlotte Guinet, coordenadora de Inovação da Edenred, dois grandes desafios devem ser superados pelas empresas: maior diversificação dos produtos e modelos de negócios e uma maior aproximação de startups e universidades para avançar na inovação. Com presença em 46 países, cerca de 10 mil funcionários e 850 clientes, a Edenred colocou em prática durante a pandemia iniciativas de sucesso. Uma delas foi a Eva, uma assistente virtual treinada para dar suporte e prestar orientação sobre mecanismos de prevenção ao COVID-19 na Ticket e na Ticket Log. Desde a sua criação em 2015, a Eva já realizou mais de 2,7 milhões de atendimentos.

 

Entre os serviços diferenciados oferecidos pela Edenred, a executiva também destacou o “Ticket em Casa”, que permitiu ao usuário conferir a rede de estabelecimentos que aceitavam a compra com os cartões da rede. Outro case apresentado, foi a plataforma online e gratuita da marca Repom que permitia aos caminhoneiros, por exemplo, encontrarem estabelecimentos abertos durante a pandemia. Charlotte também enfatizou a importância de uma comunicação efetiva, permanente e transparente com os colaboradores e clientes por meio de diferentes canais como email, whatsapp, blog, redes sociais e podcast.

 

A virada do setor de hotelaria é digital

 

O turismo é um dos setores que mais sofreram com a pandemia. Segundo dados da Associação Brasileira Indústria Hotéis (ABIH), 90% das reservas e eventos em hotéis foram cancelados ou adiados em 2020. De acordo com Marcelo Salomão, Head de TI e Distribuição da Accor, 95% dos hotéis da rede ficaram fechados. Com o retorno gradativo das atividades, a Accor conta hoje com 92% dos hotéis em operação, mas com restrições.

 

Umas das grandes mudanças de comportamento do consumidor apontadas por Salomão, durante o segundo dia do 12º Fórum de Inovação e Tecnologia, foi como o cliente interage com o hotel depois da compra. Segundo ele, as reservas já eram efetuadas pelos consumidores de forma online antes da pandemia. Segundo Salomão a ideia que surgiu aqui no Brasil de transformar alguns quartos em escritório deu tão certo que foi exportada para hotéis da rede em outros países.

 

Oferecer para o cliente um espaço silencioso, seguro, com computador, internet e tudo que ele precisa foi uma inovação, ressaltou o executivo. De acordo com Salomão, estudos estão sendo feitos para melhorar e ampliar ainda mais essa ideia. Outro ponto destacado foi a questão da redução do papel dentro do hotel. Para Salomão o QR Code vem ao encontro das novas necessidades dos consumidores e do desenvolvimento sustentável.

 

Raio X no novo consumidor

 

Se o desafio é entender o novo consumidor, os novos comportamentos, as novas prioridades e os novos valores, um dos aliados são os estudos e as pesquisas. Não à toa, o especialista Marcos Calliari, CEO Brasil da Ipsos, empresa de pesquisa presente em 90 países, compartilhou dados dos estudos semanais sobre as preocupações das pessoas em cerca de 16 países. Segundo ele, apenas 17% dos brasileiros declaram estar estáveis. A média global é de 42%. Outro dado impactante é que 83% afirmam sofrerem impactos na saúde e no financeiro. Segundo Calliari, a ansiedade é líder no ranking dos transtornos que mais afetam os consumidores durante a pandemia, pois 72% ressaltam que a vida está fora de controle.

 

De acordo com o CEO da Ipsos, não há um otimismo no curto prazo. As empresas e marcas, na opinião dele, precisam superar dois importantes desafios. O primeiro, segundo Calliari, é serem protagonistas nas áreas sociais. A intensificação do papel social das empresas é essencial para esse novo consumidor. O segundo obstáculo apontado é o desenvolvimento de ações de aproximação com o consumidor por meio da inovação e da tecnologia. De acordo com Calliari, as pessoas ainda estão com muito medo da contaminação.

 

5 tendências de futuro para ficar no radar:

 

  1. Investir na diferenciação e diversificação de produtos é o caminho para as empresas que desejam crescer;
  2. A volta ao trabalho tende a ser no modelo híbrido com flexibilidade de dias e horas;
  3. O uso de ferramentas e de novos canais digitais como aplicativos e Whatsapp deve fazer parte da estratégia de comunicação;
  4. O uso da Inteligência Artificial permite uma maior assertividade e um acesso mais ágil e dinâmico das necessidades desse novo consumidor;
  5. Os produtos corporativos e os de lazer estarão cada vez mais híbridos para aumentar a rentabilidade;
^